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Skincare infantil: os riscos da nova tendência do TikTok

Especialistas discutem os cuidados necessários para o skincare infantil e a importância de entender os ingredientes para escolher um produto

24 set 2026 - 15h52
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Resumo
A nova tendência do TikTok de skincare entre crianças e pré-adolescentes preocupa especialistas devido ao uso precoce de ácidos e produtos anti-idade. Essa prática inadequada pode causar irritações, dermatites e danificar a barreira cutânea em desenvolvimento. Médicos alertam que a pele jovem necessita apenas de higiene, hidratação e fotoproteção básica, reforçando a importância de os responsáveis analisarem os rótulos e evitarem seguir modismos virtuais que prejudicam a saúde infantil.

Crianças e pré-adolescentes reproduzem rotinas de adultos vistas nas redes

A rotina de skincare vem ganhando um novo público: crianças e pré-adolescentes. Influenciados por vídeos e conteúdos de beleza nas redes sociais, os mais jovens passaram a reproduzir cuidados e sequências de produtos que acompanham na internet. 

Foto: Freepik / Revista Malu

A tendência, porém, já desperta a atenção dos especialistas: a American Academy of Dermatology fez um alerta sobre o uso de ativos como retinol, vitamina C e ácidos nessa faixa etária, enquanto um estudo publicado na Pediatrics analisou vídeos de skincare populares no TikTok e identificou a presença de diferentes produtos e ingredientes nas rotinas compartilhadas.

Séruns, ácidos, máscaras e diferentes etapas de cuidado aparecem cada vez mais cedo nas rotinas compartilhadas nas redes. Mas reproduzir o ritual de um adulto não significa necessariamente oferecer à pele o cuidado que ela precisa. 

O que é permitido no skincare infantil

"A pele infantil tem características próprias e não precisa de uma rotina sofisticada para ser saudável. Em geral, os pilares incluem higiene adequada, hidratação quando necessária e fotoproteção. Eu gosto de reforçar que skincare não deve ser encarado como uma coleção de produtos. Nessa idade, o objetivo não é tratar rugas, estimular colágeno ou fazer 'anti-aging', mas preservar a barreira cutânea e proteger a pele", explica Lara Fileti Arruda, dermatologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu. 

Mais do que saber quais produtos estão em alta, a discussão passa também por entender o que está sendo colocado na pele. Para Marina Miranda, fundadora da Be Clean, aplicativo que permite o escaneamento de produtos e acesso a análises detalhadas sobre seus ingredientes, a popularização dessas rotinas reforça a importância de olhar para os rótulos e não escolher um cosmético apenas pela promessa ou pelo que está viralizando.

"Quando um produto aparece o tempo todo nas redes, é muito fácil olhar para a embalagem, para a promessa ou para a rotina de quem está usando e querer reproduzir aquilo. Mas existe uma etapa antes da compra que é muito importante: entender o que tem naquele produto e se ele realmente faz sentido para aquela pessoa", afirma Marina.

"Quando uma criança reproduz uma rotina de skincare de um adulto, ela pode estar usando produtos formulados para uma necessidade que simplesmente não existe naquela idade. O excesso pode levar à irritação, ressecamento, descamação, dermatite de contato e comprometimento da barreira cutânea. E, em alguns casos, quanto mais produtos são usados, mais difícil fica identificar qual deles provocou a reação", alerta Lara.

Cuidado com os ingredientes

Segundo Marina, o problema é que os rótulos ainda podem ser difíceis de compreender para quem não está familiarizado com os nomes dos componentes. "A lista de ingredientes não deveria ser uma barreira. O consumidor precisa conseguir acessar essa informação de uma maneira clara para entender o que está escolhendo. Isso se torna ainda mais importante quando falamos de crianças e pré-adolescentes, porque a decisão não deveria acontecer só porque um produto viralizou", acrescenta Marina.

Para ela, a proposta não é tratar o interesse dos jovens por skincare como algo negativo, mas incentivar escolhas mais conscientes. "O skincare pode ser uma forma de cuidado, mas ele não precisa ser sinônimo de uma rotina cheia de produtos. Antes de seguir uma tendência, vale buscar informação e entender o que aquela pele realmente precisa".

Em um ambiente em que novos produtos e ativos aparecem diariamente nas redes sociais, entender a diferença entre uma tendência e uma necessidade pode ser o primeiro passo antes de reproduzir uma rotina. Afinal, cuidar da pele não precisa significar ter uma prateleira cheia de cosméticos e informação também faz parte do cuidado.  

"Skincare pode ser uma forma saudável de ensinar autocuidado. Mas, na dermatologia, menos, muitas vezes é mais, principalmente quando estamos falando de uma pele que ainda está em desenvolvimento", completa Lara.

Revista Malu Revista Malu
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