Quando a espiritualidade encontra a humanidade
Reunião na cozinha solidária do Instituto CEU Estrela Guia reuniu representações da Umbanda, do Zen-Budismo e do Budismo Tibetano
Em 22 de setembro, o líder de Umbanda Pai Denisson D'Angiles reuniu a Monja Coen e o monge tibetano Thubten Wangchen, em São Paulo, para planejar uma missão inter-religiosa brasileira à Índia em 2027. O encontro promoveu a união entre tradições distintas por meio da compaixão e da solidariedade ativa. Além de articular a viagem, os líderes defenderam São Paulo como sede permanente do diálogo inter-religioso em prol da paz, da justiça social e do combate à fome e à pobreza.
Há momentos em que a história não é escrita nos grandes palácios, mas sentados em torno da mesa da cozinha. No dia 22 de setembro, a cozinha solidária do Instituto CEU Estrela Guia, localizado em São Paulo, foi o palco de um acontecimento discreto, porém carregado de profundo significado.
Na ocasião, o líder espiritual Pai Denisson D'Angiles reuniu a Monja Coen e o monge tibetano Thubten Wangchen, representante oficial de Sua Santidade o Dalai Lama na América Latina, para articular os primeiros passos de uma missão inter-religiosa brasileira rumo à Índia, projetada para ocorrer em 2027.
O diálogo entre tradições na missão inter-religiosa
Vivemos uma época em que as diferenças são frequentemente tratadas como ameaça. A religião, que deveria aproximar consciências, muitas vezes é usada para justificar distâncias. Por isso, ver um sacerdote de Umbanda, uma monja zen-budista e um monge tibetano compartilhando diálogo, silêncio e alimento possui uma força que nenhuma cerimônia oficial consegue produzir.
A iniciativa também dialoga com a trajetória de Pai Denisson, que anos atrás esteve no Tibete em estudos religiosos. Esse reencontro com a tradição tibetana não representa a aproximação entre duas religiões, mas entre duas formas de compreender a compaixão como caminho de transformação humana.
Thubten Wangchen sintetizou essa esperança ao defender que São Paulo se torne um espaço permanente de encontros inter-religiosos, onde diferentes tradições possam conversar, aprender umas com as outras e trabalhar juntas pela paz. É uma visão simples, mas profundamente revolucionária: substituir a disputa pela escuta.
Entretanto, paz não é apenas a ausência de guerra. Paz é também a presença de justiça. Enquanto milhões de pessoas enfrentam a fome, a pobreza e o abandono, toda espiritualidade é convidada a sair dos templos e caminhar em direção às ruas. A compaixão precisa ter mãos, voz e compromisso.
Talvez este seja o maior ensinamento daquele encontro: religiões não precisam concordar em tudo para servirem à mesma humanidade. Quando o diálogo vence o preconceito e a solidariedade vence a indiferença, nasce a mais elevada expressão da fé.
E é justamente dessa coragem de construir pontes que o mundo precisa agora.
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* Por Pai Denisson D'Angiles
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