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O que a genética revela sobre as doenças que mais matam no país

Especialistas explicam que DNA não é destino

27 mai 2026 - 10h47
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Medicina personalizada avança no país e especialistas alertam: predisposição hereditária não significa que uma doença necessariamente vai se desenvolver

Durante décadas, muitas famílias aprenderam a tratar determinadas doenças como inevitáveis. "Na minha família todo mundo tem diabetes", "meu pai infartou cedo", "câncer é comum entre os parentes". A genética parecia funcionar quase como uma sentença silenciosa transmitida de geração em geração.

Freepik
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Foto: Revista Malu

Mas a medicina começa a desmontar essa ideia.

Com o avanço dos testes genéticos e da chamada medicina personalizada, especialistas reforçam que herança familiar não representa, necessariamente, destino. Ao contrário: identificar predisposições pode ser justamente a chave para prevenir doenças antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem.

A discussão ganha espaço em um momento de aumento dos casos de obesidade, diabetes tipo 2, câncer e doenças cardiovasculares, condições que seguem entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

Para o médico geneticista Paulo Zattar Ribeiro, ainda existe muita desinformação sobre o real papel da genética no desenvolvimento dessas doenças.

"Muitas pessoas acreditam que carregar uma predisposição genética significa inevitavelmente desenvolver uma doença, mas isso não funciona dessa maneira. A genética aponta vulnerabilidades e riscos aumentados, não uma determinação absoluta", explica.

O que levar em conta

Segundo ele, fatores ambientais e comportamentais têm papel decisivo na forma como esses genes irão se manifestar ao longo da vida.

"Alimentação, sedentarismo, qualidade do sono, tabagismo, consumo de álcool, estresse crônico e até exposição ambiental interferem diretamente na ativação ou não de determinados processos biológicos", afirma.

A integração entre genética e medicina clínica vem mudando a forma como os médicos enxergam prevenção e acompanhamento dos pacientes. Em vez de estratégias generalistas, cresce a tendência de tratamentos mais individualizados, levando em consideração características metabólicas, histórico familiar e perfil genético.

O médico clínico Igor Viana observa que muitos pacientes só descobrem predisposições importantes após eventos graves, como infartos precoces ou diagnósticos avançados de doenças metabólicas.

"É muito comum encontrarmos pacientes jovens com colesterol extremamente elevado, hipertensão ou obesidade importante sem que tenham sido orientados a investigar histórico familiar ou fatores hereditários. Muitas vezes o organismo já vinha dando sinais há anos", diz.

De acordo com Igor, um dos maiores desafios atuais é justamente combater a ideia de que doenças silenciosas só merecem atenção quando provocam sintomas evidentes.

"A medicina preventiva mudou muito. Hoje sabemos que acompanhar marcadores metabólicos, composição corporal, padrão inflamatório e histórico familiar permite agir antes da doença se instalar de forma mais agressiva", afirma.

Além das doenças cardiovasculares e metabólicas, a genética também vem ganhando relevância em áreas como oncologia, neurologia e saúde mental. Algumas mutações hereditárias podem aumentar significativamente o risco para determinados tipos de câncer, por exemplo, permitindo rastreamento mais precoce e acompanhamento direcionado.

Se informe com responsabilidade

Ainda assim, os especialistas fazem um alerta importante: acesso à informação não deve gerar paranoia.

"O objetivo não é transformar as pessoas em pacientes em potencial, mas oferecer ferramentas para decisões mais conscientes sobre saúde e qualidade de vida", pontua Paulo.

Na prática, isso significa entender que genética e estilo de vida não competem entre si, eles se complementam. E, em muitos casos, hábitos saudáveis continuam sendo capazes de reduzir riscos mesmo quando existe predisposição hereditária.

"A genética pode carregar a vulnerabilidade, mas nossas escolhas diárias continuam tendo enorme impacto sobre o desenvolvimento das doenças", conclui Igor Viana.

Revista Malu Revista Malu
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