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Leitura com os filhos fortalece laços e estimula o desenvolvimento

No clima do Dia dos Pais, especialista mostra como ler um livro junto com o filho fortalece os vínculos e apoia o desenvolvimento infantil.

3 ago 2026 - 16h31
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Resumo
Ler com os filhos, mesmo por poucos minutos, fortalece vínculo, afeto e desenvolvimento. Estudos destacam que a leitura compartilhada melhora habilidades cognitivas e emocionais, além de criar memórias afetivas. Especialistas recomendam torná-la hábito diário e enaltecem seu papel na conexão familiar, superando distrações digitais e criando momentos únicos 😊📚.

Pais e filhos podem transformar poucos minutos em algo muito maior. Ler uma história antes de dormir, dividir um livro no sofá ou acompanhar as primeiras descobertas da criança pelas páginas fortalece vínculo, afeto e desenvolvimento.

Foto: Anna Pou/Pexels / Alto Astral

Esse hábito simples ganha ainda mais destaque perto do Dia dos Pais. Além disso, ele mostra que a leitura compartilhada não é só sobre livros. Ela também é sobre presença, escuta e conexão emocional.

Os benefícios da leitura para pais e filhos

Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Psychology reuniu estudos sobre leitura compartilhada. O trabalho concluiu que o hábito fortalece a linguagem, as habilidades cognitivas e socioemocionais. Além disso, estreita a relação entre pais e filhos.

Outro estudo, publicado em 2026 na revista Pediatric Research, acompanhou crianças desde o nascimento. Os resultados mostraram que aquelas com mais momentos de leitura compartilhada tiveram melhores indicadores de desenvolvimento na primeira infância.

Ou seja, a leitura compartilhada vai muito além do entretenimento. Ela cria base para aprendizado, segurança emocional e desenvolvimento saudável.

Presença que acolhe

Para a psicóloga clínica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, a leitura é um gesto carregado de afeto. "Ler para uma criança é muito mais do que apresentar histórias. É dizer, sem palavras: 'eu tenho tempo para você'. A leitura oferece presença, segurança e fortalece a conexão entre pais e filhos, algo essencial para o desenvolvimento saudável", afirma.

Essa presença faz diferença porque a criança percebe que aquele momento é só dela. Além disso, a rotina de leitura ajuda a transformar o tempo junto em memória afetiva.

Segundo a especialista, quando pais e filhos compartilham esse momento, a criança associa a leitura à segurança. "Quando um adulto lê para uma criança, ambos compartilham atenção, imaginação e afeto. Esse momento cria memórias de segurança emocional e faz com que a criança associe a presença dos pais ao acolhimento e à escuta", analisa.

Pais e filhos: relação desde os primeiros meses

A leitura pode começar cedo, ainda nos primeiros meses de vida. Mesmo sem entender as palavras, o bebê reconhece voz, ritmo e entonação. Isso já estimula o cérebro e fortalece o vínculo com quem lê.

"Essas experiências estimulam o cérebro, fortalecem o vínculo afetivo e contribuem para o desenvolvimento da linguagem", explica Anastacia.

Portanto, não importa se a criança ainda não fala ou não acompanha a história inteira. O que conta, nesse começo, é a troca construída entre pais e filhos.

O mundo das emoções

As histórias também ajudam a criança a nomear o que sente. Ao acompanhar personagens que vivem medo, alegria, tristeza ou frustração, ela encontra referências para entender as próprias emoções.

"As histórias permitem que a criança entre em contato com diferentes sentimentos de forma segura. Ao acompanhar personagens que sentem medo, tristeza, alegria ou frustração, ela aprende a reconhecer as próprias emoções e percebe que todas elas podem ser acolhidas e elaboradas", afirma a psicóloga.

Isso significa que o livro também funciona como ponte emocional. Ele abre espaço para conversar sobre sentimentos com mais leveza. Além disso, ajuda pais e filhos a falarem sobre temas difíceis sem tanta pressão.

Leitura como parte da rotina em família

Para Carmen Pareras, diretora da Distribuidora Librum, a leitura compartilhada também cria momentos reais de convivência. "Quando um pai lê para o filho, ele demonstra interesse pelo universo daquela criança. A história acaba, mas a conversa continua. São esses momentos que ajudam a construir vínculos, despertam a curiosidade pelos livros e criam lembranças que permanecem por muitos anos", observa.

A leitura, então, deixa de ser uma atividade isolada. Ela vira parte da conversa de casa, do carinho diário e da construção de lembranças afetivas.

Entre os títulos mais procurados pelas famílias está a coleção O Lobo. A obra mistura humor, situações infantis e mensagens que ajudam pais e filhos a conversar sobre a rotina.

Pais e filhos: histórias que abrem espaço

Em O lobo que domou suas emoções, o personagem aprende a identificar sentimentos. Segundo Carmen, esse é um dos livros mais queridos da coleção. "Esse é um dos livros mais queridos da coleção porque ajuda pais e filhos a conversarem sobre emoções de forma leve. Muitas vezes, a história facilita um diálogo que seria mais difícil começar sem esse apoio", comenta.

Já em O lobo que queria ser artista, o personagem explora criatividade e aprende que errar também faz parte. Em O lobo que descobriu o país dos contos, o leitor passeia por clássicos da literatura infantil. E em O lobo que queria ser super-herói, a mensagem é clara: coragem também aparece em atitudes simples.

"A obra apresenta uma ideia de heroísmo muito próxima da realidade das crianças. Ser herói também é cuidar, respeitar, dividir e ajudar quem está ao nosso lado", destaca Carmen.

Dez minutos já são suficientes para começar

Você não precisa montar uma rotina complicada para começar. Anastacia destaca que o mais importante é a frequência. "O exemplo é o maior incentivo. Quando a criança vê os adultos lendo e percebe que os livros fazem parte da rotina da família, ela entende que a leitura tem valor. Criar pequenos momentos diários, mesmo que sejam apenas dez minutos antes de dormir, costuma ser mais eficaz do que transformar a leitura em uma obrigação", destaca.

Ou seja, pouco tempo já faz diferença. Além disso, a constância vale mais do que a perfeição. Um livro por noite pode render mais conexão do que uma grande programação esporádica.

Pais contra o excesso de telas

Em um cenário cheio de celulares, tablets e televisão, a leitura ganha outro valor. Ela cria pausa, atenção e conversa. E isso é raro na rotina acelerada de muita gente.

"Enquanto a leitura convida à conversa, à imaginação e à concentração, ela também aproxima pais e filhos de uma forma que poucas atividades conseguem proporcionar", conclui a psicóloga.

No fim, o hábito de ler juntos mostra que o vínculo entre pais e filhos pode nascer de gestos simples. E, muitas vezes, ele cresce justamente nos minutos mais tranquilos do dia.

Alto Astral
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