Com Lais Ribeiro e Betty Faria, Misci desfila a força de Tieta
A Misci, uma das queridinhas das famosas, que marcaram presença na noite desta quinta-feira (24), no prédio da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, se inspirou em Tieta, personagem de Jorge Amado, homenageando mulheres fortes, que saem da ficção e lutam na vida real.
Na passarela, nomes como Lais Ribeiro, em seu primeiro desfile após ter dado à luz ao seu filho mais novo, Eze, de 5 meses (a top já é mãe de Alexandre, de 17 anos). Além dela, Betty Faria, a eterna Tieta, após o desfile, de braços dados com Airon Martin, dono da marca. Ambos caminharam até o meio da passarela, cujo centro reproduzia as dunas Mangue Seco, cenário onde se passa o romance baiano.
As dunas também apareceram nas solas de alguns calçados criados em parceria com a designer Paula Torres, que apresentou escarpins diferenciados, botas, sapatilhas e mules para o desfile.
A grife apresentou parcerias com o artista Elian Almeida, que criou a obra "Mangue Seco", mostrando suas Tietas pintadas à mão, em lenços, vestidos e camisas, e também com designer Gabriel Azevedo, na estampa Kama Sutra em peça única.
Além dessas estampas, a marca também se inspirou na fauna da caatinga brasileira, com quati, teju, onça ountada e borboleta em releituras diferenciadas, deixando claras as referências nordestinas da coleção.
Laís Ribeiro finalizou a apresentação com peça-conceito que foi para leilão pós-desfile. Feito à mão, o casaco longo, com bordados foi uma co-criação da Misci com o Insitituto Riachuelo, que trabalha com as mulheres artesãs da Casa das Bordadeiras, em Timbaúba dos Batistas, e da Associação Rendeiras de Alcaçuz, ambas do Rio Grande do Norte. O lucro do leilão será inteiramente revertido para capacitação dos projetos sociais da instituição.
As dezenas de looks mostrados na passarela vinham com crochê, recortes inesperados, tiras esvoaçantes, camisas, vestidos, blusas e calças leves, com a seda brasileira, uma das marcas registradas da Misci.
Amarrações e bordados feitos com o fio de látex amazônico, da DaTribu, desenvolvido a partir de práticas rastreáveis e ambientalmente responsáveis em todas as etapas.
Não faltaram ainda peças em crochê para vestir e também em bolsas. Ao mesmo tempo que o trabalho manual se impunha, a alfaiataria leve e desconstruída se misturava com outras peças de seda, de couro, materiais ecológicos e siustentáveis, além do crochê, conferindo pesos diferentes em cada look.
Aliás, entre os materiais sustentáveis, está a tecnologia "Pelle Verde", desenvolvida exclusivamente em colaboração com a beLEAF™. "Após dois anos de pesquisa, junto a Nova Kaeru e ao cientista Eduardo Filgueiras, a iniciativa tech traz talos visíveis na textura do material e aproveita a planta — da folha ao caule — para reduzir significativamente o volume de descarte no processo produtivo", explicou o material de divulgação.
Nas cores, a Misci levou o marrom, um pouco de vinho, além de tons como vermelho, amarelo, azul e cinza, ora juntos, ora em monocromia.
Entre os acessórios, além dos sapatos, que já estão à venda, bolsas grandes e pequenas, com texturas e lisas, lenços na cabeça e óculos grandes, ovalados na horizontal, que lembram os famosos acessórios enormes da Balenciaga. O bacana da peça é que apareciam coloridos, nas lentes e nas armações.
Airon Martin disse, no material de divulgação, que a coleção explora a figura de Tieta não apenas como uma personagem literária, mas como uma mulher forte e independente, que luta contra adversidades e defende suas raízes e valores. "Ao resgatar essa força feminina
como cerne da narrativa, a Misci celebra a resistência das comunidades que preservam seus territórios naturais e promove um diálogo urgente sobre a coexistência entre progresso e preservação", define o release da marca. Um resumo disso tudo foi visto na passarela.
Veja mais fotos do desfile da Misci
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