Jovem que nasceu com perda auditiva diz que todo dia ouve algo novo: 'O vento é um som que sopra'
Aos 18 anos, Ryany Soares fez a cirurgia para implante coclear; vídeo do momento da ativação emocionou milhares de pessoas nas redes sociais
Ryany Soares, até pouco tempo atrás, não sabia como soava a própria voz. A jovem, que nasceu com perda auditiva severa, percebeu sua audição diminuir gradualmente, até chegar à perda profunda, ponto em que os aparelhos auditivos convencionais não conseguem ser suficientes. A solução foi a instalação de um implante coclear, que resultou em um registro emocionante: o momento em que ouviu a si mesma pela primeira vez.
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Mas o que é um implante coclear? "É um dispositivo eletrônico cirurgicamente implantado, indicado para perdas auditivas severas a profundas, nas quais o aparelho convencional não oferece mais um ganho suficiente", explica o otologista Fernando Balsalobre, médico credenciado do Hospital Sírio-Libanês. O dispositivo é formado por um componente interno e outro externo, parecido com um aparelho auditivo comum. A diferença central está no funcionamento, enquanto o aparelho tradicional apenas amplifica o som captado do ambiente, o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo por meio de um feixe de eletrodos inserido na cóclea, convertendo o som em estímulos elétricos que chegam ao cérebro.
A ativação do implante, momento em que o dispositivo começa a transmitir os sons, aconteceu cinco dias após a cirurgia de Ryany. Quando a fonoaudióloga responsável ajustou o volume, ela não reconheceu a própria voz. “Eu fiquei em choque com minha voz. Então, aquele momento foi de muita alegria.”
Esse tipo de ativação precoce, no entanto, não é a regra. De acordo com o Dr. Balsalobre, o procedimento costuma ser feito em torno de 30 dias após a cirurgia. A partir da ativação, começa um processo gradual de ajustes, conduzido pelo médico e pelo fonoaudiólogo. Em pacientes sem outras comorbidades, esse processo de adaptação costuma levar cerca de seis meses.
Para Ryany, essa fase de adaptação foi rápida. Nos primeiros dias, ela já conseguiu pronunciar palavras que não conseguia antes. “Todos os dias a gente se surpreende com algum som. O vento é um som que sopra. Mas o que mais estou gostando nesse momento é da minha própria voz.”
O vídeo do momento da ativação, publicado apenas como recordação, viralizou. Ryany passou a receber inúmeras mensagens e relatos de pessoas emocionadas, e agora quer usar a visibilidade como forma de incentivar outras pessoas com deficiência. ”Meu objetivo é ajudar e incentivar as pessoas a não esconderem a surdez. Por exemplo, a minha voz é diferente, e muita gente pergunta: ‘Ah, você é de qual país? Você é de fora?’ Eu falo que é porque sou surda, a voz muda.”


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