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Exercício pode reduzir risco de câncer de próstata e ajudar no tratamento, dizem especialistas

Pesquisa com mais de 57 mil homens relacionou melhora do condicionamento cardiorrespiratório a menor incidência da doença

5 nov 2026 - 12h37
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Resumo
Estudos indicam que o exercício físico ajuda a combater o câncer de próstata. A melhora na aptidão cardiorrespiratória foi associada a um risco 35% menor de ter a doença, enquanto pacientes ativos apresentaram até 38% menos mortalidade específica. Os músculos agem liberando miocinas anti-inflamatórias, e o treino durante o tratamento alivia a fadiga e mantém a força. Especialistas alertam, contudo, que a atividade física complementa a saúde, mas não substitui exames e o acompanhamento médico.

A prática de exercícios já é conhecida pelos benefícios ao coração, aos músculos e à qualidade de vida. Agora, pesquisas também ajudam a entender como o condicionamento físico pode ajudar no combate ao câncer de próstata, tanto antes do diagnóstico quanto durante o tratamento.

Estudos sobre câncer de próstata também apontam benefícios da atividade física para força, fadiga e funcionalidade durante o tratamento
Estudos sobre câncer de próstata também apontam benefícios da atividade física para força, fadiga e funcionalidade durante o tratamento
Foto: Ivan S/Pexels / Bons Fluidos

A discussão ganha ainda mais relevância no Novembro Azul. Entre 2026 e 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos da doença por ano no Brasil, o equivalente a cerca de 30,5% dos novos diagnósticos de câncer entre homens quando os tumores de pele não melanoma são excluídos.

Câncer de próstata e exercício: o que os estudos apontam?

Para encontrar formas de deter o avanço da doença, pesquisadores analisaram dados de 57.652 homens suecos. Eles focaram em analisar a relação entre mudanças no condicionamento cardiorrespiratório e o câncer de próstata. Ao longo do acompanhamento, 592 participantes desenvolveram a doença.

Entre os homens que aumentaram a aptidão cardiorrespiratória em mais de 3%, houve associação com risco 35% menor de desenvolver câncer de próstata na comparação com aqueles cuja capacidade física diminuiu. Entretant, o estudo, publicado no British Journal of Sports Medicine, não encontrou relação significativa com a mortalidade pela doença.

"O que sabemos é que melhorar o condicionamento traz benefícios importantes para a saúde e que há uma relação entre melhores níveis de aptidão e menor risco de alguns desfechos relacionados ao câncer, incluindo o de próstata. Treinar é uma estratégia de fortalecimento do organismo, mas não substitui consulta, avaliação ou exames médicos", explica o personal trainer e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo.

Outra revisão, publicada na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, reuniu pesquisas sobre atividade física entre pessoas com câncer. Nos estudos envolvendo homens com câncer de próstata, os grupos mais ativos apresentaram associação com redução de até 49% no risco de mortalidade geral e de 38% na mortalidade específica pela doença em comparação aos menos ativos.

Os resultados, contudo, são observacionais. Isso significa que não permitem afirmar que o exercício, isoladamente, determine a evolução do câncer. "Quando falamos sobre atividade física e câncer, precisamos ter responsabilidade para não transformar uma associação científica em promessa de prevenção", reforça o especialista.

Como o músculo pode participar desse processo?

Uma das hipóteses estudadas passa pela atuação do próprio tecido muscular no organismo. Durante a contração, os músculos liberam substâncias chamadas miocinas, envolvidas na comunicação com outros órgãos e em processos metabólicos e inflamatórios.

"É por isso que hoje entendemos a musculatura como um órgão endócrino. A prática regular de exercícios contribui para melhorar o ambiente metabólico e a regulação de processos inflamatórios, embora ainda existam pesquisas em andamento para compreender todos esses mecanismos e sua relação com os diferentes tipos de câncer", explica Anselmo.

Além desse mecanismo ainda em investigação, a atividade física contribui para preservar massa muscular, capacidade cardiorrespiratória e controle do peso, aspectos importantes para a saúde de maneira geral.

Atividade física durante o tratamento

Ademais, no caso das pessoas que já convivem com a doença, as atividades físicas também são recomendadas. Diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) inicam exercícios aeróbicos e de força quando houver indicação clínica para pessoas em tratamento oncológico. A prática pode ajudar na redução da fadiga e na preservação da força, do condicionamento cardiorrespiratório e da funcionalidade.

Esses efeitos ganham importância porque tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem comprometer a disposição e a autonomia para tarefas cotidianas. A prescrição, porém, precisa respeitar as condições de cada paciente. Tipo de câncer, etapa do tratamento, efeitos colaterais, dores e limitações funcionais devem entrar no planejamento, sempre em diálogo com a equipe de saúde.

"O homem que treina, se alimenta bem e mantém bons indicadores de condicionamento também precisa cuidar da saúde de forma completa. Não podemos confundir qualidade de vida com imunidade a doenças. A atividade física é uma ferramenta importante, mas não substitui os exames, a consulta com o especialista ou o diagnóstico precoce. O melhor caminho é combinar movimento, hábitos saudáveis e acompanhamento profissional", conclui Jauan Anselmo.

Bons Fluidos
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