Aos 90 anos, Alan Alda revela como lida com os desafios do Parkinson: 'Apenas um hobby'
Diagnosticado com Parkinson em 2015, o ator de 90 anos revelou como usa o bom humor e a criatividade para enfrentar as limitações da doença
Aos 90 anos, o premiado ator Alan Alda revelou encarar a doença de Parkinson com criatividade e bom humor, tratando as limitações diárias como um jogo e "apenas um hobby". Diagnosticado em 2015, o astro da série M*A*S*H foca no presente e busca soluções para manter sua autonomia, sem deixar que a condição o defina. Embora a postura positiva ajude no enfrentamento dessa doença neurológica progressiva e incurável, especialistas reforçam que ela não substitui o devido tratamento médico.
Enfrentar uma doença crônica exige adaptações que nem sempre são simples. Para Alan Alda, de 90 anos, encontrar maneiras de conviver com o Parkinson também envolve uma boa dose de criatividade e senso de humor. Diagnosticado em 2015, o ator norte-americano aprendeu a encarar as mudanças provocadas pela condição sem permitir que elas se tornem o centro de sua identidade.
Conhecido principalmente por seu trabalho na série MASH*, Alda falou sobre o assunto em uma entrevista ao programa CBS Sunday Morning, exibida em 4 de outubro. Durante a conversa, explicou que prefere concentrar suas energias naquilo que consegue fazer no presente, em vez de se prender à expectativa de recuperar exatamente a vida que tinha antes do diagnóstico.
"Eu realmente acredito que a realidade é minha amiga. Não quero desejar que ela desapareça. Não posso desejar que ela desapareça. E não posso ter esperança em um futuro melhor. Tenho que aceitar o que é. Não deixo que o Parkinson me defina. Não é quem eu sou. É apenas um hobby", afirmou.
Alan Alda usa o bom humor para enfrentar o Parkinson
A maneira descontraída com que o ator se refere à doença não significa que ele desconheça suas dificuldades. Pelo contrário: sua estratégia consiste em reconhecer os obstáculos e procurar soluções para continuar realizando suas atividades.
Em vez de enxergar cada limitação como uma derrota, Alda tenta transformar os desafios cotidianos em oportunidades de aprendizado. E, sempre que possível, encontra motivos para rir das situações. "A melhor maneira de lidar com qualquer pequeno problema é encontrar o lado engraçado e rir", declarou.
Essa postura também apareceu em uma entrevista concedida à revista People, em 2025. Na ocasião, o artista contou que frequentemente precisa descobrir novas maneiras de executar tarefas que antes pareciam automáticas. "Quase todos os dias encontro uma nova maneira de fazer algo. É um pouco como um jogo. Descobri que, seja qual for o pequeno problema, se eu perseverar, eventualmente consigo resolvê-lo, e então me sinto maravilhoso. É uma forma de me divertir em circunstâncias difíceis", contou.
Para o ator, cada pequena conquista representa uma satisfação. A ideia não é minimizar a doença, mas encontrar alternativas que permitam preservar sua autonomia e qualidade de vida.
O que é a doença de Parkinson?
O Parkinson é uma condição neurológica progressiva que afeta principalmente os movimentos. Ela está associada à perda de células nervosas responsáveis pela produção de dopamina, substância fundamental para o controle motor.
Entre os sintomas mais conhecidos estão tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações no equilíbrio. No entanto, a doença também pode provocar manifestações não motoras, como dificuldades para dormir, constipação intestinal, alterações de humor e redução do olfato.
Embora ainda não exista cura, há tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O acompanhamento médico, a fisioterapia, a prática de atividades físicas adaptadas e outras abordagens de reabilitação podem fazer parte dos cuidados, conforme as necessidades de cada pessoa.
A experiência de Alan Alda chama atenção para a importância da adaptação emocional diante de uma condição crônica. Entretanto, vale lembrar que cada paciente enfrenta desafios diferentes e que manter uma atitude positiva não substitui o tratamento especializado.
Uma carreira marcada por personagens inesquecíveis
Filho do ator Robert Alda, Alan iniciou sua trajetória artística no teatro antes de conquistar espaço no cinema e na televisão. Foi, porém, com *M*A*S*H* que alcançou reconhecimento internacional. A produção permaneceu no ar por 11 temporadas, até 1983, e se tornou um dos maiores sucessos da televisão norte-americana. Ao longo desse período, Alda acumulou 21 indicações ao Emmy por seu trabalho como ator, roteirista e diretor, conquistando cinco estatuetas.
O personagem Hawkeye também deixou uma marca curiosa fora das telas. Segundo o artista, até hoje alguns médicos contam que decidiram seguir a profissão depois de assistir à série. "Nenhum deles me disse que ele os inspirou a se tornarem atores", brincou.
Depois de MASH*, Alda continuou trabalhando em diferentes produções. Entre os destaques estão o filme As Quatro Estações, de 1981, que escreveu, dirigiu e protagonizou, e O Aviador, de Martin Scorsese, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar em 2005. Também participou da série The West Wing, interpretando o senador Arnold Vinick, papel que lhe rendeu seu sexto Emmy.
Hoje, ao falar abertamente sobre o Parkinson, o ator demonstra que sua relação com o trabalho, com o humor e com as pessoas continua sendo uma parte importante de sua vida. Sua experiência traz uma reflexão sobre o envelhecimento e a convivência com doenças crônicas: embora nem sempre seja possível controlar as mudanças que acontecem com o corpo, encontrar novas formas de realizar atividades, cultivar vínculos e respeitar os próprios limites pode ajudar a tornar o cotidiano mais significativo.
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