O segredo para fazer uma casa acessível e evitar acidentes com o passar dos anos, mas sem parecer hospital
Veja como detalhes na marcenaria, iluminação e revestimentos garantem autonomia, conforto e segurança em todas as fases da vida
Projetar uma casa acessível para o envelhecimento sem perder o aconchego exige unir segurança e estética por meio do design universal. O segredo reside em detalhes sutis: ausência de desníveis, vãos de portas mais largos, iluminação estratégica e pisos antiderrapantes elegantes. Barras de apoio multifuncionais disfarçadas de toalheiros e móveis ergonômicos previnem quedas graves e garantem autonomia sem conferir ao lar um aspecto clínico ou hospitalar.
Projetar um lar com foco no envelhecimento pode não estar nos seus planos hoje, mas é uma das decisões mais inteligentes para garantir tranquilidade no futuro. Isso porque uma casa acessível preserva a autonomia e o conforto de todos os moradores — beneficiando idosos, crianças, gestantes e pessoas com mobilidade temporária.
Por outro lado, o preconceito cultural ainda atrapalha. Instalar barras de apoio no banheiro, por exemplo, é visto por muitos como um lembrete incômodo da idade, quando, na prática, é um recurso vital de prevenção.
Circulação livre e iluminação inteligente na casa acessível
O primeiro passo para um lar funcional é olhar para os caminhos da casa. Corredores amplos, portas mais largas e a eliminação de pequenos degraus previnem tropeços e facilitam socorros de emergência.
Da mesma forma, a marcenaria deve ser pensada para facilitar o dia a dia:
-
Puxadores anatômicos: prefira modelos de pega ergonômica e robusta, descartando cavas rasas ou puxadores muito finos.
-
Acessibilidade diária: guarde pratos, talheres e itens frequentes entre 50 cm e 1,5 m do chão, evitando agachamentos profundos ou uso de escadas.
-
Luz sem sombras: aposte em iluminação clara na circulação e lâmpadas inteligentes acionadas por voz.
A autora do livro 'Arquitetura da Longevidade', Adriana Peccin, deu a dica prática ao portal 'Casa e Jardim': "Utilizar interruptores de cores contrastantes com a parede, facilitando a visualização, e posicionar tomadas em locais de fácil acesso".
Como adaptar cada cômodo da casa acessível
Se o objetivo é reformar o espaço atual, as mudanças por ambiente garantem um resultado eficiente:
Banheiro
É o local de maior risco de escorregões. A instalação de barras no boxe e ao lado do vaso é indispensável. Então, para o piso, o arquiteto Guelo Nunes orientou: "O truque é buscar produtos com acabamentos rústicos, como levigado ou escovado no caso de pedras, matte ou acetinado no caso de porcelanatos". Pastilhas menores também funcionam bem pelo atrito do rejunte. Além disso, crie contraste visual entre chão e parede para ajudar quem tem baixa visão, evite banheiras, prefira boxes amplos e use torneiras com alavanca.
Sala de estar
Na sala de estar, por sua vez, remova mesas de centro do caminho e aposte em mesas laterais pesadas, que sirvam de apoio firme em perdas de equilíbrio. Elimine os tapetes soltos e os fios espalhados. Contudo, se quiser usar tapete, fixe-o com fita dupla face e descarte franjas. O sofá deve ter altura e firmeza ideais para facilitar o ato de sentar e levantar.
Cozinha
Ademais, na cozinha, substitua o fogão a gás por modelos de indução ou elétricos com timer sonoro para evitar riscos de chamas ou esquecimentos. Por fim, troque portas de armários inferiores por gavetões, garantindo visão completa dos utensílios, e fixe números de emergência na geladeira. Em suma, antecipar o design universal transforma a casa em um porto seguro para toda a vida.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.