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O Brasil ficará inabitável em 2070? Entenda o que diz o estudo da NASA

Já adiantamos que não é bem assim, não. Mas essa notícia pode te ensinar muito sobre fake news climáticas, especialmente no Brasil!

16 mar 2026 - 10h24
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"Alerta! A NASA divulgou recentemente um estudo que afirma que até 2070, o Brasil se tornará inabitável devido a ondas de calor!" Se você esteve nas redes sociais nas últimas semanas, pode ter esbarrado com essa notícia por aí, talvez até em veículos famosos de comunicação. A Mente Afiada conversou com Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), para te explicar que não é bem assim.

O Brasil ficará inabitável em 2070? Entenda o que diz o estudo da NASA
O Brasil ficará inabitável em 2070? Entenda o que diz o estudo da NASA
Foto: Revista Malu

Cancela o apocalipse? 

Nem pense que somos negacionistas por aqui. A emergência climática é sim um problema real e urgente, provavelmente um dos maiores que a humanidade já enfrentou em sua existência. Medidas, principalmente governamentais, devem ser tomadas para impedir catástrofes. "Desde a revolução industrial, os gases de efeito estufa subiram muito rápido. Nas últimas décadas, batemos recordes atrás de recordes de temperaturas extremas. O que temos vivenciado atualmente não é normal", inicia o especialista.

Porém, o tal 'estudo da NASA' não afirmou categoricamente que o Brasil irá acabar. Paulo explica: "O estudo em questão é de 2020 e avaliou os dados de estações meteorológicas, indicando que em algumas localidades subtropicais costeiras (e não o Brasil como um todo), há registros crescentes, desde 1979, de calor úmido extremo (acima de 35ºC). Em condições de calor extremo, quanto mais alta a temperatura e a umidade, maior é o risco de estresse térmico nas pessoas, já que com alta umidade, a evaporação do suor é menos eficaz, o que pode aumentar o risco de superaquecimento do corpo". Ou seja, não é que 'o Brasil vai acabar', é que em algumas regiões, ocorrerão eventos extremos prejudiciais inclusive aos humanos, logo, ações precisam ser tomadas para enfrentar este cenário.

Mas por que caímos em notícias assim?

Paulo explica que, num cenário tão novo e assustador, que exige tomada de decisões e mobilização de pessoas e governos, é comum que as pessoas se sintam perdidas e criem uma certa resistência ou inércia ao assunto. "A própria ONU segue em longas negociações para conter a crise climática e, infelizmente, muitos dos que deveriam tomar uma decisão acabam desconsiderando a ciência. A retórica negacionista é muito forte e muita gente ainda acha que a crise climática será como num filme de Hollywood."

E se agentes de mudança não tomam posição, os cidadãos comuns acabam confusos. Para piorar, o especialista alerta sobre a diminuição dos jornalistas científicos, que são vitais para, justamente, traduzir a crise climática de forma verdadeira e acessível. "A imprensa hoje é um moedor de carne, tudo tem que sair muito rápido e nem sempre o jornalista tem tempo para se dedicar a fontes críveis. Considero o jornalismo como a peça mais fundamental para trazer esperança de um futuro climático minimamente aceitável, mas, para exercer este papel, será necessário tempo de qualidade para a apuração."

Paulo aconselha as pessoas a se informarem sim sobre o clima, mas de maneira crítica. "Não aceite notícias fáceis, que todos estão comentando, sem checá-las. Busque informações científicas de fontes confiáveis. Não fujam de debates, incentivem-nos."

Onde ler sobre mudanças climáticas?

  • A Espiral da Morte: como a humanidade alterou a máquina do clima, de Claudio Angelo. Ed. Companhia das Letras, 2016

Sinal verde? 

Então, tudo tranquilo para o Brasil das próximas gerações? Nada disso, alerta o especialista. "Não é porque esse estudo foi mal compreendido que não temos razão para nos preocuparmos. Há vários estudos de cientistas brasileiros que mostram cenários climáticos nada animadores para diversas regiões de nosso país. Por exemplo, na Bacia do Rio Xingu, na altura da divisa dos estados de Mato Grosso e Pará, há uma situação climática já instalada que estava prevista para algumas décadas à frente. Isto também inclui o risco de secas severas no norte e nordeste e chuvas torrenciais no sudeste e sul do Brasil, como as que infelizmente ocorreram no Rio Grande do Sul.

Ainda poderá haver alterações na disponibilidade de recursos hídricos, pois haverá mudanças no regime das chuvas em muitas regiões, afetando principalmente a produção agrícola. Já se sabe que, tanto na Amazônia quanto no Cerrado, há reduções drásticas de disponibilidade de água superficial, com desaparecimento de rios. Todas estas mudanças nas águas também se traduzem nos grandes incêndios que estamos vivenciando."

Um fatalismo sedutor… 

De um lado, estão os negacionistas chamando eventos climáticos de bobagem. De outro, muitas pessoas adotam uma postura de que não há mais o que fazer e, como diria Vanessa da Mata na música Boa Sorte (2007), 'É só isso, não tem mais jeito, acabou (…)'. O que essas duas visões têm em comum? Só prejudicam a luta contra mudanças climáticas. Paulo finaliza com um recado reforçando que há sim, um futuro, mas precisamos nos preparar para ele. "Mantenham a esperança. Temos todas as condições de enfrentar o problema da mudança do clima. Isto só não acontecerá se deixarmos de nos informar, cobrar e agir."

Revista Malu Revista Malu
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