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Inveja: existe propósito nesse sentimento?

Apesar de muitas pessoas negarem, a inveja é um sentimento comum e não precisa necessariamente ser negativo

3 mar 2026 - 15h12
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Apesar de muitas pessoas negarem, a inveja é um sentimento comum e não precisa necessariamente ser negativo

A inveja é um daqueles sentimentos que ninguém gosta de admitir que sente, mas que todo mundo já experimentou em algum momento da vida. Muitas vezes silenciosa, ela pode se manifestar de maneira sutil ou intensa, gerando comparações, ressentimentos e até conflitos. Mas por que sentimos isso? Será que a inveja é sempre negativa ou pode, de alguma forma, nos impulsionar? Vamos descobrir! 

A inveja tem uma função em nós

Sabrina Amaral, psicóloga especialista em neurociência do comportamento afirma que não, a inveja não é intrinsecamente negativa. "Como qualquer emoção, a inveja tem uma função, um 'trabalho' nas nossas vidas: ela nos sinaliza algo sobre nós mesmos. Se bem compreendida, pode ser um motor para o crescimento pessoal", explica. 

Por exemplo, podemos sentir inveja de algum colega que conseguiu a promoção, e isso pode indicar que também desejamos evoluir na carreira. Até aí, tudo normal. "O problema surge quando a inveja paralisa, gera ressentimento ou nos leva a querer o fracasso do outro", alerta a especialista.

Comparação desigual

E essa paralisação pode acontecer quando utilizamos um parâmetro que não condiz com nossa própria realidade, e que, muitas vezes, nem é tão verdadeira assim.  "Vivemos em um mundo onde somos constantemente incentivados a querer mais - mais sucesso, mais status, mais bens materiais", reflete Sabrina. 

A psicóloga comenta que a sociedade moderna potencializa a inveja porque nos bombardeia com mensagens de que 'ter' é sinônimo de 'ser'. Seja quando o vizinho compra um carro novo, ou uma amiga viaja para um destino paradisíaco… sempre pode surgir a sensação de que estamos ficando para trás. "O consumo se tornou um termômetro de valor pessoal na sociedade moderna, e isso pode transformar a inveja em um ciclo de insatisfação constante", pontua.

Com esse acesso constante à vida dos outros, a inveja se torna mais evidente e, por vezes, ainda mais tóxica. Um estudo da UFRS/BR indicou que 60% dos adolescentes brasileiros que utilizam redes sociais por mais de duas horas diárias relataram baixa autoestima. Esses dados evidenciam a influência significativa das redes sociais na percepção que os indivíduos têm de si mesmos, especialmente entre os jovens.

"Essa overdose de informações alimenta um ciclo de comparação que pode afetar a autoestima e até levar à insatisfação crônica com a própria vida."

Uma resposta a desigualdade?

De acordo com Sabrina Amaral, o sentimento também pode aparecer como uma resposta à desigualdade social. "Em sociedades com grandes disparidades, é comum que as pessoas comparem suas vidas com as de quem tem mais oportunidades e recursos", comenta. Porém, é importante pontuar que a inveja não é necessariamente sobre dinheiro, "mas também está ligada a fatores psicológicos individuais, como autoestima e percepção de capacidade", como afirma a especialista. Sendo assim, duas pessoas na mesma condição social podem sentir (ou não) inveja de maneira diferente, dependendo da forma como enxergam sua trajetória e possibilidades.

É possível usar a inveja a seu favor

A boa notícia? A inveja pode ser uma ferramenta poderosa para o crescimento pessoal - se usada da maneira certa. A psicóloga revela que o segredo para isso é sair da posição de espectador e agir. "Sentiu inveja do colega que conseguiu um aumento? Em vez de se remoer, pergunte-se: o que ele fez para chegar lá? O que eu posso aprender com isso? A chave está em transformar a comparação em inspiração, sem perder de vista a própria jornada", orienta.

"A inveja não precisa ser um peso. Quando usada com consciência, pode ser um convite para olhar para dentro e buscar o que realmente importa para você."

Como lidar

Para ajudar a reconhecer e usar a inveja a seu favor, Sabrina Amaral lista cinco dicas para lidar melhor com o sentimento e transformá-la em algo positivo:

1. Reconheça e aceite o sentimento: Fingir que não sente inveja não resolve o problema. Identifique o que despertou esse sentimento e o que ele revela sobre seus desejos.

2. Use a inveja como bússola: Em vez de se comparar de forma destrutiva, transforme a inveja em motivação. O que a pessoa invejada tem que você gostaria para si? Como você pode trabalhar para conquistar isso?

3. Reforce sua autoestima: Muitas vezes, a inveja nasce da insegurança. Foque nas suas próprias conquistas e habilidades, lembrando-se do seu valor.

4. Mude o foco para a gratidão: Em vez de olhar apenas para o que falta, valorize o que você já tem. Manter um diário de gratidão pode ajudar a mudar a perspectiva.

5. Reduza a exposição a gatilhos: Se as redes sociais alimentam sua comparação excessiva, reduza o tempo de uso ou siga perfis que tragam inspiração realista, em vez de idealizações inalcançáveis.

Revista Malu Revista Malu
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