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ChatGPT ou Google? Ciência mostra qual ferramenta deixa o seu cérebro mais afiado

Pesquisa da Wharton School com 10 mil pessoas prova que a busca ativa na web estimula o cérebro, enquanto a inteligência artificial gera um aprendizado superficial

3 ago 2026 - 15h22
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Você costuma recorrer ao ChatGPT para aprender algo novo ou ainda prefere navegar pelos links do Google? A resposta para essa pergunta pode mudar totalmente a forma como o seu cérebro processa e guarda informações.

Entenda o estudo recente que mostra por que pesquisar no Google desenvolve mais o raciocínio e a memória do que apenas pedir respostas prontas
Entenda o estudo recente que mostra por que pesquisar no Google desenvolve mais o raciocínio e a memória do que apenas pedir respostas prontas
Foto: FabrikaCr/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Um estudo recente da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, revelou que quem faz pesquisas ativas na web aprende mais e melhor do que quem depende exclusivamente de ferramentas de inteligência artificial generativa. Nesse sentido, a praticidade das novas tecnologias pode estar custando caro para a nossa capacidade de retenção de conhecimento.

O perigo da resposta pronta do ChatGPT

A pesquisa foi publicada na renomada revista PNAS Nexus. Os pesquisadores Shiri Melumad e Jin Ho Yun analisaram o comportamento de mais de 10 mil pessoas em sete experimentos independentes. Os participantes realizaram tarefas cotidianas, como aprender a plantar uma horta, cuidar da saúde ou se proteger de golpes financeiros.

Em um dos testes, parte dos voluntários usou a inteligência artificial e a outra parte usou o Google. O resultado foi surpreendente:

  • Usuários de IA: pesquisaram por menos tempo, relataram menor esforço e escreveram textos curtos e muito parecidos entre si.

  • Usuários de buscadores: produziram respostas mais longas, variadas e ricas em dados reais.

Por outro lado, quando avaliadores neutros leram esse conteúdo, a diferença ficou ainda mais evidente. As respostas geradas após buscas na web foram consideradas mais úteis, confiáveis e convincentes.

Por que a navegação estimula o cérebro?

O grande segredo não está na informação em si, mas no caminho percorrido até ela. Quando você navega por diferentes páginas, o cérebro é forçado a comparar fontes, interpretar pontos de vista e sintetizar dados. Esse esforço cognitivo gera um aprendizado ativo e duradouro.

Em contrapartida, ao receber um texto pronto do ChatGPT, a tendência natural é aceitar o conteúdo sem questionar. Com isso, o processo de retenção se perde. Aliás, a pesquisadora Shiri Melumad associa essa passividade ao famoso "Efeito Google", que é a tendência de guardar menos informações quando sabemos que elas estão facilmente acessíveis. "Estamos nos afastando ainda mais da aprendizagem ativa", alertou a especialista em entrevista ao Wall Street Journal.

O impacto no futuro do aprendizado

Além do hábito, o estudo identificou um fator comportamental curioso: as pessoas se esforçam menos ao usar a IA porque acreditam que a tecnologia sempre entregará algo melhor do que elas produziriam sozinhas. Dessa forma, cria-se um atalho mental perigoso. O usuário chega à resposta correta, contudo, não entende o processo para alcançar aquele resultado.

Essa dinâmica preocupa especialistas, principalmente em relação aos jovens em idade escolar. Sobre essa questão, Melumad faz um alerta direto sobre o uso das novas ferramentas na educação: "Os jovens estão recorrendo cada vez mais aos modelos de linguagem em primeiro lugar. Mas, se não ensinarmos como interpretar e sintetizar informações por conta própria, corremos o risco de perder completamente a capacidade de aprender com profundidade", afirmou a pesquisadora.

Em suma, os cientistas não sugerem que a inteligência artificial deva ser abandonada. O segredo está em usar a tecnologia como um suporte crítico — para revisar um texto ou testar hipóteses —, e jamais como um substituto para a nossa própria capacidade de pensar.

Bons Fluidos
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