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Como saber se é rinite ou resfriado

Rinite ou resfriado? Especialista explica como diferenciar e ainda dá dicas de prevenção para ambos os casos

11 set 2026 - 13h13
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Resumo
A rinite alérgica atinge até 30% dos jovens no Brasil e difere do resfriado por ser uma reação imune não contagiosa, sem febre, caracterizada por coceira e coriza líquida persistente ligadas a gatilhos como ácaros e poluição. Já o resfriado é viral, autolimitado e dura poucos dias. O controle da rinite exige orientação médica com antialérgicos ou imunoterapia, além de higiene ambiental no lar, como evitar tapetes, cortinas, fumaça de cigarro e o uso de capas protetoras contra poeira.

Doença atinge cerca de 26% das crianças e 30% dos adolescentes brasileiros 

Espirros repetidos, nariz que escorre, sensação de entupimento e aquela coceira insistente no nariz e nos olhos. Esse conjunto de sinais caracteriza a rinite alérgica, condição que normalmente aparece depois dos 2 anos de idade e atinge aproximadamente 26% das crianças no Brasil. No caso dos adolescentes, o número sobe para 30%, segundo levantamentos do ISAAC (Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância), e continuam aumentando ao longo do tempo. 

Foto: Freepik / Revista Malu

Substâncias presentes no dia a dia podem ser as causas para as crises de rinite alérgica, como os alérgenos: ácaros da poeira doméstica, pelos e descamação de animais como gatos e cães, restos de baratas, fungos (mofos). Outros fatores também pioram os sintomas, por mecanismos irritativos diretos na mucosa nasal, como: poluição, fumaça de cigarro, produtos químicos, cheiros mais fortes e cloro. 

"Não é apenas questão de genética, é a relação dos nossos genes com o ambiente. Quem vive em grandes cidades acaba ficando mais exposto à poluição e a diversos irritantes ambientais, o que favorece o aparecimento dessas doenças alérgicas", alerta o Dr. Fausto Matsumoto, Coordenador do Departamento Científico de Rinite da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). 

Como diferenciar rinite alérgica de resfriado 

Muitas vezes, a rinite alérgica é confundida com um resfriado comum, o que pode atrasar o diagnóstico correto e o tratamento adequado. "A rinite alérgica não causa febre e os sintomas persistem enquanto o paciente estiver exposto ao alérgeno. Já o resfriado é autolimitado, costuma durar cerca de uma semana e pode vir acompanhado de febre e mal-estar", explica o Dr. Matsumoto. 

O coordenador da ASBAI aponta os principais pontos que diferenciam as duas doenças: 

Causa: 

  • Rinite alérgica: reação do sistema imune a alérgenos (ácaros, polens, epitélios animais, fungos) 
  • Resfriado comum: infecção viral 

Febre: 

  • Rinite alérgica: ausente 
  • Resfriado comum: pode ocorrer febre baixa 

Espirros: 

  • Rinite alérgica: em salva (vários seguidos), frequentes 
  • Resfriado comum: ocasional, mais discreto 

Coriza (nariz escorrendo): 

  • Rinite alérgica: líquida e transparente, persistente por semanas 
  • Resfriado comum: pode começar clara e tornar-se espessa/amarelada 

Coceira: 

  • Rinite alérgica: nariz, olhos, garganta e/ou ouvidos coçam com frequência 
  • Resfriado comum: raramente há coceira 

Duração: 

  • Rinite alérgica: crônica — os sintomas vão e voltam enquanto há exposição ao alérgeno 
  • Resfriado comum: 7 a 10 dias, com melhora progressiva 

Contágio: 

  • Rinite alérgica: não é contagiosa 
  • Resfriado comum: transmissível de pessoa para pessoa 

O tratamento da rinite alérgica baseia-se em três pilares: reconhecer os gatilhos que provocam a alergia e reduzir a exposição (higiene ambiental); uso de antialérgicos (anti-histamínicos) e corticoides nasais tópicos, sempre com orientação médica; e imunoterapia (vacina para alergia) indicada em casos selecionados, modificando a resposta imune, proporcionando controle de longo prazo. 

A automedicação pode mascarar sintomas e atrasar um diagnóstico adequado e, por isso, a avaliação com um médico alergista imunologista é muito importante para se iniciar o tratamento mais adequado para cada caso.  

Dr. Fausto Matsumoto conta que, em conjunto com o uso dos medicamentos, mudanças no ambiente doméstico também podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises de rinite: 

  • Evite ambientes com fumantes, já que o cigarro é um poluente intradomiciliar e desencadeia crises de rinite e asma; 
  • Use capas impermeáveis em colchões e travesseiros que podem ajudar a proteger de ácaros; 
  • Troque e lave regularmente as roupas de cama, secando ao sol ou em ar quente; 
  • Evite tapetes, carpetes, cortinas e almofadas, especialmente nos dormitórios; 
  • Dê preferência a pisos de cerâmica, vinil e madeira, e a cortinas tipo persiana ou de material que possa ser limpo com pano úmido; 
  • Passe pano úmido diariamente na casa ou use aspirador de pó com filtros especiais (HEPA) duas vezes por semana; 
  • Evite o uso de perfumes ou aromatizadores de ambiente, incensos e exposição à fumaça de cigarro, charuto, cachimbo ou vapes/pods. 
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