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Angélica Kalil: "Apagar uma mulher da História é diminuir a importância de todas as mulheres"

Como a estrutura patriarcal invisibiliza o legado feminino, é preciso resgatar essas trajetórias do passado para, assim, transformar o imaginário coletivo e garantir a equidade de direitos no futuro

8 mar 2026 - 12h09
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Só de conversar nos bastidores da entrevista com a roteirista e escritora  Angélica Kalil a gente já sente um orgulho danado de ter nascido mulher. Em menos de 5 minutos de papo, ela menciona uma meia dúzia de nomes de mulheres que, em diferentes períodos, foram autoras de feitos importantíssimos para a humanidade. O problema é que isso raramente é mencionado. Não se aprende na escola ou em lugar algum. Como a História é escrita por homens, os louros recaem sobre eles. Fomos (e,ainda hoje, somos) apagadas. Nos registros oficiais ou na vida.

Angélica Kalil em entrevista exclusiva para o site Bons Fluidos
Angélica Kalil em entrevista exclusiva para o site Bons Fluidos
Foto: Divulgação / Bons Fluidos

Ah, o patriarcado...

Para ela, tudo começa na infância, com os ensinamentos (equivocados) sobre onde é o lugar da mulher.  "Duas arquitetas urbanistas em Barcelona  fizeram mapeamento de onde as crianças ficam na hora do recreio. Os meninos ficam sempre no meio do espaço, jogando na quadra e as meninas em volta, quietas. Desde sempre, estimulam os meninos a explorar o espaço público, a falar, se expor, enfim, a não acharem ruim que as atenções estão neles. As meninas, dizem o contrário: fiquem quietinhas, encolhidas. Jogar não é coisa de menina... Por isso, elas crescem com vergonha de se expor", afirma.

Ela destaca como figuras femininas fundamentais desde a Grécia Antiga, passando por cientistas modernas, que os registros oficiais omitiram. Angélica afirma que existe a Lei 14.986, sancionada em 25 de setembro de 2024, que obriga escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio a incluírem no currículo o estudo das contribuições, experiências e perspectivas femininas na história, ciência, artes e cultura. No entanto, pouca gente sabe disso.

Angélica Kalil e o reconhecimento das vozes femininas

Angélica Kalil cita diversas mulheres cujas contribuições foram fundamentais em áreas como filosofia, ciência e política, mas que frequentemente sofrem apagamento histórico nos registros oficiais. Uma delas é Aspásia de Mileto. Foi uma

mestre em oratória

na Era de Ouro de Atenas e companheira de Péricles. Angélica destaca que ela foi

professora de

Sócrates.

Além disso,

historiadores acreditam que ela era a mente por trás dos famosos discursos do marido. 
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A jornalista também destaca Bertha Lutz: A bióloga e sufragista brasileira teve um papel político internacional de destaque, ao ser a responsável por garantir que a palavra "mulheres" estivesse presente na carta de fundação da ONU.

Por fim, quando perguntada sobre os caminhos para que uma mudança, de fato, ocorra, Angélica fala da importância de que a valorização comece por nós mesmas: "É acreditar as mulheres, chamar mulheres para trabalhar, preencher a vaga na empresa, ler livro de mulher  - escrito por mulher  ... Não é deixar de ler os homens, mas também ler as autoras." 

Bons Fluidos
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