Ateliê Mão de Mãe: crochê de luxo e ancestralidade
A Ateliê Mão de Mãe transforma o crochê em um símbolo de luxo e representatividade. Fundada por Vinicius Santana, a marca valoriza a ancestralidade e o trabalho manual. Com peças icônicas, como o top de cabaças usado por Anitta, o ateliê quebra estigmas e conquista espaço na moda brasileira, inspirando mudanças e exaltando histórias de afeto. ✨🧵
Muito além de looks impecáveis, existe um propósito gigante! Cada ponto tecido pela Ateliê Mão de Mãe carrega uma história de resistência, autonomia e afeto. Não é à toa que a marca se tornou um dos maiores fenômenos da moda contemporânea.
Nascida do desejo de valorizar o talento de Luciene Santana, a Ateliê quebrou barreiras e transformou o crochê em um artigo de luxo, desejo e muita ancestralidade!
Conexão espiritual com a nova era de Anitta
Vestir Anitta na era EQUILIBRIVM II elevou o trabalho da Ateliê a um patamar quase místico. Vinicius Santana, fundador e diretor criativo da marca, conta que, ao acompanhar a primeira parte do projeto da cantora, sentiu um misto de encantamento e um leve aperto no coração por não estar envolvido.
"O álbum tem toda conexão com a nossa marca, que é pautada em memórias afetivas, na sensibilidade, no Candomblé. Minha mãe é artesã, eu sou um homem LGBTQIAPN+ que tem o Candomblé como principal ponto de fé", explica.
De collabs icônicas com marcas gigantes até os maiores palcos da moda: a Ateliê Mão de Mãe é um fenômeno absoluto e veio para fazer história! - Foto: André Nicolau
"Quando eu vi EQUILIBRIVM I, eu vi a Ateliê Mão de Mãe ali. Um amigo me disse: 'Fica tranquilo, é um momento de você focar na sua cura, outras oportunidades virão'".
O que Vinicius não sabia é que o destino já estava tecendo um encontro perfeito. Pouco tempo depois, a equipe de styling da cantora, liderada por Daniel Ueda, entrou em contato pedindo opções de acervo para a segunda parte do projeto. Sem criar expectativas para não se frustrar, o diretor criativo enviou as peças de forma despretensiosa.
"Do nada, numa quinta-feira, no dia de Oxóssi, que é o meu Orixá, eu recebi várias fotos de todos os meus amigos dizendo: 'essa saia é da Ateliê!'. Eu falei: 'Meu Deus, Oxóssi realmente é muito vivo na minha vida!'. A gente mandou na sorte, era uma peça de uma coleção antiga que acabou na comunicação principal de um álbum incrível que faz muito parte da minha história", relembra Vinicius.
Hoje, a marca vive um momento de profunda reestruturação. Segundo Vinicius, a empresa passa por uma fase de transição. "É um momento em que estamos dando alguns passos que podem ser vistos como 'para trás', mas, para mim, é um passo muito grande para conquistarmos coisas ainda maiores", revela.
O segredo ancestral do Top de Cabaças
Além da saia vermelha marcante da capa, Anitta roubou a cena no clipe de "Sal Grosso" usando um espetacular e autêntico top de cabaças. A peça é uma verdadeira joia artesanal, criada e desenvolvida exclusivamente pelas mãos cuidadosas de Dona Luciene.
A marca transformou o trabalho manual em um verdadeiro artigo de luxo e desejo na nossa contemporaneidade - Foto: André Nicolau
"Muita gente não sabe o que é a cabaça. Ela representa o ventre, o Orí na nossa religião. Ela nasce na árvore e nenhuma delas nasce igual. Por mais que eu faça cinco tops, cada um vai ter uma identidade, um formato e uma estética muito única", detalha Vinicius. O processo de criação é longo e exige uma dedicação quase ritualística.
"Passamos pelo processo de ir à feira, escolher minuciosamente uma por uma. Depois tem a limpeza, lixar, aplicar a nogueira para colorir - e essa tinta demora quase uma semana para sair da mão! É um processo muito ancestral e cheio de energias por trás. E para o clipe, o top precisou de toda uma fita para ser encaixado e ficar perfeitamente seguro no corpo da artista".
Ver a obra de Dona Luciene brilhando no corpo de Anitta foi o ápice de uma missão de vida para o filho. "A minha mãe sempre teve o trabalho desvalorizado desde os 13 anos de idade. Hoje, vê-la vestindo uma mulher com tanta representatividade no Brasil e no mundo é gratificante. Um amigo me mandou mensagem dizendo: 'Você sabe que está vestindo a Beyoncé do Brasil, né?'. Isso me motiva a não desistir do meu propósito, que sempre foi valorizar o trabalho da minha mãe", confidencia Vinicius.
A revolução do crochê: de "roupa de vó" ao protagonismo
A semente plantada pelo Ateliê floresceu e contaminou toda uma geração. Se antes o crochê carregava o estigma pejorativo de "roupa de vó", hoje é sinônimo de poder e autenticidade!
"Várias artesãs nossas contam que antes faziam peças e as filhas não queriam usar. Falavam que a roupa não prestava. Hoje, elas imploram para as mães fazerem e para terem o crochê!", comemora Vinicius.
Estar no São Paulo Fashion Week foi o momento em que a ficha do sucesso gigantesco realmente caiu para a equipe - Foto: reprodução/@ateliemaodemae
"Ver as filhas valorizando, querendo usar esses produtos só porque sabem que elas trabalham para a Ateliê, é uma realização ancestral. Nós somos grandes precursores da história do crochê hoje no Brasil!", celebra.
O tempo do afeto contra o relógio da moda
É exatamente por respeitar essa ancestralidade e o ritmo do trabalho manual que a Ateliê Mão de Mãe decidiu abraçar seu próprio tempo, longe da loucura do calendário tradicional fashion.
"O mercado muitas vezes nos oprime e nos faz acreditar que estamos atrasados por não estar lançando coleção o tempo inteiro. Eu precisei estudar e fazer terapia para entender que não estamos atrasados. Nós somos uma marca manual, com propósito e feito à mão", desabafa o diretor criativo.
Cada ponto do Ateliê Mão de Mãe carrega uma história profunda de autonomia, afeto e muita ancestralidade - Foto: reprodução/@ateliemaodemae
"Não podemos comparar a nossa jornada com grandes grupos que têm investidores por trás. Seguir sem pressa, com verdade, é o que faz sentido para continuar contando belas histórias reais e causando mudanças afetivas na vida de tantas mulheres", finaliza.
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