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O excesso de escolhas pode estar nos deixando mais cansados? A reflexão de Luiz Felipe Pondé sobre desejo e aplicativos

Em vídeo compartilhado nas redes sociais, o filósofo Luiz Felipe Pondé relaciona o conceito de "concupiscência", de Santo Agostinho, ao excesso de opções da vida moderna e reflete sobre como a busca constante pode gerar desgaste

28 jul 2026 - 11h28
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O filósofo Luiz Felipe Pondé trouxe uma reflexão sobre a relação entre desejo, escolhas e cansaço na sociedade atual. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele resgata o conceito de "concupiscência", apresentado por Santo Agostinho, para explicar como o desejo contínuo por novas possibilidades pode se tornar uma característica marcante do mundo moderno. Segundo Pondé, a concupiscência representa esse movimento constante de desejar, buscar e se sentir atraído por algo. A partir dessa ideia, o filósofo afirma que a vida contemporânea criou uma espécie de ciclo infinito de procura, no qual as pessoas estão sempre diante de novas opções.

A vida moderna ampliou nossas possibilidades, mas também trouxe um novo desafio: lidar com a busca constante por mais opções, experiências e escolhas
A vida moderna ampliou nossas possibilidades, mas também trouxe um novo desafio: lidar com a busca constante por mais opções, experiências e escolhas
Foto: Reprodução Instagram/@lf_ponde / Bons Fluidos

"O mundo moderno é um gigantesco contrato infinito de concupiscência", afirma Pondé.

O excesso de opções e a dificuldade de parar

Durante a reflexão, o filósofo usa os aplicativos de relacionamento como exemplo para explicar esse comportamento. Para ele, muitas pessoas continuam utilizando essas plataformas mesmo quando se sentem cansadas da dinâmica, porque a facilidade de acesso torna a busca mais atraente. Pondé questiona por que alguém permanece procurando novos parceiros mesmo quando essa procura já causa desgaste. A resposta, segundo ele, estaria na praticidade: os aplicativos oferecem uma quantidade maior de possibilidades de forma rápida e acessível. Antes dessas plataformas, os encontros aconteciam principalmente em ambientes como faculdade, trabalho, festas ou por meio de amigos. No entanto, os aplicativos ampliaram esse campo de escolhas ao apresentar diversos perfis em poucos minutos.

Quando escolher demais também cansa

Para explicar esse fenômeno, Pondé compara os aplicativos a um restaurante com um cardápio muito extenso.

"É que nem um menu de restaurante gigantesco. Quando você chega no lugar, já não lembra de onde começou", diz.

A comparação mostra como a abundância de opções pode dificultar a decisão. Embora ter alternativas possa parecer positivo, o excesso delas também pode gerar uma sensação de busca interminável, já que sempre existe a possibilidade de encontrar algo diferente.

Dessa forma, o filósofo sugere que o problema não está apenas na existência das escolhas, mas na necessidade constante de continuar procurando novas possibilidades.

A busca pelo próximo e o presente esquecido

A reflexão de Pondé também convida a pensar sobre como o desejo por novas experiências pode afastar as pessoas daquilo que já possuem. Em uma rotina marcada pela facilidade de acesso e pela velocidade das informações, a sensação de que sempre existe uma opção melhor pode manter o indivíduo em um estado permanente de procura.

Assim, a ideia apresentada pelo filósofo parte de um questionamento sobre os limites do desejo: até que ponto buscar novas possibilidades amplia nossas experiências e quando essa busca começa a gerar apenas cansaço?

Ao relacionar Santo Agostinho com os hábitos atuais, Pondé propõe uma análise sobre um comportamento cada vez mais presente: a dificuldade de interromper a procura, mesmo quando ela já deixou de trazer satisfação.

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Um post compartilhado por Jornalismo TV Cultura (@jornalismotvcultura)

Bons Fluidos
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