Excesso de telas e redes sociais causam adoecimento mental
Excesso de redes sociais pode afetar diretamente sua saúde mental: saiba 5 efeitos negativos do uso exagerado das telas
O uso excessivo de celulares e redes sociais afeta negativamente a saúde mental ao provocar ansiedade, comparações irreais, perda de foco, piora no sono e dependência do meio digital. Segundo a neuropsicóloga Leninha Wagner, o dano reside na intensidade e frequência dessa exposição, e não na tecnologia em si. O equilíbrio emocional exige um uso mais consciente, evitando que as telas prejudiquem o descanso, os estudos, o trabalho e a convivência presencial.
As redes sociais transformaram a maneira como as pessoas se comunicam, consomem informação e acompanham acontecimentos, de acordo com dados do IBGE, 167,4 milhões de pessoas com mais de 10 anos têm um celular de uso pessoal. Mas apesar de todos os benefícios, o uso excessivo também pode interferir em aspectos importantes do funcionamento psicológico, principalmente quando passa a ocupar grande parte do tempo e da atenção.
A exposição contínua a notificações, conteúdos, comparações e estímulos rápidos pode contribuir para alterações no humor, na atenção e na forma como a pessoa percebe a própria rotina.
De acordo com a neuropsicóloga Leninha Wagner, esses efeitos podem aparecer mesmo dentro de um curto prazo período de exposição.
"Quando o uso das redes sociais deixa de ser pontual e passa a ocupar constantemente a atenção, podemos observar impactos importantes sobre a saúde mental. O problema está principalmente no excesso e na forma como essa exposição acontece", explica.
5 efeitos negativos do excesso de redes sociais na saúde mental:
1. Aumento da ansiedade
A necessidade de acompanhar mensagens, notícias, atualizações e interações pode manter a pessoa em um estado de atenção constante. "Quando a pessoa sente que precisa verificar constantemente o celular para saber o que está acontecendo, essa necessidade pode se transformar em uma fonte permanente de tensão", destaca a Dra. Leninha Wagner.
2. Mais comparação com outras pessoas
As redes sociais apresentam, em grande parte, recortes da vida dos usuários. Viagens, conquistas profissionais, relacionamentos, aparência e momentos de lazer aparecem frequentemente de maneira selecionada e editada. "A comparação frequente contribui para sentimentos de inadequação, frustração e insatisfação, especialmente quando a pessoa interpreta as experiências apresentadas nas redes como representação completa da realidade".
3. Prejuízos à atenção e ao foco
A sucessão rápida de vídeos, mensagens, notificações e diferentes conteúdos pode estimular a alternância constante da atenção. Em vez de permanecer concentrado em uma única atividade, o usuário pode desenvolver o hábito de interromper o que está fazendo para verificar novos estímulos. "Nosso cérebro precisa de momentos de concentração e também de descanso. A exposição contínua a estímulos pode dificultar essa alternância saudável e favorecer uma atenção mais fragmentada", pontua a neuropsicóloga.
4. Alterações no sono
Outro ponto de atenção é o uso das redes sociais próximo ao horário de dormir. Além da exposição à luz das telas, o próprio conteúdo consumido pode manter o cérebro em estado de alerta. "A redução ou piora da qualidade do sono, por sua vez, pode afetar disposição, concentração e regulação emocional no dia seguinte, criando um ciclo no qual o cansaço também prejudica o funcionamento durante o dia", alerta a Dra. Leninha Wagner.
5. Maior dificuldade de desconectar
Quando o acesso às redes se torna automático, pode surgir dificuldade para permanecer alguns períodos sem verificar o celular. A pessoa pode pegar o aparelho sem uma necessidade específica, abrir aplicativos repetidamente ou sentir desconforto ao ficar distante das atualizações. "Um dos sinais de que é preciso rever a relação com as redes é quando o indivíduo percebe que não consegue se afastar delas mesmo quando gostaria. A tecnologia deveria estar a serviço da pessoa, e não determinar constantemente onde sua atenção será colocada", afirma.
O problema está no excesso, não necessariamente nas redes
Não devemos enxergar as redes sociais como exclusivamente prejudiciais. Elas também podem facilitar comunicação, acesso à informação, entretenimento e manutenção de vínculos.
A questão está na intensidade, na frequência e na maneira como se utilizada. Quando o uso começa a substituir sono, convivência presencial, atividade física, estudo, trabalho ou momentos de descanso, é importante observar essa relação com mais cuidado. "O objetivo não precisa ser abandonar as redes sociais, mas desenvolver uma relação mais consciente com elas. Ter a capacidade de escolher quando entrar, quanto tempo permanecer e quando se desconectar também faz parte do cuidado com a saúde mental", conclui Dra. Leninha Wagner.
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