Como lidar com a pressão do Enem sem prejudicar sua saúde mental
A pressão por desempenho no Enem alerta para a saúde mental dos jovens, momento em que transtornos afetam 20% deles no Brasil. Para evitar o esgotamento, especialistas recomendam rotinas com metas realistas, sono regular, pausas e lazer. Além do autocuidado, a atuação de escolas e famílias é decisiva: em vez de cobranças contínuas, é essencial oferecer acolhimento e escuta ativa, garantindo que o estudante compreenda que o vestibular não define seu valor ou capacidade.
A pressão por desempenho acende um alerta para a saúde mental dos estudantes — e, se você está na reta final do Enem ou dos vestibulares, provavelmente já sentiu isso na pele. A rotina pesa: revisão, simulado, lista de exercícios, grupo de estudo, cronograma… e, no meio de tudo, aquela pergunta que não cala: "E se não der certo?".
Vamos combinar: ficar ansiosa antes de uma prova importante é normal. Ter dias em que o cérebro parece travar, também. Mas Rosilene Rodrigues, diretora e mantenedora da unidade de Santana da Ways Bilingual School, explica que o vestibular não define seu valor ou capacidade: "A escola precisa estruturar o aprendizado de forma eficiente, sem transformar a cobrança em um fator de paralisação. Quando o estudante se sente seguro e acolhido, seu rendimento acadêmico tende a ser mais consistente. Em casa, as famílias também precisam oferecer momentos leves para essa preparação não vir acompanhada com uma sucessão de cobranças".
O problema surge quando o estadio de ansiedade, nervosismo e tristeza se torna algo constante.
Fique atenta se, por semanas, você notar:
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vontade de sumir;
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que tudo parece sem graça, até o que você gostava;
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sono muito bagunçado (ou dormir demais, ou quase nada);
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apetite alterado;
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irritação constante ou choro fácil;
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dificuldade de concentração mesmo em coisas simples;
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queda brusca no rendimento, mesmo estudando.
O que os dados mostram sobre a saúde mental dos jovens
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra: um em cada sete jovens de 10 a 19 anos tem algum transtorno mental. Isso representa 15% da carga global de doenças nessa faixa etária. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade em adolescentes.
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 20% dos jovens entre 10 e 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental. E tem um ponto crucial: não cuidar da saúde mental na adolescência tem consequências na vida adulta, afetando saúde física, saúde mental e oportunidades de levar uma vida plena no futuro.
Traduzindo: cuidar da sua cabeça agora é investir no seu futuro inteiro.
Dá para estudar sem se prejudicar no processo
A ideia não é "estudar menos", mas estudar de um jeito que respeite seu corpo e sua mente. A recomendação é adotar um planejamento realista de estudos na temporada de vestibulares.
Algumas dicas que fazem diferença
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Metas pequenas e possíveis: em vez de "hoje vou fechar matemática", tente "vou fazer 20 questões de funções e revisar o que errei".
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Pausas de verdade: levanta, bebe água, estica o corpo, olha pela janela. Seu cérebro precisa disso para fixar o conteúdo.
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Sono é sagrado: dormir bem não é "perder tempo", é parte do estudo.
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Comer direitinho e se mexer: mesmo que seja uma caminhada de 15 minutos ou um alongamento no quarto.
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Lazer não é inimigo: ver um episódio da série, ouvir um álbum inteiro, conversar com alguém que te faz bem… isso recarrega.
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Nada de se comparar: cada um tem seu ritmo. O seu é o que importa.
Nas semanas que antecedem as provas, a orientação é desacelerar conteúdos novos e priorizar consolidar o que você já viu, tirar dúvidas pontuais e treinar controle de ansiedade e foco. "O objetivo é garantir que o estudante chegue ao dia do exame com confiança e clareza mental", explica Rosilene.
Menos cobrança e mais escuta em casa
Muitas vezes, a ansiedade dos pais e responsáveis vira, sem querer, mais pressão em cima de você. Eles perguntam de nota, de horas de estudo, de simulado… e você sente que precisa se justificar o tempo todo.
O ideal é que sua casa seja refúgio, não extensão da sala de prova. Rosilene orienta: "Em vez de toda conversa terminar em perguntas sobre notas, horas de estudo ou resultados de simulados, abrir espaço para que o jovem fale sobre dúvidas, receios e expectativas pode ajudar a família a compreender como ele está atravessando esse momento".
Se der, tenta puxar esse papo. Fala o que você tá sentindo, o que te assusta, o que você espera. Você merece ser ouvida. Família e escola devem oferecer apoio para que o estudante se prepare com tranquilidade e entenda que sua trajetória não se resume a um único exame.
Um lembrete pra levar com você
Pressão por desempenho acende alerta para a saúde mental de estudantes — mas você não precisa carregar o mundo nas costas. Cuidar da sua cabeça é parte da sua preparação. É parte de chegar no dia da prova inteira, e não em pedaços.
Sua trajetória não se resume a um único exame. E você merece construir o seu futuro com saúde, sentido e apoio!
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