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Parto normal traz benefícios para a mãe e o bebê, mas ainda é minoria no Brasil

Cultura da cesariana, medo da dor, influência médica e outros fatores explicam por que o Brasil faz tanta cesárea, indo na contramão das recomendações da OMS

4 mai 2026 - 13h09
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Desde 2017, o estado de São Paulo dedica a primeira semana de maio à conscientização sobre o parto normal e humanizado. A iniciativa reforça um debate importante: apesar dos avanços na medicina, o Brasil ainda registra uma das maiores taxas de cesarianas do mundo.

Entenda por que o parto normal é incentivado, quais seus benefícios e o que explica o alto índice de cesarianas no Brasil
Entenda por que o parto normal é incentivado, quais seus benefícios e o que explica o alto índice de cesarianas no Brasil
Foto: Reprodução: Canva/annastills / Bons Fluidos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que esse tipo de procedimento aconteça em cerca de 10% a 15% dos partos. No entanto, no país, esse número ultrapassa 55% - e pode chegar a mais de 80% na rede privada.

"Esse número expressivo reflete um fenômeno complexo, que envolve desde fatores culturais e médicos até a organização do sistema de saúde. No entanto, a ciência é clara ao afirmar que o parto normal traz inúmeros benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê, reforçando a importância de incentivar e apoiar essa escolha sempre que possível", esclarece o Dr. Nélio Veiga Junior, ginecologista e obstetra.

Por que a cesariana ainda é tão comum?

O cenário brasileiro é resultado de uma combinação de fatores que vão além da escolha individual. Entre eles, estão questões culturais, desinformação e até o próprio funcionamento do sistema de saúde.

"Muitas mulheres crescem com a ideia negativa de que o parto vaginal é marcado por intervenções desnecessárias e violentas e ouvindo relatos sobre dores intensas relacionadas ao parto normal, sem receber informações adequadas sobre alívio da dor, como analgesia e métodos não farmacológicos (banho morno, massagens etc.). Isso leva muitas gestantes a optarem pela cesariana antes mesmo de entrar em trabalho de parto", explica o médico.

Outro ponto relevante é a praticidade associada à cesárea. "Muitos médicos preferem realizar cesarianas por questões de agenda e praticidade. O parto normal pode durar horas e ser imprevisível, enquanto a cesárea eletiva é rápida e pode ser programada. Esse fator pesa especialmente na rede privada", completa.

Além disso, a falta de estrutura adequada em alguns hospitais e a ausência de um pré-natal que valorize o protagonismo da mulher também influenciam. Ambientes pouco acolhedores e sem suporte para o parto humanizado acabam favorecendo intervenções cirúrgicas.

O que a ciência diz sobre o parto normal

Embora a cesariana seja essencial em diversas situações e possa salvar vidas, quando realizada sem indicação médica, ela pode trazer riscos adicionais.

"No entanto, a ciência mostra que, quando não há indicações médicas, a cesárea pode trazer riscos, como maior chance de infecções, hemorragias, perfuração de órgãos. E para o bebê, maior dificuldade respiratória e problemas gastrointestinais", diz o ginecologista.

Já o parto normal é um processo fisiológico, no qual o corpo da mulher passa por uma série de adaptações naturais importantes para o nascimento. "O parto normal é um evento fisiológico que desencadeia uma série de processos hormonais. Eles são fundamentais para o início da vida do bebê fora do útero", completa o médico.

O papel do "hormônio do amor" no nascimento

Durante o trabalho de parto, o corpo libera ocitocina, conhecida como o "hormônio do amor". Essa substância é essencial não apenas para as contrações, mas também para o vínculo entre mãe e bebê.

"Produzida naturalmente pelo organismo materno, a ocitocina tem papel essencial nas contrações uterinas, auxiliando no trabalho de parto e garantindo a progressão adequada para a expulsão do bebê. Além disso, essa substância é determinante para a criação do vínculo entre mãe e filho. Pesquisas demonstram que a liberação de ocitocina durante o parto facilita a interação afetiva, promovendo maior envolvimento emocional e fortalecendo o instinto materno", explica o médico.

Esse processo também favorece o início da amamentação. "Isso ocorre porque a ocitocina liberada no parto segue ativa no pós-parto imediato, estimulando a ejeção do leite materno e favorecendo o início precoce da amamentação", acrescenta.

Benefícios para o bebê

O nascimento por via vaginal também contribui para a adaptação do bebê fora do útero. Durante a passagem pelo canal de parto, há uma compressão natural do tórax, que ajuda na eliminação de líquidos dos pulmões.

"Durante a passagem pelo canal vaginal, o tórax do recém-nascido é naturalmente comprimido, eliminando líquidos pulmonares e facilitando a transição para a respiração aérea. A ciência mostra que bebês nascidos de parto normal têm menos risco de desenvolver desconforto respiratório e necessidade de suporte ventilatório quando comparados àqueles nascidos por cesárea eletiva", afirma o especialista.

Além disso, o contato imediato entre mãe e bebê - mais comum no parto normal - contribui para a regulação da temperatura corporal e do ritmo cardíaco do recém-nascido.

Informação e acolhimento fazem a diferença

Apesar dos benefícios, especialistas reforçam que o mais importante é garantir que cada mulher tenha acesso a informações de qualidade e possa fazer escolhas conscientes, com suporte adequado.

"Garantir que as mulheres tenham acesso a informações de qualidade, apoio de equipes capacitadas e um ambiente hospitalar que favoreça o parto normal é essencial para reverter esse cenário e promover um início de vida mais saudável para milhares de recém-nascidos brasileiros", finaliza o ginecologista.

No fim, mais do que escolher um tipo de parto, o foco está em oferecer condições para que esse momento aconteça com segurança, respeito e protagonismo.

Sobre o especialista

Dr. Nélio Veiga Junior (CRM 162641 | RQE 87396) é médico ginecologista e obstetra, mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). Atua em consultório privado e já foi médico preceptor no curso de Medicina da UNICAMP e médico pesquisador no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas. 

*Fonte: Holding Comunicação 

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