Medição individualizada ajuda a economizar com água
Você pode estar pagando pela água que não consome. Segundo Eduardo Lacerda, da Techem do Brasil, "a grande maioria não sabe quanto gasta, e cerca de 30% da taxa de condomínio é pagamento por serviço de saneamento". No Brasil, o cálculo de quanto cada um deve é feito dividindo o total utilizado no condomínio em um mês pelo número de unidades. Não importa se alguém usou mais ou menos, todos devem a mesma coisa. Existe, no entanto, uma maneira de cada um responder apenas pelo que efetivamente consumiu. É a medição individualizada. Nela, a empresa pública continua calculando o uso total de água, mas, como é possível saber exatamente quanto cada apartamento gastou, só se paga o que se deve.
Segundo Daniel Rezende, da Hidrotech, existem dois tipos de equipamentos. O presencial exige que a leitura seja feita periodicamente ao vivo. Já o de radiofrequência pode ser acessado por um computador. A conveniência do último é que ele pode ser instalado dentro do apartamento, sem necessidade de que alguém entre para verificar o consumo da unidade. Já o primeiro pode ser instalado dentro ou fora, mas demanda que uma pessoa faça a leitura do medidor.
Os prédios mais novos já vêm preparados para instalar a medição individualizada, e só precisam de um equipamento. Os mais antigos, no entanto, tem que ser adaptados, pois o abastecimento é feito por diversas colunas, e os medidores devem ser colocados em cada uma delas, para se ter o consumo total da unidade. De qualquer forma, a instalação demanda apenas uma "microcirurgia", como afirma Lacerda.
É preciso aprovação em assembleia condominial para fazer a adaptação, mas as vantagens econômicas são perceptíveis. Rezende diz que a economia com a medição individualizada pode chegar a até 73% em relação ao que era pago. Isso ocorre por um efeito duplo. Por um lado, aqueles que já consumiam pouco, mas gastavam pela média do consumo geral, vão passar a pagar apenas pelo que usam. Já os que gastam mais começam a sofrer no bolso o preço do desperdício, racionalizando o uso da água. Logo, há também benefícios para o meio ambiente ao incentivar a economia desse recurso.
Não existe ainda uma normatização para o mercado de medição individual. Por isso, Lacerda recomenda que se procurem serviços de confiança para fazer a instalação. Ele chama a atenção ainda para o fato de que, além de instalar, é preciso também contratar alguém para fazer a leitura, realizada de formas diferentes por cada empresa. Lacerda usa o exemplo do estado de São Paulo, no qual a cobrança individual pode ser feita pelos parâmetros da Companhia de Saneamento do Básico do Estado (Sabesp), com uma cobrança progressiva. Quem gasta mais, paga mais pelo litro de água usado. Já na cobrança em que se divide simplesmente a quantidade total pela proporção que cada unidade consumiu, todos pagam a mesma coisa pelo litro, punindo quem economizou.
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Especial para o Terra