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Estudo de Harvard revela impacto positivo da espiritualidade na saúde

Resultados de pesquisas recentes revelaram associações consistentes entre espiritualidade e menores índices de depressão, suicídio, abuso de substâncias, sofrimento emocional e desesperança

23 jun 2026 - 15h12
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Resumo
Estudo da Universidade de Harvard reforça que a espiritualidade pode melhorar a saúde física, emocional e comportamental. Associada a menor depressão e mais resiliência, ela atua como um eixo integrador para o bem-estar. Especialistas defendem que compreender o propósito de vida e conexões humanas é essencial no cuidado clínico. 🌟

Evidências científicas dos impactos da espiritualidade: o que a ciência tem a dizer sobre o tema em relação à saúde?

De acordo com um estudo de revisão liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública TH Chan de Harvard e do Hospital Brigham and Women's, ambos nos Estados Unidos, a espiritualidade deve ser incorporada aos cuidados tanto para doenças graves quanto para a saúde em geral.

Foto: Revista Malu

Dados em saúde inclusive demonstram o aumento crescente das questões psicoemocionais, como estresse crônico, depressão, Burnout, ansiedade. Com aumento inclusive de afastamentos do trabalho por questões de saúde mental, algo em torno de 546 mil afastamentos do trabalho por problemas emocionais. Um aumento de cerca de 15% em relação a 2024, segundo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). "Na clínica, desenvolvi um método de anamnese que engloba todas as áreas da vida. Perspectivas e padrões de saúde e bem-estar, não somente a ausência de doenças. E percebo que a melhor evolução do paciente está intrinsicamente conectada a questão fundamental: o que dá sentido aquela existência? Qual o senso de propósito para seguir, mesmo diante de um trauma, uma questão de saúde crônica ou dor? O que faz uma pessoa encontrar sentido para continuar vivendo, mesmo diante da dor?", questiona a terapeuta integrativa, Jhenevieve Cruvinel.

Espiritualidade e saúde

Em 2022, pesquisadores da Harvard Medical School, Harvard T.H. Chan School of Public Health e Brigham and Women's Hospital publicaram na revista JAMA uma das maiores revisões científicas já realizadas sobre espiritualidade e saúde. O estudo analisa a espiritualidade e a relação ao significado de propósito, conexão, valores ou transcendência. E após revisar milhares de estudos anteriores validados, os autores concluíram que a espiritualidade está associada a melhores desfechos em múltiplas dimensões da saúde humana.

Os benefícios observados não se relacionam à prática religiosa. E esse é um aspecto importante a ser trazido à tona, uma vez que culturalmente o Brasil traz uma multiplicidade de religiões, crenças e valores que devem ser respeitados em sua característica e função. Mas que não são objeto de estudo do ponto de vista da saúde humana. "Na verdade, o que se adota é uma visão de cuidado em saúde centrada no individuo. Os pesquisadores adotaram uma definição mais ampla de espiritualidade: a busca por significado, propósito, conexão, valor e transcendência", comenta Jhenevieve.

Os resultados revelaram associações consistentes entre espiritualidade e menores índices de depressão, suicídio, abuso de substâncias, sofrimento emocional e desesperança. Também foram observadas relações positivas com qualidade de vida, resiliência, capacidade de enfrentamento das adversidades e até maior longevidade. A espiritualidade aparece em diversos estudos como um aspecto fundamental e intrínseca, com evidências de que possa influenciar fatores humanos fundamentais e que impactam diretamente a saúde física, emocional e comportamental do individuo.

A humanidade está esquecida

O cuidado moderno em saúde aprendeu a ler marcadores, analisar dados e atividade fisiológica. Mas negligenciou uma questão fundamental no cuidado, a humanidade e a complexidade psicoemocional que envolve a vida humana.

"A espiritualidade na minha percepção como uma profissional em saúde é um âmbito humano fundamental ao cuidado. E ampliar a percepção sobre ter o potencial de proporcionar um suporte mais efetivo ao paciente. Pacientes que tem a espiritualidade como um valor individual respondem com mais otimismo ao tratamento e cuidado, têm melhores índices de conexão humana e uma visão de mundo mais positiva. A espiritualidade na minha visão, parece atuar como um organizador interno da experiência humana", comenta a mentora.

Sob a perspectiva neurobiológica, práticas meditativas, contemplativas e espirituais vêm sendo associadas à modulação dos sistemas relacionados ao estresse, à regulação emocional e à redução de processos inflamatórios crônicos. Já pela perspectiva psicológica, favorecem esperança, coerência interna e senso de propósito. Do olhar social, fortalecem pertencimento, vínculos e suporte emocional. "A espiritualidade não surge como um elemento separado da saúde e não é vista do ponto de vista milagroso, religioso, ritualístico ou capaz de sanar todas as mazelas humanas. Mas, é fundamental como uma dimensão integradora capaz de influenciar pensamentos, emoções, comportamentos e relações. Quando falamos da integração da espiritualidade na prática clínica, isso não significa promover crenças religiosas. Mas reconhecer que seres humanos são seres que possuem diversos âmbitos em sua formação e saúde e que não adoecem apenas no corpo", frisa a especialista.

Cuidado integral

"A realidade é que pessoas adoecem também, em sua história, em seus vínculos, em seus significados. E, muitas vezes, em sua relação consigo mesmos e o ambiente. Que, até mesmo comportamentos adoecidos em relação a alimentação, ao autocuidado e a prática de atividade física estão intrinsicamente conectados a outros âmbitos e valores, dentre eles, a espiritualidade", comenta ela.

A questão fundamental para os profissionais de saúde é como podemos cuidar verdadeiramente de uma pessoa e promover uma construção de hábitos que sustente realmente a saúde? "Nesse contexto vejo como fundamental incentivar a continuidade e a expansão das pesquisas sobre espiritualidade e saúde, ainda há muito a aprofundar na compreensão dos mecanismos fisiológicos, psicoemocionais e sociais e existenciais envolvidos na prática da espiritualidade em relação a sintomatologia e evolução da saúde humana", opina.

Revista Malu Revista Malu
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