Orkut pode voltar? Criador pede apoio para nova rede social e critica algoritmos
Manifesto propõe recuperar comunidades e relações entre pessoas em meio ao avanço de bots, conteúdos artificiais e feeds guiados por engajamento
O criador do Orkut, Orkut Büyükkökten, publicou um manifesto criticando os algoritmos das redes sociais modernas e o foco excessivo em engajamento. Ele propõe uma nova plataforma focada em comunidades e conexões humanas reais. Sem data de lançamento ou confirmação de estreia, o projeto busca atualmente medir o interesse público através de um cadastro para apoiadores no site oficial da antiga rede.
O Orkut voltou ao centro das atenções nesta semana após seu criador, Orkut Büyükkökten, publicar um manifesto no site oficial e pedir apoio do público para uma nova proposta de rede social, construída em torno de comunidades e interações entre pessoas.
Ainda não há data de lançamento nem confirmação de que o projeto realmente chegará ao público. Por enquanto, Büyükkökten quer medir o interesse por uma alternativa às plataformas atuais e reuniu a proposta em uma carta intitulada 'Uma internet mais gentil é possível'.
Logo no início do documento, então, ele resgata a sensação que, em sua visão, marcou os primeiros anos das redes sociais: conversar com alguém distante e saber que havia uma pessoa de verdade do outro lado.
"Você lembra de quando a internet era humana? De quando receber uma mensagem de alguém em outro continente parecia mágica? Outra pessoa tinha atravessado o mundo para compartilhar um pedacinho de si. Talvez a conexão durasse só um instante, mas era emocionante porque era real", iniciou.
Criador do Orkut questiona os feeds atuais
En seguida, o principal incômodo apresentado por Büyükkökten está na forma como as redes passaram a disputar a atenção dos usuários. Isso porque, para ele, a prioridade deixou de ser a conexão entre pessoas e passou a girar em torno de métricas como engajamento e tempo de tela.
"O que aconteceu? Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão. Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas", afirmou.
De acordo com o engenheiro de software, a chegada da inteligência artificial amplia essa preocupação. "Eu ainda amo esta indústria, mas é desesperador ver o que ela se tornou. 'Aja rápido e quebre coisas', dizia o lema. Pois bem: as coisas estão quebradas. E agora as máquinas chegaram. A inteligência artificial é uma tecnologia extraordinária, mas está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado", acrescentou.
Comunidades voltam ao centro da proposta
Em vez de recuperar simplesmente a aparência ou os recursos do antigo Orkut, Büyükkökten aponta para um princípio que marcou a plataforma: as comunidades. No depoimento, ele contouque costumam receber relatos de pessoas afimando sentir falta dessa dinâmica.
"Pessoas que consertavam a mesma moto, pegavam a mesma linha de ônibus ou que odiavam segunda-feira. Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto", reforçou.
É essa diferença que orienta o projeto apresentado agora. "Vejo um futuro diferente para a internet, construído em torno de pessoas reais, com um ser humano do outro lado de cada mensagem. Um futuro que não gira em torno de algoritmos, olhos capturados e otimização de tempo na tela", detalhou.
O Orkut realmente vai voltar?
Por enquanto, não existe confirmação de uma nova rede social pronta para lançamento. O site, contudo, disponibiliza uma mobilização para quem deseja apoiar a ideia e demonstrar interesse em participar de um possível projeto futuro.
Pessoas com pelo menos 18 anos podem cadastrar e-mail e país de residência. Em, recebem um código para gerar um cartão digital de apoiador e compartilhá-lo com outras pessoas. O próprio site esclarece, contudo, que participar não garante uma conta futura, reserva de nome de usuário ou acesso antecipado.
"Eu sei como chegar lá: vamos reconstruir a internet pela qual nos apaixonamos. Aquela com pessoas autênticas, conexão real e pertencimento genuíno. Mas não consigo construí-la sem você. Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena. Mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue. Então, vamos parar de otimizar para capturar a atenção e começar a otimizar uns para os outros. Vamos tornar a internet humana de novo, juntos!", concluiu Büyükkökten.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.