Rio Fashion Week: estreante Argalji extrapola limites da modelagem e expõe espuma e renda em peças com formatos arquitetônicos
Na estreia da Argalji no Rio Fashion Week, Monique Argalji mostrou que não está interessada no óbvio. A estilista levou para a passarela uma coleção que extrapola os limites da modelagem e trata a roupa quase como construção arquitetônica, redesenhando a silhueta feminina com volumes que saem do corpo e criam novas proporções. Não à toa, a coleção se chama Moldar.
O ponto de partida é manual, quase íntimo. Monique, que é modelista e costureira, trabalha a peça desde a origem, testando materiais e formas no próprio processo. A espuma, que costuma ficar escondida nos bojos, aparece aqui como protagonista, moldando estruturas ao lado da lycra. A renda, em parceria com a Duloren, surge exposta e ressignificada, carregando também um valor afetivo. A marca foi criada no Rio de Janeiro pelo avô da estilista, um alfaiate imigrante libanês, o que reforça a ligação direta entre memória familiar e construção da coleção.
Na passarela, isso se traduz em vestidos de presença forte, com mangas estruturadas, drapeados e saias que crescem em volume até ganhar comprimentos longos. As peças parecem tensionadas entre maciez e rigidez, criando formas quase escultóricas, como se fossem erguidas no corpo. Há uma sensação de movimento contido, de algo que se expande, mas com controle. Calçados da mesma cor das peças envolvem os pés com delicadeza, lembrando os pró-pés de clínicas médicas, como uma forma de proteção.
A cartela, centrada em preto, bege, vermelho e amarelo intenso, reforça essa ideia de força e contraste. No fim, a Argalji estreia como um nome que olha para dentro, para o fazer manual e a memória, mas projeta para fora uma moda que desafia o olhar e reposiciona o corpo no espaço.
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