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Bebês aprendem a mentir antes mesmo de falar, diz estudo

Estudo mostra que sinais de engano podem surgir antes da fala e fazem parte do desenvolvimento natural infantil

3 abr 2026 - 10h36
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A ideia de que crianças são sempre totalmente sinceras pode estar com os dias contados - pelo menos do ponto de vista científico. Um estudo recente trouxe um olhar diferente sobre o comportamento infantil e sugere que sinais de engano podem aparecer muito antes do que se imaginava, inclusive antes mesmo da fala, em bebês.

Pesquisa revela que bebês podem apresentar sinais de “mentira” ainda no primeiro ano de vida; entenda o que isso significa
Pesquisa revela que bebês podem apresentar sinais de “mentira” ainda no primeiro ano de vida; entenda o que isso significa
Foto: Reprodução: Canva/studioroman / Bons Fluidos

A descoberta chama atenção porque quebra uma crença bastante difundida: a de que mentir depende da linguagem. Segundo pesquisadores, esse tipo de comportamento pode surgir de forma muito mais precoce - e, principalmente, de maneira natural.

O que a ciência descobriu sobre o comportamento dos bebês

De acordo com uma pesquisa conduzida pela Universidade de Bristol e publicada na revista Cognitive Development, cerca de um quarto das crianças já demonstra algum entendimento de engano por volta dos 10 meses de idade. Esse número aumenta para metade dos bebês aos 17 meses. Em alguns casos, pais e responsáveis relataram perceber atitudes semelhantes ainda mais cedo, por volta dos oito meses.

O estudo ouviu mais de 750 famílias em países como Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá, permitindo observar padrões de comportamento desde os primeiros meses até os primeiros anos de vida.

Para a professora Elena Hoicka, responsável pela pesquisa, os resultados ampliam a forma como entendemos o desenvolvimento infantil. "Foi fascinante descobrir como a compreensão e o uso do engano pelas crianças evoluem desde uma idade surpreendentemente jovem", afirmou.

O que isso significa na prática?

Antes de qualquer conclusão precipitada, é importante entender: não se trata de mentiras elaboradas, como as de um adulto. Nos bebês, o comportamento aparece de forma simples e instintiva. Alguns exemplos comuns incluem: fingir que não ouviram os pais, esconder objetos, tentar fazer algo sem ser percebido, evitar uma tarefa ou situação.

Essas atitudes indicam uma intenção básica: escapar de algo ou conseguir o que desejam. Ou seja, mesmo sem dominar a linguagem, o bebê já demonstra uma forma inicial de estratégia social. Segundo os cientistas, esse comportamento não nasce do raciocínio complexo, mas de um instinto adaptativo.

Um comportamento que pode ser mais antigo do que parece

Para entender melhor essa habilidade, os pesquisadores também se basearam em estudos com animais, como chimpanzés e algumas aves, que apresentam comportamentos enganosos mesmo sem linguagem estruturada.

Essa comparação sugere que a capacidade de enganar pode ter raízes evolutivas mais profundas - anteriores à fala e até mesmo à própria cultura humana. "Não é como se essa capacidade surgisse do nada aos três ou quatro anos", explica Hoicka. "As formas mais precoces estão mais ligadas a tentar escapar de uma situação ou conseguir algo desejado."

Como o "engano" evolui ao longo da infância

Com o crescimento, o comportamento vai se tornando mais sofisticado. Por volta dos 2 anos, a criança começa a negar ações ou evitar tarefas de forma mais intencional. Já aos 3 anos, surgem histórias mais elaboradas, como inventar desculpas ou culpar personagens imaginários.

Os pesquisadores identificaram, ao todo, 16 tipos diferentes de estratégias de engano, mostrando que essa habilidade evolui gradualmente - acompanhando o desenvolvimento da linguagem e da compreensão do outro.

Outro dado curioso é a frequência: entre as crianças que já demonstram esse tipo de comportamento, metade havia tentado enganar alguém no dia anterior à pesquisa.

Isso é motivo de preocupação?

A resposta curta é: não. Apesar de soar preocupante à primeira vista, os especialistas reforçam que esse tipo de comportamento faz parte do desenvolvimento típico das crianças. Na prática, ele está relacionado à construção de habilidades importantes, como autonomia, percepção social e entendimento das intenções dos outros. Ou seja, não significa que a criança está se tornando "mentirosa", mas sim que está aprendendo a navegar nas relações humanas.

O que pais e cuidadores podem aprender com isso

Compreender essas fases pode ajudar adultos a lidar com mais tranquilidade (e menos julgamento) com situações do dia a dia. Em vez de encarar esses comportamentos como algo negativo, vale observar o contexto, incentivar o diálogo e, conforme a criança cresce, trabalhar valores como honestidade e responsabilidade de forma gradual.

A ciência mostra que, antes mesmo das palavras, os bebês já estão experimentando o mundo das relações. E, nesse processo, pequenas "tentativas de engano" fazem parte de algo maior: o desenvolvimento humano.

Bons Fluidos
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