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Mãe de pet também é mãe! O que as pesquisas dizem sobre o assunto

Pesquisas ajudam a entender por que tantas pessoas se identificam como mães de pet - e explicam quando o vínculo pode deixar de ser saudável para o animal

10 mai 2026 - 10h09
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À medida que o Dia das Mães se aproxima, não é incomum ouvir a frase "mãe de pet também é mãe". Para algumas pessoas, essa expressão simplesmente traduz como elas se sentem na relação com o seu animal. Para outras, provoca julgamento, já que pode soar como uma comparação com mães de filhos humanos. E, para outras ainda, não passa de uma frase leve ou engraçada.

Pesquisas explicam o significado emocional do termo “mãe de pet” e alertam para a importância de respeitar as necessidades dos animais
Pesquisas explicam o significado emocional do termo “mãe de pet” e alertam para a importância de respeitar as necessidades dos animais
Foto: Reprodução: Canva/svetikd / Bons Fluidos

Mas o que as pesquisas realmente dizem sobre pessoas que se identificam como pais ou mães de pet? Será que estão cruzando algum limite ou perdendo a noção das diferenças entre esses papéis? Por que algumas pessoas usam essa linguagem? E qual o impacto disso para o animal?

Não é novidade que, para muita gente, o pet é um membro da família. Em alguns casos, é até descrito como filho ou filha. As pessoas relatam como seus animais estão presentes na vida diária, em feriados, aniversários e outros rituais familiares importantes. Às vezes, quando perguntamos "você tem filhos?", a resposta vem como "não, mas tenho pets", ou "sim, tenho uma filha… e dois cachorros", ou ainda "sim, um menino e uma gata".

Essas definições de família variam e ajudam a construir um senso de pertencimento e identidade. Também expressam valores sociais e relacionais. Por exemplo, algumas pessoas que se identificam como mães de pet apresentam uma identidade de cuidado que, em certos aspectos, pode se assemelhar ao que vemos em relações humanas, de acordo com pesquisas de Lawson (2025) e Volsche (2018). Ao mesmo tempo, pessoas que já têm filhos também podem experimentar sentimentos maternais em relação aos seus pets (Laurence & Simpson, 2017).

Dito isso, o termo "mãe de pet" também levanta preocupações e debates. Parte dessas preocupações está relacionada ao bem-estar do animal. Algumas pessoas questionam se essa forma de se relacionar pode gerar impactos negativos. Pesquisas de Volsche (2018) e Barina Silvestre & Videla (2024) sugerem que desafios podem surgir quando há dificuldade em equilibrar as necessidades do animal com as necessidades da pessoa.

No entanto, esses mesmos estudos mostram que pessoas que se identificam como pais ou mães de pet geralmente têm clareza sobre o papel do animal em suas vidas. Não há, necessariamente, uma confusão. Como descreve Volsche (2018), o termo "pet parent" (mãe ou pai de pet) costuma ser usado para expressar proximidade emocional, e não para ignorar as necessidades do animal ou afirmar que os papéis de mãe e mãe de pet englobam exatamente as mesmas atividades de cuidado. Além disso, o termo em si não determina o quanto essas necessidades do animal são respeitadas. Não se trata de comparar, mas de traduzir um sentimento em relação ao pet.

Outros autores, como Paterson Engel (2019), utilizam o termo "peternal" (uma combinação de "pet" com "maternal") para descrever mulheres que têm um vínculo muito próximo com seus animais. Em estudos com mulheres sem filhos, foram encontradas conexões emocionais profundas. Mas também certa ambivalência, especialmente entre o desejo de cuidar e o desejo de manter a própria liberdade.

Ampliando essa discussão, alguns pesquisadores também abordam a linguagem utilizada pelas pessoas. Existe uma nuance importante. Muitas escolhem não usar o termo "mãe de pet" em determinados contextos sociais, tanto para evitar julgamentos quanto para não parecer que estão diminuindo ou simplificando a relação. Ao mesmo tempo, algumas se sentem desconfortáveis com expressões como "filho de quatro patas", por entenderem que esses termos podem impactar negativamente a forma como o animal é percebido.

A verdade é que os animais têm ocupado um espaço cada vez maior na vida das pessoas. E, para quem se sente mãe de pet, celebrar o Dia das Mães pode fazer sentido. Muitas vezes, os sentimentos de cuidado não substituem outras relações, mas se estendem também ao vínculo com o animal.

Então, se identificar como "mãe de pet" faz mal para o animal? O que realmente importa é se as necessidades do animal estão sendo respeitadas. E aqui cabe um ponto essencial: se a ideia é cuidar, independentemente do termo utilizado, as necessidades do animal precisam ser a maior prioridade. Nesse sentido, a humanização do animal a qualquer custo pode ter um preço alto para o seu bem-estar. Por exemplo, vestir o pet de forma desconfortável, forçar situações para fotos ou ignorar sinais de estresse pode ser prejudicial. Mas isso não está diretamente relacionado ao termo, e sim à capacidade de amar o animal por quem ele é, em vez de tentar encaixá-lo em padrões humanos.

Algumas perguntas podem ajudar nessa reflexão: "Eu estou respeitando as necessidades do meu pet?"; "Estou projetando nele necessidades minhas?"; "Estou permitindo que ele seja simplesmente um animal?"Se essas perguntas trazem algum incômodo, talvez algo precise ser revisto. Ainda assim, isso não está necessariamente ligado à terminologia.

Seria uma simplificação dizer que se chamar "mãe de pet", por si só, é prejudicial para a pessoa ou para o animal. A questão é mais complexa do que isso. Como em muitos aspectos das relações entre humanos e animais, o ponto central é o equilíbrio. O animal não substitui relações humanas ou filhos, mas ocupa um lugar único. E, para muitas pessoas, esse lugar envolve respostas emocionais e até fisiológicas, que, em alguns aspectos, podem se aproximar das experiências de cuidado vivenciadas por mães no sentido clássico da palavra.

Com o Dia das Mães se aproximando, que seja um dia feliz para todos aqueles que vivenciam papéis de cuidado, seja com animais ou com crianças. Não se trata de comparar ou competir, mas de reconhecer diferentes formas de cuidar. 

Se é assim que você se sente cuidando do seu pet, ainda que internamente, silenciosamente, que este também possa ser um feliz Dia das Mães para você.

Sobre a autora

Renata Roma é psicoterapeuta e pesquisadora na University of Saskatchewan (Canadá). Ela é especialista na relação entre saúde emocional, infância e vínculos com animais e desenvolve pesquisas há mais de 10 anos sobre os benefícios (e desafios) das interações entre humanos e animais e host do podcast Mais que um Pet.

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