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Entre millennials e geração Z: quem são os chamados zillennials?

Entre a infância analógica e a vida adulta conectada, os zillennials compartilham características de millennials e geração Z; entenda o conceito

6 out 2026 - 19h08
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Resumo
Os zillennials formam uma microgeração de transição entre os millennials e a geração Z, marcada por indivíduos que viveram uma infância analógica e amadureceram durante a revolução digital. Sem datas rígidas de início e fim, o grupo se destaca pela facilidade de adaptação tecnológica sem perder a nostalgia dos anos 1990 e 2000. Essa vivência híbrida molda também sua visão profissional e comportamental, equilibrando ambição na carreira com forte foco em saúde mental e qualidade de vida.

Você se lembra de uma infância em que a internet ainda não dominava todos os momentos do dia, mas chegou à adolescência já completamente familiarizado com redes sociais, smartphones e a vida digital? Talvez você esteja justamente no meio de duas gerações. Os zillennials são uma espécie de microgeração localizada na fronteira entre os millennials e a geração Z. O próprio nome nasce da combinação de millennial com Gen Z e tenta representar pessoas que compartilham experiências dos dois grupos - sem necessariamente se identificar por completo com nenhum deles.

Quem são os zillennials? Conheça a microgeração entre millennials e geração Z, marcada pela transição do mundo analógico para o digital
Quem são os zillennials? Conheça a microgeração entre millennials e geração Z, marcada pela transição do mundo analógico para o digital
Foto: Reprodução: Drazen_/ Getty Images Signature / Bons Fluidos

Não existe, porém, uma data oficial que determine quem pode ou não ser considerado zillennial. Diferentes estudos e análises utilizam recortes distintos, normalmente concentrados entre os millennials mais jovens e os integrantes mais velhos da geração Z.

Mais do que olhar apenas para o ano de nascimento, portanto, o conceito ajuda a entender uma experiência bastante particular: ter vivido parte da infância em um mundo ainda bastante analógico e acompanhado de perto a transformação digital que mudaria a maneira de estudar, trabalhar, consumir e se relacionar.

Uma infância analógica e uma vida adulta digital

Talvez essa seja uma das formas mais fáceis de entender os zillennials. São pessoas que podem se lembrar de CDs, DVDs, telefone fixo, locadoras, câmeras digitais e computadores compartilhados pela família, mas que também cresceram acompanhando a popularização das redes sociais, dos smartphones, do streaming e dos aplicativos.

Em vez de nascer em um cotidiano completamente conectado, muitos assistiram a essa transformação acontecer. Por isso, é comum encontrar o termo digital-first, but not digital-only associado a essa microgeração. Na prática, significa que recorrer à tecnologia costuma ser natural e conveniente, mas ela não é necessariamente a única opção conhecida.

Um zillennial pode preferir resolver algo pelo aplicativo, por exemplo, mas ainda se lembrar perfeitamente de quando era necessário fazer a mesma tarefa presencialmente ou por telefone.

Afinal, quem são os zillennials?

Essa definição é justamente a parte mais complicada. Os millennials costumam ser definidos, em um dos recortes mais utilizados, como pessoas nascidas entre 1981 e 1996, enquanto a geração Z começaria em 1997. Os zillennials ocupariam justamente a região próxima dessa divisão.

Como não existe consenso acadêmico sobre um intervalo específico, diferentes fontes adotam anos diferentes para definir a microgeração. Por isso, identificar-se como zillennial tem menos relação com preencher uma espécie de formulário baseado no ano de nascimento e mais com reconhecer experiências típicas dessa transição.

Tecnologia faz parte da vida, mas eles viram tudo mudar

Outra característica frequentemente associada aos zillennials é a facilidade de adaptação. Quem cresceu durante uma transformação tecnológica acelerada precisou aprender repetidamente novas maneiras de fazer praticamente as mesmas coisas. A música saiu dos CDs e dos arquivos baixados no computador para o streaming. Conversas migraram de telefonemas e SMS para aplicativos de mensagens. Fotografias deixaram os álbuns físicos e passaram para as redes sociais.

Até a forma de procurar informações mudou radicalmente em poucos anos. Isso faz com que muitos integrantes dessa faixa etária sejam bastante familiarizados com tecnologia, embora ainda carreguem referências de um período anterior à hiperconectividade atual.

E existe também uma boa dose de nostalgia

Não por acaso, a nostalgia costuma aparecer quando se fala sobre zillennials. Desenhos antigos, videogames, músicas dos anos 2000, câmeras digitais, objetos vintage e até tendências de moda que fizeram sucesso durante a infância e adolescência desse grupo frequentemente reaparecem como referências afetivas. É quase como ocupar dois mundos ao mesmo tempo: acompanhar as novidades enquanto existe certo carinho pelas tecnologias, estéticas e costumes que ficaram para trás.

Trabalho também ganhou outro significado

A posição intermediária também aparece na relação com a carreira. Os zillennials cresceram ouvindo muitas ideias tradicionalmente relacionadas ao sucesso profissional: fazer faculdade, construir uma carreira sólida, conquistar estabilidade e crescer dentro de uma profissão. Ao chegar à vida adulta, porém, encontraram um mercado bastante diferente.

Novas profissões surgiram, o trabalho remoto ganhou espaço, mudanças de carreira ficaram mais comuns e uma graduação deixou de significar necessariamente permanecer na mesma área durante toda a vida. Ao mesmo tempo, temas como qualidade de vida, propósito, burnout e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal passaram a ocupar um espaço muito maior nas conversas sobre carreira.

O resultado pode ser uma relação híbrida: existe valorização da estabilidade e do crescimento profissional, mas também uma preocupação maior em não permitir que o trabalho ocupe todos os espaços da vida.

Saúde mental deixou de ser assunto proibido

Outra transformação acompanhada de perto por essa faixa etária foi a maneira de falar sobre saúde mental. Muitos zillennials cresceram em um período no qual terapia, ansiedade e esgotamento emocional ainda eram assuntos tratados com muito mais resistência. Já na adolescência e na vida adulta, acompanharam esses temas ganharem espaço nas redes sociais, na mídia e nas conversas cotidianas.

Assim, conceitos como estabelecer limites, reconhecer sinais de esgotamento e procurar ajuda psicológica se tornaram mais presentes no vocabulário de uma geração que também viu adultos ao seu redor lidarem de maneiras muito diferentes com o sofrimento emocional.

Então zillennial é realmente uma geração?

Não exatamente. O termo é mais bem compreendido como uma microgeração ou grupo de transição, e não como uma categoria científica rígida e universalmente reconhecida. Além disso, nenhuma geração funciona como um manual de personalidade. Duas pessoas nascidas no mesmo ano podem ter experiências completamente diferentes dependendo do país, da condição socioeconômica, da família, do acesso à tecnologia e de inúmeros outros fatores.

Ainda assim, o conceito de zillennial ajuda a colocar nome em uma sensação compartilhada por muita gente: ser jovem demais para se reconhecer totalmente entre os millennials, mas ter vivido experiências que parte da geração Z mais nova já encontrou completamente transformadas.

Se você teve uma infância relativamente analógica, viu a internet transformar o cotidiano enquanto crescia e hoje transita naturalmente entre referências dos anos 1990 e 2000 e um mundo completamente digital, talvez finalmente tenha encontrado o nome para essa experiência: zillennial.

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