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EUA aprovam novo tratamento para perda muscular; entenda como funciona

Medicamento foi liberado para adultos e crianças a partir de 2 anos que já utilizam terapias direcionadas à atrofia muscular espinhal (AME)

18 set 2026 - 13h09
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Resumo
A FDA aprovou nos EUA o Isembyld (apitegromab), primeiro tratamento complementar voltado diretamente aos músculos para atrofia muscular espinhal em pacientes a partir de 2 anos. Administrado via infusão mensal, o fármaco inibe a miostatina para melhorar a função motora sem substituir as terapias gênicas de base. Estudos apontam riscos como infecções e fraturas, enquanto pesquisas em andamento avaliam, ainda sem aval oficial, seu potencial para preservar massa magra durante a perda de peso.

Os Estados Unidos aprovaram um novo tratamento voltado à perda muscular provocada pela atrofia muscular espinhal (AME). A doença genética rara causa fraqueza progressiva e pode comprometer movimentos, respiração e deglutição.

Terapia contra perda muscular oferece uma nova abordagem para pacientes com atrofia muscular espinhal que já realizam outras intervenções
Terapia contra perda muscular oferece uma nova abordagem para pacientes com atrofia muscular espinhal que já realizam outras intervenções
Foto: Canva Equipes/Alma Grigorita's Images / Bons Fluidos

A FDA, agência reguladora de medicamentos do país, autorizou o Isembyld, nome comercial do apitegromab, para adultos e crianças a partir dos 2 anos. A indicação vale para pacientes que já recebem terapias direcionadas ao gene SMN2, utilizadas no tratamento da doença.

Como a droga combate a perda muscular?

A novidade está no alvo da terapia. Isso porque tratamentos já disponíveis para AME atuam principalmente sobre mecanismos relacionados à proteína SMN, essencial para a sobrevivência dos neurônios motores. O Isembyld, no entanto, direciona sua ação à musculatura.

O medicamento impede a ativação da miostatina, proteína responsável por limitar o crescimento muscular. Dessa forma, a proposta é melhorar a função dos músculos enquanto o paciente mantém a terapia de base indicada para a AME.

Isso significa que o novo tratamento não substitui os medicamentos já utilizados. Ele entra como uma opção complementar justamente porque algumas pessoas continuam enfrentando limitações motoras mesmo após os avanços conquistados com as terapias existentes.

Estudo avaliou 188 pacientes

A aprovação teve como base um estudo de fase 3 que acompanhou 188 pessoas entre 2 e 21 anos. Todos os participantes já utilizavam um tratamento direcionado ao SMN2 antes de receber o medicamento experimental ou placebo.

Após cerca de um ano, o grupo que recebeu a dose aprovada do Isembyld apresentou resultados melhores na função motora em comparação com quem recebeu placebo. O medicamento é administrado por infusão intravenosa a cada quatro semanas.

A autorização representa também a primeira aprovação de uma terapia direcionada diretamente aos músculos para pacientes com AME, segundo a 'Reuters'. Entre as reações registradas durante os estudos, contudo, estão infecções do trato respiratório superior, vômitos, infecções virais, tosse e dor de cabeça.

Ademais, a bula chama atenção para um possível aumento no risco de fraturas, inclusive casos graves. Por isso, a indicação e o acompanhamento precisam ficar sob responsabilidade da equipe médica que acompanha o paciente.

Uso durante emagrecimento está em estudo

O apitegromab ainda despertou interesse por seu potencial de preservar massa muscular durante a perda de peso. Em um estudo de fase 2, pesquisadores avaliaram o medicamento em combinação com a tirzepatida em adultos com sobrepeso ou obesidade.

A perda total de peso ficou semelhante entre os grupos. Entretanto, quem recebeu apitegromab perdeu menos massa magra, resultado que levou a farmacêutica a continuar investigando essa possível aplicação.

Esse uso ainda não tem aprovação. Ao 'O Globo', o endocrinologista Ramon Marcelino reforçou, portanto, a necessidade de cautela: "Não há, neste momento, nenhuma indicação aprovada de inibidores de miostatina para obesidade, e o uso fora da bula, sem estudos que comprovem segurança, não é recomendado."

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Um post compartilhado por Aline Colatino| Médica (@draalinecolatino)

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