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Tony Ramos reflete sobre comportamento intolerante de personagem em Quem Ama, Cuida: 'Nada a ver comigo'

Ao comentar o personagem Otoniel em Quem Ama, Cuida, Tony Ramos refletiu sobre preconceito, intolerância e a importância da empatia

10 jun 2026 - 10h09
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Nem sempre o preconceito se apresenta de forma explícita. Em muitos casos, ele surge disfarçado de preocupação, tradição ou dificuldade em compreender aquilo que é diferente da nossa própria experiência. E é justamente essa complexidade que a nova novela das nove, Quem Ama, Cuida, tem explorado por meio de um de seus personagens mais desafiadores: Otoniel, interpretado por Tony Ramos.

Tony Ramos falou sobre o avô conservador que interpreta em Quem Ama, Cuida e destacou como a novela abre espaço para discutir preconceito
Tony Ramos falou sobre o avô conservador que interpreta em Quem Ama, Cuida e destacou como a novela abre espaço para discutir preconceito
Foto: Reprodução/YouTube/Globo / Bons Fluidos

Otoniel é um avô amoroso, mas que enfrenta dificuldades para aceitar plenamente a sexualidade do neto, Mau Mau, vivido por João Victor Gonçalves. Em entrevista recente, o ator destacou que não compartilha das visões do personagem, mas reconhece que ele representa uma realidade ainda presente em muitas famílias.

Quando o amor não elimina os preconceitos

Ao comentar a construção de Otoniel, Tony Ramos fez questão de separar sua própria visão de mundo da postura adotada pelo personagem. "Ele não tem nada a ver comigo. O que talvez exista em comum é o olhar para a vida. Eu procuro observar as pessoas sem julgá-las. Já o Otoniel, muitas vezes, impõe a própria verdade", diz, em entrevista à Quem.

A observação chama atenção para uma questão importante: gostar de alguém nem sempre significa compreender ou aceitar completamente quem essa pessoa é. Muitas famílias convivem com esse conflito, especialmente quando valores antigos entram em choque com novas formas de enxergar identidade, afeto e liberdade individual.

O preconceito pode nascer até mesmo do afeto

Um dos aspectos mais interessantes da trama é que Otoniel não rejeita o neto por falta de amor. Pelo contrário. O sentimento existe, mas é atravessado por crenças, dificuldades emocionais e limitações na forma de enxergar o mundo. Para Tony Ramos, essa contradição torna o personagem profundamente humano e abre espaço para uma discussão necessária.

"Ele ama o neto, mas não entende plenamente a alegria e as escolhas dele. O fascinante é que a novela coloca em discussão a intolerância, o preconceito, o pré-julgamento. Isso pode até nascer do afeto, mas continua sendo algo que precisa ser enfrentado e superado", afirmou.

A fala traz uma reflexão importante: boas intenções não anulam os impactos de atitudes preconceituosas. Muitas vezes, é justamente dentro dos vínculos mais próximos que surgem comentários, julgamentos ou comportamentos que acabam gerando sofrimento.

Intolerância não tem idade

Outro ponto levantado pelo ator é a ideia de que a intolerância não pertence exclusivamente às gerações mais velhas. Embora seja comum associar comportamentos conservadores aos idosos, Tony lembra que a dificuldade de lidar com o diferente pode aparecer em qualquer faixa etária.

"Há jovens que também reagem com agressividade e intolerância diante daquilo que não querem compreender. A novela funciona como um alerta para todos nós. Hoje é importante discutir esses temas, e não existe espaço melhor do que uma novela, capítulo após capítulo, para provocar reflexão sobre quem somos e como tratamos o próximo", avaliou.

A observação amplia o debate e nos convida a olhar para além dos estereótipos. Afinal, o preconceito não depende apenas da idade, mas da disposição (ou da falta dela) para ouvir, aprender e revisar convicções.

O papel da empatia nas relações humanas

Ao falar sobre diversidade e convivência, Tony Ramos também trouxe uma reflexão ligada à espiritualidade e aos valores cristãos, frequentemente associados à ideia de acolhimento. 

"Se a maioria das pessoas se declara cristã, é importante lembrar que não existe verdade absoluta. Acima de qualquer verdade está Deus. Cristo foi um homem de tolerância, de afeto e de acolhimento. Você não é obrigado a ser igual ao outro, mas precisa compreender, respeitar e apoiar. Às vezes, a alma fica adormecida porque não quer ouvir", concluiu.

Independentemente das crenças individuais, a fala destaca um princípio essencial para a vida em sociedade: o respeito não exige concordância total, mas pressupõe a capacidade de reconhecer a humanidade do outro.

Histórias que ajudam a ampliar o olhar

Ao abordar temas como preconceito, sexualidade, intolerância e relações familiares, Quem Ama, Cuida mostra como a ficção pode servir como um espelho da realidade. Muitas vezes, acompanhar a trajetória de um personagem permite que o público reflita sobre comportamentos, crenças e atitudes que passam despercebidos no cotidiano.

Mais do que apontar culpados, a novela parece propor uma pergunta simples e poderosa: estamos realmente dispostos a compreender aquilo que é diferente de nós? Em tempos de opiniões cada vez mais polarizadas, talvez essa seja uma das reflexões mais urgentes que podemos fazer.

Bons Fluidos
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