Kiplimo e Kipruto voltam a se enfrentar em Chicago; Feysa defende o título diante de Kosgei e Lokedi
Campeão e vice de 2025 reeditam o duelo na 48ª edição, neste domingo (11). Na prova feminina, a ex-recordista mundial retorna ao percurso
A Maratona de Chicago reúne uma elite de peso neste domingo. No masculino, o atual campeão Jacob Kiplimo busca o bi contra o rival Amos Kipruto, destacando-se como o único do grupo com tempo abaixo de 2h01. No feminino, a defensora do título Hawi Feysa enfrenta a ex-recordista mundial Brigid Kosgei e Sharon Lokedi, estreante no trajeto plano. A prova ainda terá os norte-americanos Clayton Young e Charles Hicks mirando recordes nacionais e a estreia do sul-africano Adriaan Wildschutt na distância.
A Maratona de Chicago será disputada neste domingo (11) com uma elite que reúne campeões de grandes maratonas, recordistas e atletas em busca de marcas em um dos percursos mais rápidos do calendário. O ugandense Jacob Kiplimo, vencedor em 2025, volta a ter pela frente o queniano Amos Kipruto, vice-campeão no ano passado. Entre as mulheres, a etíope Hawi Feysa defende o título diante das quenianas Brigid Kosgei e Sharon Lokedi.
Kosgei retorna a Chicago pela primeira vez desde 2019, quando estabeleceu o então recorde mundial. Lokedi, bicampeã da Maratona de Boston e campeã em Nova York, faz sua estreia na prova.
Na coletiva de imprensa desta sexta-feira (9), Kiplimo, Kipruto, Lokedi, Kosgei, o sul-africano Adriaan Wildschutt e os norte-americanos Clayton Young e Charles Hicks falaram sobre preparação, estratégia e expectativas.
Kiplimo quer defender o título
Kiplimo venceu em Chicago no ano passado com 2h02min23s, em sua segunda maratona da carreira. Ele havia estreado na distância em Londres, em abril de 2025, com o segundo lugar. Em Chicago, terminou 1min31s à frente de Kipruto.
Em abril deste ano, o ugandense correu 2h00min28s na Maratona de Londres e terminou em terceiro, atrás de Sabastian Sawe e Yomif Kejelcha. Sawe venceu com 1h59min30s, novo recorde mundial, e Kejelcha foi o segundo, com 1h59min41s. A marca de Kiplimo, recorde de Uganda, também ficou abaixo do recorde mundial anterior, de 2h00min35s, estabelecido por Kelvin Kiptum em Chicago, em 2023. Com ela, Kiplimo tornou-se o quarto homem a completar oficialmente a distância abaixo de 2h01 e passou a ter a terceira melhor marca da história.
Na meia maratona, Kiplimo correu 57min20s em Lisboa, em março, e voltou a ser o recordista mundial da distância. A marca já foi superada: em agosto, Kejelcha venceu em Buenos Aires com 56min51s, tempo que ainda aguarda ratificação da World Athletics.
Na coletiva, Kiplimo destacou a importância de correr em grupo e de ter adversários capazes de sustentar um ritmo alto. Ao lembrar a disputa em Londres, disse que os corredores se impulsionaram mutuamente e que pretende dar o seu melhor no domingo.
Com 2h00min28s, Kiplimo chega a Chicago como o único homem da elite com marca abaixo de 2h01. Seu tempo é mais rápido que o recorde do percurso, os 2h00min35s de Kiptum.
Kipruto busca transformar pódios em vitória
Kipruto terminou em terceiro em Chicago em 2024, com 2h04min50s, e em segundo em 2025, com 2h03min54s. Em abril, em Londres, estabeleceu seu recorde pessoal de 2h01min39s e terminou na quarta posição.
Campeão da Maratona de Londres em 2022 e bronze na maratona do Mundial de 2019, o queniano volta a Chicago em busca da primeira vitória na prova. Na coletiva, lembrou a progressão nas duas últimas participações e disse ver a edição deste ano como a oportunidade de subir mais um degrau.
A elite masculina tem outros quatro homens com marcas abaixo de 2h04:
- Milkesa Mengesha (ETI): campeão de Berlim em 2024, com 2h03min17s.
- Tadese Takele (ETI): vencedor em Tóquio em 2025 e 2026, com recorde pessoal de 2h03min23s.
- Daniel Mateiko (QUE): quarto em Tóquio neste ano, com recorde pessoal de 2h03min44s.
- Asrar Hiyrden (ETI): segundo em Sevilha, em fevereiro, com 2h03min59s, em chegada decidida por photo finish.
Feysa defende o título feminino
Hawi Feysa venceu em Chicago no ano passado com 2h14min57s. Em março deste ano, foi terceira em Tóquio, com 2h17min39s. A etíope relatou problemas de saúde e um incômodo no joelho durante a preparação para a prova japonesa.
Kosgei venceu em Chicago em 2018 e 2019. Na segunda vitória, correu 2h14min04s e tirou 1min21s do recorde mundial de Paula Radcliffe, os 2h15min25s de Londres, em 2003, que haviam resistido por 16 anos. A queniana também venceu em Londres em 2019 e 2020 e em Tóquio em 2022. No Brasil, conquistou a São Silvestre de 2019.
Em março deste ano, Kosgei voltou a vencer em Tóquio, com 2h14min29s, recorde do percurso e sua melhor marca desde o recorde mundial de 2019.
Na coletiva, Kosgei elogiou o percurso e o apoio do público. Ela indicou que pretende passar a meia maratona em cerca de 1h05min30s, ritmo que também aparece nos planos de Feysa. Essa passagem projeta um tempo final na casa de 2h11 a 2h12. Sustentá-lo vai depender das condições do dia e da resposta física nos quilômetros finais.
Lokedi estreia em Chicago em busca de marca pessoal
A queniana Sharon Lokedi venceu a Maratona de Boston em 2025 e 2026 e a de Nova York em 2022, em sua estreia na distância. Também foi quarta colocada na maratona olímpica de Paris, em 2024.
Os principais títulos vieram em percursos exigentes. Nova York tem pontes e variações de altimetria. Boston tem subidas como Heartbreak Hill e, por ser uma prova de ponto a ponto com desnível, não é elegível para recordes.
Seu melhor tempo é 2h17min22s, obtido em Boston em 2025. Em percurso válido para recordes, a melhor marca é 2h20min07s, com o segundo lugar em Nova York em 2025. Chicago será a primeira maratona plana de grande porte de sua carreira.
Na coletiva, Lokedi disse que quer experimentar algo novo e descobrir até onde pode chegar em um percurso rápido. O plano é passar a primeira metade entre 1h06min e 1h06min30s, um pouco mais conservadora que Kosgei e Feysa, e avaliar a possibilidade de acelerar na parte final.
Americanos miram o recorde nacional
Clayton Young e Charles Hicks chegam a Chicago com objetivos ambiciosos, mas em situações diferentes.
Young, que correu 2h05min41s em Boston em abril, contou na coletiva que se recupera de uma ruptura longitudinal na musculatura posterior da coxa. Segundo ele, a recuperação foi cuidadosa, os treinos recentes foram feitos sem dor e ele está confiante para largar. Young também disse ter conversado com Conner Mantz sobre o que seria necessário para superar o recorde nacional, os 2h04min43s, que Mantz correu em Chicago no ano passado. A decisão de correr de forma agressiva vai depender de como se sentir durante a prova.
Hicks correu 2h04min35s em Boston, em abril, tempo mais rápido que o recorde de Mantz. Como Boston não é elegível para recordes, a marca não vale como recorde nacional. Mesmo assim, é a segunda maratona mais rápida já corrida por um norte-americano. Chicago será apenas a terceira maratona de Hicks, que estreou em Nova York em 2025. Na coletiva, ele disse que pretende correr forte até a metade e usar a segunda parte da prova para entender seu nível competitivo.
Wildschutt estreia na maratona
O sul-africano Adriaan Wildschutt faz sua estreia nos 42,195 km depois de uma carreira construída na pista e na meia maratona. Ele é recordista nacional dos 5.000 m, com 12min55s02, dos 10.000 m, com 26min50s64, e da meia maratona, com 59min13s, marca obtida em Valência em outubro de 2025.
Na coletiva, explicou que escolheu Chicago pelo percurso rápido. A estreia servirá como referência para os próximos objetivos, entre eles a busca por índice para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A segunda metade da prova, quando resistência e gestão de ritmo pesam mais, será o principal teste da transição.
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