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Jovem de 18 anos escuta sua voz pela primeira vez após implante coclear: 'Novo capítulo da minha vida'

Aos 18 anos, Ryany Soares emocionou milhões ao registrar a primeira ativação do dispositivo apenas cinco dias após a cirurgia

25 set 2026 - 11h10
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Resumo
A jovem Ryany Soares, de 18 anos, emocionou a internet ao ouvir a própria voz pela primeira vez após realizar um implante coclear via SUS. Diagnosticada com perda auditiva congênita aos 3 anos, ela aprendeu a falar por fonoterapia, mas sua audição residual regrediu com o tempo, tornando os aparelhos ineficazes. Operada em Governador Valadares, Ryany agora passa pela fase de mapeamento do dispositivo e adaptação, planejando incentivar outras pessoas surdas e iniciar uma nova etapa em sua vida.

"Isso é minha voz? Mentira." Foi com surpresa (e certa incredulidade) que Ryany Soares, de 18 anos, reagiu ao escutar a própria voz após passar por um implante coclear. O momento, registrado pela família durante a primeira ativação do dispositivo, ganhou as redes sociais e emocionou milhões de pessoas.

Jovem de 18 anos se emociona ao ouvir a própria voz após implante coclear; vídeo da primeira ativação viralizou nas redes sociais
Jovem de 18 anos se emociona ao ouvir a própria voz após implante coclear; vídeo da primeira ativação viralizou nas redes sociais
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

No vídeo, a jovem tenta se acostumar com aquela nova experiência enquanto fala e, ao mesmo tempo, escuta o som que produz. "É muito estranho", comenta, aos risos. Instantes depois, consegue resumir o sentimento diante da novidade: "Tô feliz".

A gravação rapidamente ganhou repercussão na internet. Mas, por trás dos poucos segundos que viralizaram, existe uma trajetória iniciada muitos anos antes e marcada por acompanhamento profissional, diferentes aparelhos auditivos e uma perda progressiva da audição.

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Perda auditiva foi descoberta ainda na infância

Natural de São José do Goiabal, no Leste de Minas Gerais, Ryany recebeu o diagnóstico de perda auditiva congênita aos 3 anos. Inicialmente considerada severa, a condição avançou ao longo dos anos até chegar à surdez profunda.

Aos 5 anos, ela começou a utilizar aparelhos de amplificação sonora e também iniciou o acompanhamento fonoaudiológico. Foi durante esse processo que desenvolveu a comunicação oral, recorrendo não apenas à audição residual, mas também a recursos como leitura labial e percepção das vibrações produzidas durante a fala.

"Na fonoaudiologia, faziam vários exercícios em que colocavam minha mão no pescoço para sentir a vibração das cordas vocais. Também fazia muita leitura labial. A fonoterapia foi o que me permitiu falar, mesmo sem escutar bem", contou, em entrevista à Marie Claire.

Ryany tornou-se, assim, uma pessoa surda oralizada, termo utilizado para se referir a pessoas com deficiência auditiva que desenvolveram a comunicação pela fala.

Aparelhos deixaram de ser suficientes

Com o passar do tempo, porém, a audição residual de Ryany diminuiu. A jovem conta que chegou a trocar de aparelho cinco vezes, buscando dispositivos cada vez mais potentes. Em determinado momento, nem mesmo a maior potência disponível conseguia atender às suas necessidades.

Segundo a maquiadora, a piora passou a interferir em diferentes aspectos de sua rotina, incluindo comunicação e equilíbrio. "O último aparelho já não segurava mais. Começou a afetar tudo: meu raciocínio ficou mais lento, a comunicação regrediu e o meu cérebro perdeu a referência de equilíbrio. Foi uma fase muito difícil."

Diante da progressão da perda auditiva, o implante coclear passou a ser uma alternativa. A família buscou na Justiça a autorização para a realização do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cirurgia aconteceu em Governador Valadares, a aproximadamente 190 quilômetros da cidade onde Ryany vive.

Como funciona o implante coclear?

Diferentemente de aparelhos auditivos convencionais, que amplificam os sons, o implante coclear transforma os sons em sinais elétricos destinados a estimular o nervo auditivo.

Durante a cirurgia, uma parte interna do dispositivo é posicionada sob a pele e eletrodos são inseridos na cóclea, estrutura localizada no ouvido interno. Do lado de fora, um processador capta os sons do ambiente e trabalha em conjunto com o sistema implantado.

No caso de Ryany, o procedimento foi conduzido pelo otorrinolaringologista Emerson Monteiro e durou cerca de uma hora e meia, sob anestesia geral. A jovem permaneceu internada por aproximadamente 24 horas.

De acordo com o médico, o histórico da paciente favoreceu o processo de reabilitação, especialmente porque ela recebeu estímulos auditivos durante boa parte da vida. Além disso, ressalta-se que quanto mais cedo ocorre o acesso aos estímulos sonoros em crianças que nasceram surdas, maiores podem ser as possibilidades de desenvolvimento da linguagem oral.

Um processo que não termina na cirurgia

Embora o vídeo mostre um momento marcante, a ativação do implante representa apenas o começo da adaptação. Ryany realiza consultas periódicas para o chamado mapeamento do dispositivo, quando são feitos ajustes de volume, frequências e outros parâmetros de acordo com a resposta da paciente. Ela também pretende retomar o acompanhamento fonoaudiológico e continuar a terapia psicológica enquanto se adapta à nova fase. 

Em seu Instagram, Ryany definiu a experiência como o início de um novo capítulo. "O dia em que a minha vida ganhou um novo som", escreveu ao compartilhar as imagens da ativação, realizada em 14 de setembro. "Depois de apenas 5 dias da cirurgia do implante coclear, chegou o momento tão esperado: a minha primeira ativação e a oportunidade de ouvir novamente de uma nova forma."

Para a jovem, cada novo ruído agora exige descoberta e reconhecimento. "Cada palavra, voz e descoberta fazem parte de um novo capítulo da minha vida", afirma.

E os planos para essa fase já começaram. Ryany deseja produzir tutoriais de automaquiagem para as redes sociais, aprender inglês e aprofundar seus conhecimentos em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Mais do que compartilhar sua própria experiência, ela também espera encorajar outras pessoas surdas.

"Quero incentivar outras pessoas surdas a buscarem apoio, a não terem medo da surdez e a levarem isso para o mundo. Já passei por muitas dificuldades e efeitos negativos ao longo do caminho, mas a gente nunca desistiu de chegar até aqui. É uma jornada nova e tenho muitas coisas boas para realizar daqui para frente."

Bons Fluidos
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