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Nova lei garante às crianças o direito de brincar e ter contato com a natureza; entenda

Lei reforça a proteção de crianças e adolescentes diante das mudanças climáticas e prevê mais espaços públicos para brincar em contato com o verde

25 set 2026 - 14h07
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Resumo
A Lei 15.512 estabelece como prioridade absoluta o direito de crianças e adolescentes ao contato com a natureza e ao brincar livre ao ar livre. A legislação altera o ECA e políticas ambientais e climáticas para exigir que o planejamento urbano crie praças e parques acessíveis, além de mitigar impactos climáticos sobre esse grupo, com foco especial na primeira infância e em pessoas com deficiência, integrando o meio ambiente ao desenvolvimento infantil seguro e saudável nas cidades.

Brincar na grama, explorar um parque, observar árvores, sentir a terra com as mãos ou simplesmente passar parte do dia ao ar livre. Experiências que podem parecer simples ganharam um reforço importante na legislação brasileira. A Lei 15.512 estabelece princípios e diretrizes para garantir, com prioridade absoluta, o direito de crianças e adolescentes ao contato com a natureza.

Nova lei garante a crianças e adolescentes o direito à natureza e prioriza parques, áreas verdes e espaços para brincar ao ar livre
Nova lei garante a crianças e adolescentes o direito à natureza e prioriza parques, áreas verdes e espaços para brincar ao ar livre
Foto: Reprodução: pixelshot / Bons Fluidos

Publicada no Diário Oficial da União em 23 de setembro, a nova legislação reconhece que crianças e adolescentes estão especialmente vulneráveis aos efeitos da degradação ambiental e das mudanças climáticas. A proposta é fazer com que as necessidades desse público sejam consideradas tanto na criação de políticas ambientais quanto no planejamento dos espaços onde vivem.

Na prática, isso significa pensar em cidades que ofereçam mais oportunidades para que a infância aconteça também fora de ambientes fechados.

O que muda com a nova lei?

Um dos principais pontos da Lei 15.512 está relacionado justamente aos espaços públicos. O planejamento urbano deverá considerar a oferta de praças, parques e outros locais que estimulem o brincar livre e permitam maior proximidade com ambientes naturais.

A legislação também determina que crianças e adolescentes recebam atendimento prioritário e proteção em situações envolvendo riscos socioambientais e climáticos. Além disso, políticas públicas relacionadas ao meio ambiente, ao clima e à sociobiodiversidade deverão levar em consideração o melhor interesse dessa população.

Alguns grupos terão atenção ainda maior: crianças na primeira infância e crianças e adolescentes com deficiência estão entre aqueles que devem receber prioridade para a efetivação dessas garantias.

Natureza passa a ocupar mais espaço nos direitos da infância

A nova legislação também modifica normas que já existiam no país. Uma delas é a Política Nacional do Meio Ambiente, que passa a incorporar entre seus princípios a garantia prioritária de acesso de crianças e adolescentes à natureza e a um ambiente ecologicamente equilibrado.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também alterou-se. A partir da nova redação, família, sociedade e poder público passam a ter entre seus deveres assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à natureza.

Já a Política Nacional sobre Mudança do Clima passa a estabelecer atuação prioritária do governo para reduzir os efeitos das mudanças climáticas sobre crianças e adolescentes. A lei teve origem no Projeto de Lei 2.225/2024, apresentado pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ). A proposta passou pelo Congresso e tornou-se a Lei 15.512/2026.

Por que falar em direito à natureza?

O contato com ambientes naturais vai além de oferecer um lugar bonito para as crianças brincarem. Quando parques, praças e áreas verdes fazem parte do cotidiano, também surgem mais possibilidades de movimento, exploração, convivência e descoberta.

É justamente por isso que a nova legislação trata a natureza como parte das condições necessárias para o desenvolvimento da infância, e não somente como uma opção de lazer para os finais de semana.

Ao estabelecer diretrizes para políticas públicas, a lei também amplia a discussão sobre como o planejamento das cidades. Afinal, garantir o acesso à natureza depende da existência de áreas verdes próximas, seguras e acessíveis às diferentes famílias.

Ao transformar o acesso à natureza em uma questão de prioridade absoluta, a nova lei reforça que esses momentos não devem depender apenas da iniciativa de cada família. Garantir espaços para brincar, explorar e crescer em contato com o verde passa também por políticas públicas e pela maneira como constroem-se as cidades.

Bons Fluidos
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