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FIV tem riscos? O que dizem os especialistas

Médica especialista esclarece que eventos fatais são extremamente raros, mas reforça que nenhum procedimento invasivo é isento de risco

27 fev 2026 - 14h57
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Médica especialista esclarece que eventos fatais envolvendo a FIV são extremamente raros, mas reforça que nenhum procedimento invasivo é isento de risco

A morte da terapeuta de 31 anos após complicações relacionadas a um procedimento de Fertilização in Vitro (FIV) em São Paulo, causou comoção e levantou questionamentos sobre os riscos envolvidos na reprodução assistida.

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Foto: Revista Malu

Embora considere-se a FIV um procedimento seguro e amplamente realizado no mundo todo, como qualquer intervenção médica invasiva, ela não está isenta de riscos, ainda que eventos graves sejam raríssimos.

Paula Fettback, ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, explica que é fundamental abordar casos como esse com responsabilidade técnica, respeito à paciente e clareza científica.

"A Fertilização in Vitro envolve diferentes etapas, cada uma com perfis de risco distintos. A grande maioria dos procedimentos é de baixa complexidade cirúrgica e baixo risco anestésico, mas nenhum procedimento invasivo é completamente isento de complicações", afirma.

Quais são os principais riscos da FIV?

Entre as intercorrências descritas na literatura médica estão:

  • Complicações anestésicas durante a punção folicular, procedimento realizado sob sedação ou anestesia venosa;
  • Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), associada à resposta exagerada aos hormônios utilizados na estimulação;
  • Sangramentos agudos ou infecções pélvicas após a coleta de óvulos;
  • Eventos tromboembólicos, especialmente em pacientes com fatores de risco prévios.

Segundo a especialista, a ocorrência de eventos fatais em reprodução assistida é estatisticamente excepcional.

"Estamos falando de um evento extremamente raro, mas que se insere dentro do risco inerente à prática médica. A medicina trabalha com redução de risco, nunca com risco zero", destaca.

O que reduz complicações?

A segurança em reprodução humana depende de protocolos rigorosos em todas as etapas do tratamento. No pré-operatório, deve-se realizar avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais atualizados, estratificação de risco anestésico (classificação ASA), avaliação de risco tromboembólico e consentimento informado completo.

Durante o procedimento, deve-se seguir protocolos como monitorização contínua da paciente, presença obrigatória de anestesista habilitado, equipamentos de emergência testados e checklist de segurança cirúrgica no modelo da OMS.

Já no pós-operatório, é essencial monitorização em sala de recuperação até critérios clínicos seguros de alta, orientações claras sobre sinais de alerta e canal de comunicação ativo para intercorrências tardias.

"A segurança é resultado de protocolo, treinamento contínuo da equipe e capacidade de resposta rápida a eventos inesperados", explica.

Monitoramento integrado faz diferença

A especialista também ressalta que a reprodução assistida deve ser conduzida de forma multidisciplinar, considerando não apenas o aspecto ginecológico.

Estado metabólico, função tireoidiana, risco cardiovascular, perfil inflamatório e trombofílico preciam de avaliação atenta. Além disso, o impacto emocional do tratamento não pode ser negligenciado.

"Pacientes em tratamento de fertilidade vivenciam alto nível de estresse. Um modelo multidisciplinar aumenta a previsibilidade clínica e a segurança global do processo", pontua.

Outro ponto central é o entendimento dos riscos pela paciente.

"O consentimento informado não deve ser apenas um documento formal. Ele precisa ser um processo educativo. A paciente deve compreender que a FIV é segura, mas que sedação e anestesia, mesmo rotineiras, possuem riscos inerentes", afirma.

Para a médica, transparência técnica aliada à empatia fortalece a relação médico-paciente e permite decisões mais conscientes.

Paula Fettback também manifestou solidariedade à família da paciente.

"É uma situação profundamente delicada. Casos como esse reforçam a importância de protocolos rigorosos e de uma comunicação clara sobre riscos, mesmo quando estatisticamente raros."

Revista Malu Revista Malu
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