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David 'Da Vinci': o garoto de 10 anos que possui o QI superior ao de Einstein

Com QI de 162, o mexicano David Camacho já participou de treinamentos na Nasa, fala vários idiomas e usa sua história para conscientizar sobre altas habilidades e bullying

11 mai 2026 - 20h39
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Aos 10 anos, o mexicano David Camacho já coleciona experiências que muita gente leva décadas para viver. Com um QI de 162, acima do índice considerado de superdotação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o menino dá palestras, estuda vários idiomas, participou de um treinamento na Nasa e está prestes a lançar um livro. Ainda assim, faz questão de rejeitar um rótulo que costuma aparecer sempre que sua história viraliza: o de "menino gênio".

Aos 10 anos, David Camacho impressiona com QI alto, participação em programa da Nasa e projetos inovadores
Aos 10 anos, David Camacho impressiona com QI alto, participação em programa da Nasa e projetos inovadores
Foto: Reprodução/YouTube / Bons Fluidos

Para David, genialidade não é algo que se define apenas por números ou testes de inteligência. Segundo ele, ser chamado de gênio exige uma trajetória construída ao longo da vida. "Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", afirmou em entrevista à BBC News Mundo.

A resposta surpreende não apenas pela maturidade, mas também pela consciência que ele demonstra ter sobre si mesmo. Enquanto muitos o comparam a nomes como Albert Einstein ou Stephen Hawking, David prefere manter os pés no chão. "Tenho 10 anos e estou apenas começando", disse. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"

A inspiração em Leonardo da Vinci

O apelido "David da Vinci" surgiu por causa da admiração do menino por Leonardo da Vinci. Segundo ele, o interesse começou ainda na educação infantil, quando aprendeu sobre a trajetória do artista italiano e sua capacidade de unir diferentes áreas do conhecimento.

"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", relembrou.

Desde então, David passou a enxergar o conhecimento de forma ampla e multidisciplinar. Seu sonho não está ligado apenas à ciência ou à tecnologia, mas à possibilidade de integrar diferentes áreas para criar soluções que impactem a sociedade.

Da Nasa ao sonho de mudar o mundo

Entre os feitos que já fazem parte de sua trajetória, está a participação em um programa de treinamento espacial na sede da NASA, em Houston, no Texas. Lá, ele realizou simulações de voo e experiências relacionadas à gravidade zero.

Mas o menino garante que ainda não decidiu exatamente qual caminho seguirá no futuro. Entre os desejos, estão ideias ambiciosas que misturam ciência, medicina, empreendedorismo e exploração espacial. "Gostaria de fazer a primeira cirurgia no espaço", contou. "Criar a próxima SpaceX, ser o próximo Elon Musk, algo assim."

Atualmente, David estuda em uma escola internacional online que o prepara para ingressar na universidade. Além do espanhol, ele fala inglês, francês e alemão, e já começou a aprender russo, português e italiano.

Apesar da rotina incomum para alguém da sua idade, ele afirma que o que mais gosta em possuir altas habilidades é a facilidade para aprender rapidamente e compreender conteúdos com profundidade. "Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirmou.

O outro lado das altas habilidades

Ao mesmo tempo, David faz questão de desconstruir muitos estereótipos relacionados às crianças superdotadas. Segundo ele, ter um QI elevado não significa saber tudo ou possuir respostas instantâneas para qualquer assunto. "Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem."

O menino também contou que enfrentou dificuldades na escola por se destacar intelectualmente. A diferença de interesses e ritmo de aprendizagem acabou gerando isolamento e episódios de bullying"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles", explicou. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."

A experiência negativa inspirou David a criar o aplicativo Macayos, plataforma digital voltada ao desenvolvimento emocional infantil e ao combate ao bullying. A ferramenta deve ser lançada ainda este ano e usará inteligência artificial para ensinar crianças a lidarem com emoções de maneira mais saudável.

Crianças superdotadas também precisam de acolhimento

A história de David também chama atenção para uma questão pouco discutida: o diagnóstico correto de crianças com altas habilidades. Muitos jovens acabam sendo confundidos com quadros de TDAH ou autismo justamente porque demonstram inquietação, dificuldade de adaptação escolar ou desinteresse pelas atividades da sala de aula.

Sua mãe, Claudia Flores, percebeu cedo que havia algo diferente no filho. Ela lembra que, ainda pequeno, David demonstrava capacidade incomum de memorização e aprendia com extrema rapidez.

Durante a pandemia de Covid-19, ao acompanhar as aulas online, ela percebeu mais claramente a facilidade do menino para absorver conteúdos muito acima do esperado para sua idade. Foi então que buscou orientação especializada.

Segundo estimativas do Centro de Atenção ao Talento do México (Cedat), milhões de crianças superdotadas podem viver no país sem identificação adequada. No Brasil, a Mensa estima que cerca de 4 milhões de pessoas tenham QI acima de 130.

"Continuamos sendo crianças"

Apesar da rotina intensa e dos projetos grandiosos, David reforça algo importante: ele ainda é apenas uma criança. Gosta de brincar, ir ao parque, montar blocos e viver experiências comuns da infância. "Muitos pensam que sou um menino disfarçado de adulto, mas sou um menino que faz coisas de criança... e também parte das coisas de adultos", resumiu.

Sua trajetória mostra que altas habilidades vão muito além do desempenho acadêmico. Histórias como a dele ajudam a ampliar o debate sobre inclusão, acolhimento emocional, diagnóstico correto e a importância de permitir que crianças superdotadas desenvolvam seus talentos sem abrir mão da própria infância.

Bons Fluidos
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