Moda artesanal brasileira brilha na Semana de Milão com destaque internacional
Com foco em sustentabilidade, marcas nacionais transformam as raízes culturais do país em peças de luxo para o mercado internacional
A moda artesanal e sustentável do Brasil ganha destaque internacional na Semana de Moda de Milão e na feira White Milano. O evento Brazilian Sustainable Fashion in Milan reúne estilistas do Pará, Paraíba e Alagoas, como Ludimila Heringer, Natural Cotton Color e Alina Amaral. Com técnicas de crochê, renda filé, bordados e tingimento natural, 23 marcas nacionais projetam a rica identidade cultural e o feito à mão brasileiro no mercado global, unindo tradição regional e sustentabilidade.
O feito à mão brasileiro está pronto para ganhar os holofotes internacionais! Durante a Semana de Moda de Milão, marcas nacionais apresentam criações que unem técnicas artesanais, sustentabilidade e diferentes referências culturais do país.
A ação Brazilian Sustainable Fashion in Milan reúne marcas comprometidas com práticas sustentáveis em uma apresentação marcada para 22 de setembro, na Itália. Entre as participantes estão criadoras do Pará, da Paraíba e de Alagoas, mostrando diferentes possibilidades da moda artesanal brasileira.
Crochê inspirado na natureza
A estilista paraense Ludimila Heringer apresenta uma coleção inspirada na folha da mandioca-brava. Com apoio da Círculo, a proposta utiliza crochê em tons de cru, rosa e verde, além de tingimento natural e estampa botânica.
A coleção também brinca com diferentes tipos de fios, relevos e aplicações bordadas. Depois de Milão, Ludimila participa ainda da White Milano e de um showroom internacional. O trabalho manual também aparece na coleção "Paraibê-a-ba, Mulheres de Fibra", da Natural Cotton Color.
A moda nacional artesanal e sustentável desembarca na Itália para o Brazilian Sustainable Fashion in Milan - Foto: Gabriela Fiuza
A apresentação homenageia mulheres da Paraíba por meio de peças desenvolvidas com renda filé e crochê. Os trabalhos foram elaborados após oficinas com artesãs de comunidades de Ingá e Monteiro. Dessa forma, técnicas tradicionais do Sertão e do Agreste paraibanos chegam ao circuito internacional da moda.
Outra representante brasileira em Milão é Alina Amaral, responsável pela coleção Avesso do Céu. Para criar as peças, a estilista mobilizou 22 bordadeiras e trabalhou com produtos originais.
O crochê, a renda filé e os bordados dominam as coleções - Foto: Ludimila Heringer
A marca também faz história ao ser a primeira alagoana a desfilar em Milão com selo FOE. A participação reforça a presença da moda produzida no Nordeste em espaços internacionais.
E ainda tem a White Milano
Dois dias depois do desfile da Milano Fashion Week, acontece a White Milano, feira internacional voltada ao design independente e à geração de negócios. O evento reúne 23 marcas brasileiras em uma exposição. Entre elas está novamente Ludimila Heringer, que apresenta peças de crochê com elementos como açaí e madeira.
Além da passarela, 23 marcas nacionais vão expor na famosa feira White Milano - Foto: Gabriela Fiuza
Gabriela Fiuza também participa da feira com uma coleção que repensa o crochê para o mercado internacional. As peças misturam fios de poliamida e algodão e apostam em flores gráficas e tridimensionais. Broches, aplicações e acessórios aparecem ao lado de uma releitura dos tradicionais rococós.
Na coleção, eles são transformados em franjas, elemento que já virou uma assinatura da marca. No fim, a presença brasileira em Milão mostra que o artesanato pode ocupar diferentes espaços na moda. E, dessa vez, crochê, bordado e outras técnicas feitas à mão atravessam o oceano para contar histórias do Brasil.
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