Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo pode ser útil? Entenda
Método usa manguitos infláveis para reduzir parcialmente o fluxo sanguíneo nas pernas ou nos braços e potencializar ganhos musculares, mas não é indicado para todo mundo
O treino com restrição de fluxo sanguíneo vem ganhando espaço por permitir ganhos musculares sem a necessidade de cargas elevadas na atividade física. Conhecida em inglês como blood flow restriction (BFR), a técnica utiliza manguitos posicionados nos braços ou nas coxas, inflados a uma pressão controlada, para reduzir parcialmente o fluxo de sangue no membro durante o exercício.
"Com o manguito inflado, o retorno venoso fica mais difícil e, em alguns casos, há também uma leve redução da chegada de sangue arterial. Isso, então, cria um ambiente de menor oxigenação e maior estresse metabólico, fazendo com que o músculo trabalhe mais mesmo com cargas leves ou até durante uma simples caminhada", explica o profissional de educação física Brendo Faria Martins, preparador físico do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita.
Riscos do treino e orientações
O estudo também reforça a importância de cuidados rigorosos na prescrição do método, como individualizar a pressão com base na oclusão arterial e começar com intensidades mais baixas. Além disso, é necessário garantir que isso seja feito em um ambiente seguro. Outra indicação é fazer triagem de risco e monitorar sinais como dor intensa, dormência, alteração de cor do membro ou tontura.
Apesar dos efeitos agudos negativos sobre o equilíbrio, os próprios autores levantam a hipótese de que, a longo prazo, o desafio imposto pelo treinamento com restrição de fluxo sanguíneo possa gerar adaptações positivas. "Sessões repetidas podem ajudar a melhorar força e função muscular, o que indiretamente pode reduzir o risco de quedas. Mas força não é sinônimo de equilíbrio. Por isso, é essencial combinar a técnica com treino específico de equilíbrio, coordenação e potência", pondera Martins.
Ademais, os profissionais contraindicam tentar reproduzir a técnica por conta própria. O método é considerado seguro quando feito dentro de um programa bem supervisionado, com ambiente seguro, progressão lenta e pressões mais baixas. "É uma ferramenta promissora, mas que exige dose, contexto e segurança", afirma o especialista do Einstein.
*Texto escrito por Fernanda Bassette, da Agência Einstein