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Dia Mundial do Doador de Medula Óssea: veja como um cadastro pode salvar vidas

Brasil reúne milhões de voluntários cadastrados, mas encontrar alguém compatível ainda é um desafio; entenda os requisitos e como acontece o procedimento

18 set 2026 - 20h09
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Resumo
No Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, destaca-se a urgência de ampliar e manter atualizados os cadastros no REDOME, que reúne 5,9 milhões de voluntários no Brasil. Como achar doadores compatíveis para tratar doenças graves como leucemia é raro, a desatualização de dados em um terço dos registros atrasa transplantes vitais. Jovens de 18 a 35 anos saudáveis podem se inscrever em hemocentros para doar até os 60 anos, em procedimento seguro na bacia ou no sangue, sem afetar a coluna espinhal.

Para quem aguarda um transplante de medula óssea, encontrar uma pessoa compatível pode representar uma nova possibilidade de tratamento - e, em alguns casos, de cura. O problema é que essa combinação não é simples. Por isso, ampliar o número de voluntários cadastrados e, principalmente, conseguir localizá-los quando surge uma compatibilidade são etapas fundamentais.

No Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, entenda quem pode se cadastrar, como funciona a compatibilidade e quais são as etapas da doação
No Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, entenda quem pode se cadastrar, como funciona a compatibilidade e quais são as etapas da doação
Foto: Reprodução: atlasstudio / Bons Fluidos

O tema ganha destaque neste sábado, 19 de setembro, quando é celebrado, em 2026, o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea. A data ocorre anualmente no terceiro sábado de setembro e busca conscientizar a população, reconhecer aqueles que já se disponibilizaram a doar e reforçar a importância da cooperação internacional para os transplantes.

Brasil tem milhões de voluntários cadastrados

O país ocupa uma posição de destaque nesse cenário. Segundo dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), são cerca de 5,9 milhões de pessoas cadastradas. Isso coloca o Brasil entre os maiores registros de doadores do mundo.

Ter milhões de nomes no sistema, entretanto, não significa que todos os potenciais doadores poderão ser encontrados quando forem necessários. Um dos obstáculos está justamente na atualização das informações pessoais.

De acordo com o REDOME, aproximadamente um em cada três cadastros apresenta algum dado incorreto. Mudanças não confirmadas de telefone, endereço ou e-mail podem dificultar o contato justamente quando um voluntário é identificado como possível doador para um paciente.

Por isso, quem já faz parte do registro tem uma responsabilidade tão importante quanto realizar o cadastro inicialmente: manter as informações de contato atualizadas.

Por que é tão difícil encontrar uma pessoa compatível?

A medula óssea é um tecido encontrado no interior dos ossos e desempenha um papel essencial na produção das células do sangue. Quando determinadas doenças comprometem seu funcionamento, o transplante de células-tronco hematopoiéticas pode fazer parte do tratamento.

"A medula óssea doada servirá para o transplante de medula óssea, também chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas, que é um tratamento que objetiva substituir uma medula óssea doente por uma saudável, a fim de restabelecer a produção normal das células sanguíneas e contribuir para a cura de diversas doenças", explica a hematologista Jackeline Felix, do Hospital Anchieta, ao Ministério da Saúde.

Entre as condições que podem levar à indicação de transplante estão alguns tipos de leucemia e linfoma, além de mieloma múltiplo, aplasia de medula, síndromes mielodisplásicas, imunodeficiências e determinadas doenças hereditárias do sangue.

O desafio é encontrar alguém geneticamente compatível. Quando não existe um doador adequado na família, a busca passa pelos registros de voluntários. Como as características necessárias para essa combinação são específicas, aumentar a diversidade e a quantidade de pessoas cadastradas amplia as possibilidades de encontrar um doador.

"A espera dos pacientes por um doador compatível costuma durar meses, portanto, um maior número de doadores é essencial para ampliar as possibilidades de compatibilidade e acelerar o procedimento de doação", acrescenta Jackeline.

Quem pode se cadastrar para doar medula óssea?

No Brasil, pessoas entre 18 e 35 anos que estejam em boas condições de saúde podem realizar o cadastro no REDOME. Algumas condições podem impedir o cadastro ou precisam ser avaliadas individualmente. Entre elas estão determinadas doenças infecciosas, hematológicas, imunológicas e neoplasias. Por isso, o candidato passa por uma avaliação de acordo com os critérios estabelecidos para a doação.

Quem atende aos requisitos pode procurar um hemocentro habilitado e realizar o cadastro. Coleta-se uma pequena amostra de sangue para identificar características genéticas importantes que determinam uma possível compatibilidade.

Uma vez incluída no REDOME dentro da idade permitida, a pessoa permanece disponível no registro e pode ser selecionada para uma doação até os 60 anos.

O que acontece depois do cadastro?

O primeiro passo após a coleta é a chamada tipagem HLA, exame utilizado para identificar características genéticas relacionadas à compatibilidade entre doador e receptor. Já o paciente que precisa de transplante, cadastra-se no REREME (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea) e o sistema procura por um doador compatível. A partir daí, o voluntário não precisa realizar doações periódicas. Seu perfil permanece no banco de dados e pode comparar-se com o de pacientes que necessitam do transplante.

Isso significa que o chamado pode surgir algum tempo depois - ou talvez nunca aconteça. Caso encontrada uma possível compatibilidade, procuram o voluntário para novos exames, que confirmam se ele realmente pode ser o doador daquele paciente. É justamente nesse momento que ter telefone, e-mail e endereço atualizados faz tanta diferença.

Como coletam a medula óssea?

Caso confirmada a compatibilidade e aptidão da pessoa, existem diferentes formas de obter as células necessárias para o transplante. A escolha depende de critérios médicos relacionados ao doador e ao paciente. Uma delas é a coleta diretamente da medula óssea, realizada por meio de punções nos ossos da bacia. O procedimento acontece em ambiente hospitalar e sob anestesia.

Outra possibilidade é a coleta pelo sangue periférico, utilizando uma máquina de aférese. Nesse método, o doador recebe previamente uma medicação para estimular a mobilização das células-tronco hematopoiéticas para a circulação sanguínea. O sangue passa pelo equipamento, que separa as células necessárias, enquanto os demais componentes retornam ao organismo. A equipe responsável pelo transplante define qual será o método mais adequado.

E o que acontece com o material doado?

Depois da coleta, começa uma etapa decisiva para quem está recebendo o transplante. Diferentemente do que algumas pessoas podem imaginar, a medula não se implanta por meio de uma cirurgia diretamente nos ossos do receptor.

As células administram-se pela veia, de maneira semelhante ao que ocorre em uma transfusão. "Por meio da circulação, essas células chegarão até o interior dos ossos produtores de medula óssea, onde espera-se que se multipliquem e formem uma nova medula óssea", explica Jackeline Felix.

A expectativa é que essas células se estabeleçam no organismo e passem gradualmente a participar da formação de novas células sanguíneas.

Doação de medula não envolve a medula espinhal

Um dos receios que ainda cercam o assunto relaciona-se à ideia de que a coleta ocorre na coluna e poderia provocar paralisia. A confusão acontece principalmente pela semelhança entre os termos medula óssea e medula espinhal - mas são estruturas diferentes.

A medula óssea utilizada no transplante fica no interior dos ossos. Quando a coleta ocorre diretamente nela, as punções ocorrem na região da bacia, e não na medula espinhal. Informação correta, portanto, também é uma ferramenta importante para ampliar o número de voluntários.

Cadastrar-se é apenas o primeiro passo

A doação de medula óssea tem uma particularidade: entre o momento em que alguém decide se cadastrar e aquele em que efetivamente pode ajudar um paciente, podem se passar anos.

Por isso, o compromisso não termina ao sair do hemocentro. Mantenha os dados atualizados e esteja disponível para responder ao chamado caso identifiquem uma compatibilidade.

Para quem está esperando, aquele cadastro feito há muito tempo pode se tornar justamente a combinação que faltava. E é esse o principal lembrete do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea: quanto mais voluntários disponíveis e localizáveis nos registros, maiores são as possibilidades de encontrar compatibilidade para pacientes que dependem de um transplante.

Bons Fluidos
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