Estilista brasileiro transforma MDF em obras de arte para vestir
O tema do Met Gala deste ano é "Fashion is Art" (Moda é Arte). O evento acontece no dia 4 de maio, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. A exposição que se seguirá ao baile beneficente, "Costume Art" (Arte do Traje), contará com looks da brasileira Renata Buzzo, apresentados no SPFW 2025. A tênue fronteira entre arte e moda, porém, pode ser observada também em outras passarelas.
Na noite desta terça-feira (3), o estilista e multiartista Jay Boggo apresentou, a convite da empresa de MDF Placas do Brasil, um desfile na Pinacoteca de São Paulo, em que vários dos 24 looks podem ser definidos como esculturas. Outros traziam detalhes e acessórios — brincos, colares e pulseiras — em formato de esferas, com ripas e placas do material inspiradas em elementos da Mata Atlântica.
A coleção, intitulada Botânica, foi dividida em seis inspirações, que também orientam os lançamentos da empresa, com foco em sustentabilidade: Alocasia, Azul Atlântico, Tauari Solar, Ipê Dourado, Carvalho Angra e Carvalho Costeiro.
Nos bastidores, antes do desfile, Jay conversou com o Elas no Tapete Vermelho e afirmou que o projeto foi um dos maiores desafios da carreira. "Apesar de eu estar acostumado a trabalhar com madeira e pedras, foram meses para entender o MDF, que funciona como uma lâmina mais rígida, sem vestibilidade", disse.
No material de divulgação, o estilista completou: "Quando recebi o convite, sabia que não queria apenas apresentar uma coleção, mas transformar o lançamento em algo inédito. Levar o MDF para a moda exigiu testes, experimentação e adaptação cuidadosa da técnica. Esculpimos o material, estudamos encaixes e volumes para que acompanhasse o movimento do corpo. Foi um processo quase artesanal."
Muitos looks combinavam aplicações do material rígido a tecidos como seda, linho, algodão e sintéticos, criando contraste entre estrutura e fluidez. Destaque para o vestido azul com acessório de MDF aplicado no dorso, formando volume escultural em diálogo com a leveza do tecido. As criações foram pensadas como esculturas vestíveis: o material recebeu novas espessuras, estudos de encaixe e volumes para dialogar com silhuetas contemporâneas. O que antes revestia ambientes ganhou a passarela, ampliando o diálogo entre arte e moda.
A apresentação contou também com criações assinadas pelo designer Paulo Balbino, finalizando cada bloco do desfile. Cada parte trazia peças feitas com um dos MDFs lançados pela Placas do Brasil, dentro da coleção Botânica, que levou dois anos de estudo da equipe criativa da empresa.
Algumas peças eram rígidas e estruturadas, com ar cenográfico, lembrando roupas da realeza - caso das saias volumosas, que traziam rodinhas nas barras para deslizar pela passarela. As peças dialogavam com as outras de Jay, que apresentavam maior maleabilidade, facilitando o uso.
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