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Do filho idealizado ao filho real: por que a parentalidade também exige aprender a deixar partir

Psicóloga explica como expectativas, sonhos e projeções dos pais podem influenciar a relação com os filhos e por que a autonomia é fundamental para o desenvolvimento emocional

7 out 2026 - 10h30
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Resumo
Antes do nascimento, os pais projetam no bebê seus sonhos e frustrações, criando um filho idealizado. Sob a ótica psicanalítica, o grande desafio da parentalidade reside em renunciar a essas expectativas para acolher o filho real, que surge com identidade, limites e desejos próprios. Ser pai e mãe exige esse desapego contínuo, compreendendo que a criança é um sujeito singular e autônomo, e não uma extensão projetada para realizar os desejos não concretizados de seus criadores.
Foto/ Shutterstock
Foto/ Shutterstock
Foto: Minha Vida

Quando um casal decide ter um filho, nasce também um desejo. Mas, antes de existir o filho real, existe o filho imaginado.

É nesse espaço psíquico que os pais começam a construir fantasias, expectativas, sonhos e projeções sobre quem esse bebê será.

Ainda durante a gestação, o filho passa a ocupar um lugar no inconsciente dos pais. Ele é investido de significados, esperanças, reparações e, muitas vezes, daquilo que os próprios pais não puderam realizar em suas histórias.

Sob a perspectiva psicanalítica, esse processo é natural e faz parte da constituição do vínculo. No entanto, o grande desafio da parentalidade acontece quando o bebê deixa de ser apenas imaginário e se apresenta como um sujeito singular.

O filho real nem sempre corresponde ao filho idealizado. Ele possui desejos próprios, características únicas, limites e potencialidades que escapam às expectativas parentais.

O filho real não é o filho idealizado

Tornar-se pai e mãe implica, portanto, realizar um trabalho psíquico de renúncia: abrir mão do filho ideal para acolher o filho possível.

Isso significa reconhecer que a criança não veio ao mundo para reparar frustrações, realizar sonhos interrompidos ou confirmar expectativas dos pais. Ela é um sujeito com uma história própria, que precisará construir sua identidade para além dos desejos daqueles que lhe deram a vida.

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