Maratona de Floripa 2026 reúne 19 mil corredores em fim de semana de recordes
Evento reuniu corredores de 26 países em quatro dias de programação, com disputas de alto nível
A Maratona Internacional de Floripa 2026 reuniu 19 mil corredores de 26 países e bateu quatro recordes na elite. Nos 42 km, o ugandense Jonathan Akankwasa venceu com recorde histórico (2h14m56), enquanto a brasileira Ana Catarina Amâncio garantiu o bicampeonato feminino (2h40m35). Já nos 21 km, os recordes foram quebrados pelo queniano Nicolas Kosgei (1h03m43) e pela colombiana Laura Morales (1h15m33). O evento mobilizou cerca de 60 mil pessoas e movimentou aproximadamente R$ 100 milhões na economia local.
Florianópolis terminou o último fim de semana de agosto em ritmo de corrida. Durante quatro dias, a capital catarinense recebeu corredores, familiares, amigos, equipes e marcas para a Maratona Internacional de Floripa Fibra 2026. Cerca de 19 mil corredores de todos os estados brasileiros e de 26 países participaram das provas.
A programação começou na quinta-feira (27), com a abertura da Expo e a retirada dos kits, e terminou no domingo (30), depois das disputas da maratona e dos 5 km. Entre os resultados da elite, foram quatro recordes quebrados nas duas principais distâncias: os 21 km, no sábado, e os 42,195 km, no domingo.
No sábado, a meia maratona abriu as disputas do fim de semana com recordes no masculino e no feminino. O queniano Nicolas Kiptoo Kosgei venceu os 21 km em 1h03min43, enquanto o brasileiro Giovani dos Santos terminou em segundo, com 1h04min14. Daniel Santana de Souza foi o terceiro, em 1h06min49.
Kosgei e Giovani fizeram uma disputa de ponta a ponta, e o brasileiro também correu abaixo do antigo recorde da prova.
"O Nicolas bateu o recorde, eu bati o recorde. Acho que esse é o nosso objetivo, de deixar tudo na prova", contou Giovani.
O brasileiro sentiu novamente a panturrilha durante a corrida, problema que já havia aparecido na Maratona do Rio. Mesmo com a dor, conseguiu sustentar o ritmo e agora terá de recuperar a musculatura antes do Mundial de Corrida de Rua, em Copenhague, na Dinamarca, em setembro.
"Vou ter que fazer um trabalho para poder recuperar essa panturrilha para o Mundial, mas graças a Deus, mesmo com dor, consegui representar todos vocês", afirmou.
Entre as mulheres, Laura Manuela Morales, da Colômbia, fez sua estreia em Florianópolis com vitória e recorde. Ela completou os 21 km em 1h15min33, seguida pela brasileira Jessica Ladeira Soares, campeã da prova em 2025, que marcou 1h16m00 e também correu abaixo do antigo recorde. Vaniclea Moura dos Santos foi a terceira, em 1h16min31.
"Primeira vez em Florianópolis, muito feliz com o resultado, primeiro lugar, o novo recorde da prova, então muito feliz", disse Laura.
A colombiana também elogiou o percurso e a organização. "Floripa pode ser muito bonita e a umidade é um pouquinho alta, e isso dificultou talvez um resultado melhor no tempo, mas graças a Deus o clima ajudou. Tinha previsão de chuva, graças a Deus não deu, e hoje fizemos um grande resultado."
A vitória aconteceu em um momento especial para Laura, que também carregou na prova a representação de seu país. Uma competição de pista que fazia parte de sua preparação havia sido adiada após o terremoto ocorrido na Colômbia. A atleta contou que muitos familiares e companheiros de atletismo vivem em regiões afetadas, mas estão bem.
"Hoje estou representando o meu país, que está em um momento difícil", afirmou.
Laura ainda planeja disputar a São Silvestre no fim do ano, além das competições em pista que foram remanejadas na Colômbia.
Jessica chegou a correr praticamente toda a prova ao lado da campeã, mas sentiu o desgaste de uma sequência intensa de competições nos quilômetros finais.
"A gente correu o tempo todo junto, aí chegou mais ou menos no quilômetro 17, 18. A primeira colocada abriu um pouco. Eu senti um pouquinho o cansaço por conta dessas provas que a gente vem competindo, mas consegui resistir até o final e estou muito feliz."
A brasileira também destacou a presença do público ao longo dos 21 km e dividiu o resultado com a família, a equipe e o treinador.
"Cada dia é um dia e eu só tenho que agradecer a Deus por estar aqui chegando com saúde, representando todos que torcem por mim. Foi uma torcida muito bonita durante o percurso."
Agora, o foco está no próximo grande desafio. Em setembro, Jessica estará em Copenhague para disputar o Mundial de Corrida de Rua pelo Brasil.
"Torçam por nós, que mês que vem a gente vai estar em Copenhague, na Dinamarca, pelo Brasil", disse.
Domingo de maratona e novos recordes
Se o sábado teve a meia maratona como protagonista, o domingo elevou ainda mais o nível da competição. Novamente os recordes caíram.
Na prova feminina dos 42,195 km, Ana Catarina Amâncio conquistou o bicampeonato e baixou a própria marca e mais de 8 minutos, vencendo em 2h40m35. No masculino, o ugandense Jonathan Akankwasa foi o campeão e estabeleceu o novo recorde da maratona com 2h14m56. O antigo recorde pertencia a Antonio Marco Araújo (2h17min01 em 2024).
Ana Catarina chegou ao segundo título consecutivo depois de uma preparação específica para Floripa. O resultado ganhou um significado ainda maior porque, durante o período de treinamento, sua mãe enfrentava um problema de saúde. Na corrida, depois de aproximadamente oito quilômetros, o relógio da campeã parou e ela precisou seguir apenas pela percepção de esforço.
"Meu relógio parou e eu não consegui mais ter ritmo e corri com essa percepção de esforço e consegui fazer meu melhor tempo. Estou bem feliz, muito feliz mesmo", contou Ana.
A potiguar também fez questão de dividir a conquista com quem esteve ao seu lado durante a preparação e com a torcida de Florianópolis.
"Só tenho que agradecer a Deus por ter me dado saúde para eu estar nessa prova, parabenizar a todos os organizadores pelo excelente evento", afirmou.
Ana agradeceu ainda ao treinador Fran Kauê, ao esposo Prisciliano Ribeiro, aos patrocinadores e à torcida.
"Essa torcida maravilhosa de Floripa, que em cada quilômetro estava torcendo", destacou.
A vitória foi dedicada à filha, Eloá, de 8 anos, e à mãe.
"Minha mãe teve um problema de saúde, mas eu não fiz nada que Deus não possa resolver. Antes da competição, ela já falou comigo, desejou boa sorte, e eu dediquei essa vitória a ela."
Do outro lado da disputa, Jonathan Akankwasa saiu de Florianópolis com uma marca histórica. O ugandense venceu os 42,195 km em 2h14min56, quebrando o recorde da prova.
"Estou muito feliz por correr em Florianópolis e conquistar o recorde de percurso. O trajeto foi excelente, muito rápido, plano e sem subidas, além de contar com uma ótima organização e o apoio incrível do público ao longo do caminho", comemorou o campeão.
O melhor brasileiro na maratona masculina foi Marciel Miranda de Almeida Silva, que terminou em segundo, com 2h19min13. O resultado teve um significado especial: era sua estreia na distância. Depois de um período de queda de rendimento, o corredor contou ter feito uma das melhores preparações de sua carreira para chegar bem a Florianópolis.
"Fiz uma das melhores preparações da minha carreira até agora e consegui focar ali na prova. Fui raçudo até o final", contou Marciel.
O corredor ainda buscava assimilar o resultado depois da chegada.
"A ficha não caiu ainda. Eu espero melhores resultados aqui para frente."
A preparação incluiu também uma estratégia para lidar com as condições climáticas de Florianópolis. Marciel chegou alguns dias antes da prova, treinou na cidade e buscou se adaptar ao clima.
"Eu decidi vir devido ao clima. A gente treina numa região seca lá no Nordeste, e aqui eu consegui fazer o treinamento para chegar bem nessa maratona. Cheguei aqui na quinta-feira, deu para descansar bem, fazer algum treinamento aqui para me adaptar um pouco ao clima."
O domingo ainda contou com a corrida de 5 km, que teve como novidade a passagem dos corredores sob a Ponte Hercílio Luz. Fernando "Pelé" Augusto Rodrigues da Silva venceu entre os homens, em 14min25, enquanto Isadora Martello Chiesorin foi a campeã feminina, com 17min28.
Números em Floripa e o envolvimento do públlico
A meia maratona concentrou metade dos inscritos do evento. A maratona representou 29% dos participantes, os 5 km ficaram com 18,5% e a Maratoninha Kids respondeu por 2,5%. Ao todo, corredores de 26 países estiveram em Florianópolis.
Nas ruas, a corrida também ganhou a participação de quem não estava competindo. A arquibancada montada na arena ficou cheia desde cedo no domingo, e a torcida se espalhou pelo percurso, passando pelas pontes de acesso à Ilha, Beira-Mar Continental, Via Expressa Sul e por toda a extensão da Avenida Beira-Mar Norte.
Segundo a organização, cerca de 60 mil pessoas, entre atletas, familiares e amigos, passaram pelo evento durante os quatro dias. O impacto financeiro direto na economia da Grande Florianópolis foi estimado em aproximadamente R$ 100 milhões.
Resultados Maratona Internacional de Floripa Fibra 2025
Maratona feminina (geral)
1. Ana Catarina Amancio de Oliveira, 02:40:35
2. Rejane Ester Bispo da Silva, 02:50:21
3. Jessica Amanda Pereira, 03:05:27
4. Jocasta Oliboni da Luz, 03:08:43
Maratona masculina (geral)
1. Jonathan Akankwasa (UGA), 02:14:56
2. Marciel Miranda de Almeida Silva, 02:19:13
3. Antonio Marco Pereira de Araujo, 02:19:57
4. Silvio Agostinho da Silva Filho, 02:21:34
5. Andre Nascimento da Silva, 02:22:50
Meia maratona feminina (geral) - sábado (29)
1. Laura Manuela Morales - 01:15:33 (recorde)
2. Jessica Ladeira Soares - 01:16:00
3. Vaniclea Moura dos Santos - 01:16:31
4. Anastacia Rocha Pereira - 01:19:12
5. Fabricia Ester Stedille - 01:19:44
Meia maratona masculina (geral) - sábado (29)
1. Nicolas Kiptoo Kosgei - 01:03:43 (recorde)
2. Giovani dos Santos - 01:04:14
3. Daniel Santana de Souza - 01:06:49
4. Fernando Augusto Rodrigues da Silva - 01:07:01
5. Jamil Ditzel da Paixão - 01:08:49
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