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Estudo reforça segurança da lipoaspiração para lipedema

Levantamento mostrou fatores associados ao seroma pós-operatório

2 jun 2026 - 15h03
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Mais de 60% das pacientes reportam histórico familiar da doença

Um artigo científico publicado na Aesthetic Plastic Surgery, avaliando 93 casos de cirurgia de lipoaspiração para lipedema, demonstrou que o procedimento, quando realizado em ambiente clínico controlado por equipe cirúrgica experiente, é seguro, eficaz e associado a baixa incidência de complicações. O lipedema é uma condição crônica que afeta de 11% a 17% das mulheres adultas e se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura nos membros, dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas. 

Foto: Revista Malu

O levantamento identificou que o seroma pós-operatório — acúmulo de líquido em tecido subcutâneo — ocorreu em 18,3% das pacientes. "O seroma apareceu como a complicação mais comum, mas na maioria das vezes é manejável e não compromete os benefícios cirúrgicos", afirma o cirurgião plástico Fernando Amato, um dos autores responsáveis pelo estudo.

Os benefícios da lipoaspiração no lipedema

De acordo com o artigo, volumes maiores de gordura aspirada em relação ao peso corporal e a realização de procedimentos concomitantes estiveram associados a um aumento na incidência de seroma. A média do volume aspirado entre os pacientes foi de 4,5 litros — um número expressivo que, embora não deva ser tomado como rotina para outros serviços, chama atenção pelos resultados obtidos.  

"Cerca de 76% dos pacientes foram submetidos ao procedimento sob anestesia local com sedação. E todos os casos aconteceram em regime de hospital-dia", conta Fernando.  

O dado ganha ainda mais relevância ao considerar que a abordagem permitiu boa recuperação dos pacientes, sem registro de complicações como trombose. "A realização em ambiente de hospital-dia reforça a segurança e a eficácia da estratégia adotada, demonstrando que é possível aliar volume significativo de aspiração a cuidados minimamente invasivos e alta precoce", detalha o especialista. 

O tratamento conservador prévio, frequentemente utilizado como primeira linha de manejo do lipedema, não apresentou impacto significativo na incidência de seroma entre as pacientes que posteriormente passaram pela cirurgia. Ainda assim, permanece como parte essencial do cuidado integral, auxiliando no controle dos sintomas e na preparação para o procedimento. 

Cada caso é único

Os autores destacam o acompanhamento clínico contínuo como peça-chave para a detecção precoce e o tratamento adequado de eventuais complicações.

"É fundamental compreender que cada paciente com lipedema apresenta características próprias. Por isso, a decisão cirúrgica deve ser individualizada, considerando fatores como volume a ser aspirado, possíveis procedimentos associados e condições clínicas específicas", complementa Amato. 

Ele ressalta ainda a importância de novos estudos. "Precisamos de pesquisas prospectivas e randomizadas para aprofundar esses achados e aprimorar protocolos baseados em evidências, garantindo ainda mais segurança e previsibilidade para as pacientes." 

Revista Malu Revista Malu
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