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Reprimir ou regular emoções? Entenda a diferença para sua saúde mental

Reprimir e regular emoções são coisas muito diferentes e não saber distinguir as duas pode colocar sua saúde mental em risco

16 mar 2026 - 11h06
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Nunca se falou tanto sobre bem-estar emocional quanto agora. Em 2022, o estudo Global Health Service Monitor, realizado pela Ipsos, entrevistou mais de mil brasileiros e revelou que 49% deles estavam preocupados com a saúde mental. Em 2018, esse índice era de apenas 18%. E a preocupação tem fundamento: em 2024, mais de 470 mil afastamentos do trabalho foram motivados por ansiedade ou depressão — o maior número em uma década, segundo o Ministério da Previdência Social. O Brasil enfrenta uma crise de saúde mental há anos, mas ela se tornou impossível de ignorar.

Reprimir ou regular emoções? Entenda a diferença para sua saúde mental
Reprimir ou regular emoções? Entenda a diferença para sua saúde mental
Foto: Revista Malu

Para lidar com o problema, muita gente recorre a uma estratégia perigosa: fingir que sentimentos ruins não existem. Na internet, esse comportamento ficou conhecido como 'positividade tóxica' — aquela atitude de quem não suporta ouvir um desabafo sem, imediatamente, oferecer uma 'injeção' superficial de ânimo. Nesse tipo de postura, luto, depressão e até dores físicas devem ser ignoradas em nome da 'energia boa'. O problema é que ignorar o sofrimento não o faz desaparecer. Pelo contrário: ele tende a se intensificar, tornando o peso emocional ainda mais difícil de carregar. Por isso, é importante entender como regular emoções, ao invés de engoli-las.

Nem uma coisa, nem outra coisa

Em bom português: é claro que ter positividade é importante para levar a vida com mais leveza, e viver reclamando também pode trazer diversos prejuízos à saúde, aumentando ainda mais o estresse. Entretanto, isso está muito longe de significar que você deve simplesmente ignorar o que sente. "Muita gente confunde essas duas coisas, mas existe uma diferença essencial: reprimir é fingir que a emoção não existe, é empurrar para debaixo do tapete. Já regular emoções é olhar para elas de frente, compreender por que ela surgiu e escolher o que fazer com ela", explica Jarbas Caroni, psicanalista especialista em neurociência e PNL, autor do livro Atravessando o Deserto - Rumo à Abundância.

Isso porque o cérebro não aceita esse 'truque'. "A neurociência mostra que, quando reprimimos, ativamos áreas de alerta no cérebro, como a amígdala, o que mantém o corpo em estado de estresse. Já quando regulamos, conseguimos usar o córtex pré-frontal, que nos ajuda a tomar decisões conscientes. Reprimir é engolir o choro. Regular é respirar fundo, entender o que o choro quer dizer e, então, decidir como seguir em frente."

Tem consequências sim

Segundo Jarbas, quando alguém reprime emoções por muito tempo, o corpo dá sinais: dores sem causa aparente, enxaquecas frequentes, insônia, problemas de estômago ou até alergias. "No comportamento, vemos pessoas que explodem por pequenas coisas, que vivem tensas ou que se isolam. Elas parecem fortes por fora, mas estão travando batalhas silenciosas por dentro."

Fernanda Paiva, especialista em comportamento humano e fundadora do Instituto Diálogos, acrescenta: "Ao reprimir sentimentos ruins, o cérebro começa a reconhecer ameaças onde talvez só haja tristeza ou medo não reconhecido. É como viver com o alarme interno disparado o tempo todo, e isso inevitavelmente tem consequências para a saúde a longo prazo".

A curto prazo, a pessoa pode sentir sobrecarga, ansiedade, pensamentos acelerados e fadiga emocional. A longo prazo, isso pode evoluir para quadros como depressão, crises de ansiedade, hipertensão, gastrite ou até doenças autoimunes. "O cérebro e o corpo trabalham em parceria. Quando um sofre, o outro adoece. Reprimir emoções é como colocar fogo dentro de uma panela de pressão: uma hora explode ou queima por dentro. Muita gente acha que está 'sendo forte' por não demonstrar… Mas, na verdade, está adoecendo em silêncio", alerta Jarbas.

Se é ruim, por que fazemos?

O velho clichê: a resposta pode estar na infância. "A neurociência explica que áreas responsáveis pela regulação emocional, como o córtex pré-frontal, se desenvolvem ao longo da infância e só se consolidam por volta dos 25 anos. Durante esse tempo, precisamos da presença de adultos que validem o que sentimos, que nomeiem as emoções conosco e que nos ensinem, com o próprio exemplo, que sentir não é fraqueza", esclarece Fernanda. Ela continua: "Sem esse apoio, podemos até ser adultos funcionais no trabalho, mas sem repertório para lidar com a própria dor".

Quando uma emoção não encontra espaço para ser sentida e integrada, ela permanece ativa em circuitos neurológicos ligados à memória, linguagem e cognição. "Diferente do que muitos pensam, o cérebro não 'esquece' o que foi emocionalmente marcante; ele apenas armazena de forma desorganizada, o que pode gerar reativações sutis e contínuas dessas experiências ao longo do tempo", complementa.

DESTAQUE: "Emoções reprimidas não desaparecem, elas se transformam em sintomas. A ansiedade é, muitas vezes, uma emoção presa tentando encontrar uma saída. E a depressão, uma tristeza sufocada que foi ficando pesada demais." - Jarbas Caroni

Então, o que fazer para regular emoções?

Nesse ponto, ambos os especialistas concordam: a neurociência do comportamento mostra que o cérebro humano é altamente plástico, ou seja, aprende por repetição. "Se você repete que sentir é ruim, o cérebro entende que o melhor é suprimir. Mas, com novas experiências, com consciência e com acolhimento, é possível aprender a sentir de forma segura e libertadora", pontua Fernanda.

O primeiro passo é buscar terapia, justamente para reconhecer padrões de comportamento, identificar de onde vieram e aprender a regular emoções de forma saudável. Já as dicas práticas para o dia a dia incluem:

  • Respiração consciente em quatro tempos: reduz a ativação da amígdala;
  • Autocompaixão ativa: nomeie suas emoções com gentileza;
  • Mapeamento corporal da emoção: perceber onde ela se manifesta (no peito, na barriga, nos ombros) e dar movimento a essa região;
  • Prática do não julgamento: reconhecer o que se sente como parte legítima da experiência humana;
  • Pequenos rituais restauradores: caminhar em silêncio, escrever antes de dormir, tomar um banho quente com intenção de acolher-se.
Revista Malu Revista Malu
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