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Estudar depois dos 30: pesquisa revela o novo perfil do universitário brasileiro

Levantamento mostra como a busca por novas oportunidades tem levado mais adultos de volta às salas de aula

10 ago 2026 - 19h40
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Nem todo aluno está começando a vida adulta. No Dia do Estudante, celebrado nesta terça-feira (11), uma pesquisa chama atenção para um perfil que ganha cada vez mais espaço no ensino superior: o de pessoas que chegam à faculdade depois dos 30 anos e precisam conciliar os estudos com trabalho, família e outras responsabilidades.

Cada vez mais, o estudante encontra no ensino superior uma oportunidade de recomeçar a trajetória profissional
Cada vez mais, o estudante encontra no ensino superior uma oportunidade de recomeçar a trajetória profissional
Foto: TrueCreatives/Canva Equipes / Bons Fluidos

A Pesquisa de Empregabilidade 2025 da Graduação EAD UniCesumar mostra que 55% dos alunos ativos entrevistados têm entre 30 e 49 anos. Desse total, 29% estão na faixa dos 30 aos 39 anos e 26% têm entre 40 e 49 anos. Entre os estudantes que já concluíram a graduação, a presença de adultos nessa faixa etária também é expressiva. Eles representam 53% dos egressos, sendo 25% entre 30 e 39 anos e 28% entre 40 e 49 anos.

Para Gustavo Pisano, gerente pedagógico da EAD UniCesumar, a mudança acompanha uma transformação na própria relação das pessoas com a educação. "Hoje, é comum encontrar estudantes com mais de 30 anos, que trabalham em tempo integral, possuem filhos e retornam aos estudos em busca de desenvolvimento profissional, progressão na carreira ou realização pessoal. O ensino superior deixou de ser uma etapa exclusiva da juventude e passou a fazer parte de diferentes fases da vida", afirma.

Quando estudar precisa caber na rotina

Para esse público, a faculdade não acontece necessariamente em uma rotina livre de outras obrigações. Pelo contrário. O levantamento mostra que 75% dos alunos ativos trabalham. Entre aqueles que já concluíram os estudos, esse índice chega a 80%.

A família também aparece como parte importante dessa equação. Entre os estudantes ativos, 85% têm pelo menos um dependente em casa. Além disso, cerca de 66% participam das despesas familiares ou são responsáveis sozinhos pelo orçamento doméstico.

Isso significa que reservar tempo para uma aula, uma prova ou uma atividade acadêmica pode exigir planejamento dentro de uma agenda já preenchida. Nesse contexto, a flexibilidade ganha importância. Para Pisano, as instituições precisam considerar as diferentes circunstâncias enfrentadas por quem busca uma graduação.

"É necessário oferecer modelos mais flexíveis, metodologias ativas, tecnologias educacionais e apoio acadêmico contínuo. Os currículos também precisam estar alinhados às transformações do mercado e permitir que o estudante perceba valor imediato na formação, aplicando os conhecimentos em sua própria rotina profissional", explica.

Mais do que facilitar o ingresso, portanto, a proposta é criar condições para que o aluno consiga permanecer no curso. Afinal, conciliar faculdade, emprego, família e vida pessoal pode transformar a própria experiência de aprendizagem.

Estudante não precisa ter idade

Essa mudança também se relaciona ao conceito de lifelong learning, expressão usada para definir a ideia de aprendizado contínuo. Em vez de enxergar a educação como uma etapa que termina com a juventude, o conceito considera que novas habilidades e conhecimentos podem ser desenvolvidos durante diferentes momentos da vida.

Os próprios objetivos dos estudantes ajudam a entender essa busca. Nos próximos 12 meses, 15% dos alunos ativos pretendem conquistar um emprego efetivo, enquanto 14% esperam conseguir aumento salarial ou promoção. Outros 12% planejam mudar de emprego ou cargo, e 10% pretendem seguir para uma pós-graduação, mestrado ou doutorado. A pesquisa permitia selecionar mais de uma opção.

Na avaliação de Pisano, a graduação acompanha esse processo de atualização profissional. "A graduação deixou de representar apenas um diploma e passou a ser um processo de desenvolvimento de competências técnicas, digitais e socioemocionais valorizadas pelas organizações. Além de preparar para novas funções, a formação fortalece a inovação, a aprendizagem contínua e a capacidade de acompanhar as mudanças", destaca.

Uma nova chance para antigos planos

A história de Marinês Botim mostra esse movimento de uma maneira mais pessoal. Ela chegou ao ensino superior aos 45 anos, enquanto cuidava dos dois filhos, ambos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A experiência como mãe despertou o interesse pela Psicologia. Depois da graduação, então, ela continuou estudando e fez uma pós-graduação em Neuropsicologia. Hoje, atua como psicóloga clínica.

O retorno aos estudos, contudo, aconteceu em meio a uma rotina desafiadora. "Quando ingressei na universidade aos 45 anos, foi desafiador. Minha realidade é a de muitas famílias, sem rede de apoio e sem suporte. Precisei acreditar na força de uma mulher simples, que estava buscando o melhor para sua família", relata.

"Cada pessoa tem seu tempo e seu processo. Os ideais não morrem, apenas adormecem no cansaço e ressurgem quando estamos prontos para realizá-los", finaliza.

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