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Antiga gravação de baleias pode revelar enigmas do mar

20 mar 2026 - 15h20
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Registro redescoberto de 1949 mostra como era o som marinho de uma época em que havia menos interferência humana. Registro dá novas pistas sobre a comunicação desses animais gigantes.Um inquietante canto de baleia descoberto em um equipamento de áudio de décadas atrás pode abrir novas portas para a compreensão de como esses animais enormes se comunicam, de acordo com pesquisadores, que afirmam ser essa a gravação do tipo mais antiga conhecida.

A canção pertence a uma baleia-jubarte - gigante marinho muito apreciado por sua natureza dócil e saltos espetaculares para fora da água - e foi gravada por cientistas em março de 1949 nas Bermudas, de acordo com pesquisadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole em Falmouth, Massachusetts, EUA.

Igualmente importante é o som do oceano circundante, explicou Peter Tyack, bioacústico marinho e pesquisador emérito de Woods Hole. Vale ressaltar que o oceano no final da década de 1940 era muito mais silencioso do que é hoje, proporcionando um contexto diferente daquele a que os cientistas estão acostumados, ao ouvir cantos de baleias.

As gravações recuperadas "não só nos permitem rastrear os sons das baleias, como também nos dizem como era a paisagem sonora do oceano no final da década de 1940", disse Tyack. "Isso é muito difícil de reconstruir de outra forma."

Essa gravação também pode ajudar os cientistas a entender melhor como novos sons criados pelo homem, como o aumento do ruído marítimo, afetam a comunicação das baleias. Pesquisas da agência americana Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) indicam que as baleias podem variar seu comportamento vocal dependendo dos ruídos em seu ambiente.

Curiosidade que virou descoberta

Além disso, a gravação é quase 20 anos anterior à descoberta do canto das baleias pelo cientista Roger Payne. Naquela época, cientistas de Woods Hole, a bordo de um navio de pesquisa, estavam testando sistemas de sonar e realizando experimentos acústicos em conjunto com o Escritório de Pesquisa Naval dos EUA quando capturaram o som, explicou Ashley Jester, diretora de dados de pesquisa e serviços de biblioteca da instituição.

"Os cientistas não sabiam o que estavam ouvindo, mas decidiram gravar e preservar os sons mesmo assim", observou Jester.

"E eles eram curiosos. Então, mantiveram o gravador ligado e até passaram um tempo fazendo gravações em que, deliberadamente, seus barcos não faziam ruído, para que pudessem ouvir o máximo possível", explicou ele. "E eles guardaram essas gravações", acrescentou Jester.

Preservação afortunada

Cientistas de Woods Hole redescobriram o canto enquanto digitalizavam gravações antigas no ano passado. O áudio em questão estava em um disco bem preservado, criado com um Gray Audograph, um tipo de gravador usado na década de 1940; e foi Jester quem localizou o disco.

"Embora o equipamento de gravação subaquática usado na época fosse considerado rudimentar pelos padrões atuais, era tecnologia de ponta", explicou Jester. Além disso, o fato de o som estar gravado em um disco de plástico é significativo, já que a maioria das gravações daquela época era feita em fita, que se deteriorava com o tempo.

Novo ponto de partida

A capacidade das baleias de produzir sons é crucial para sua sobrevivência e fundamental para sua socialização e comunicação. Esses sons incluem estalos, assobios e vocalizações, de acordo com cientistas da NOAA que os estudam.

Os sons também lhes permitem aos animais encontrar alimento, orientar-se, localizar-se uns aos outros e compreender o ambiente no vasto oceano, de acordo com os cientistas. Diversas espécies emitem sons repetitivos que se assemelham a canções. As baleias-jubarte, que podem pesar até 40 toneladas, são as cantoras mais renomadas do oceano, capazes de produzir vocalizações complexas que podem soar etéreas ou até mesmo melancólicas.

"A descoberta dessa canção perdida, de uma época em que o oceano era mais tranquilo, pode ser um ponto de partida para uma melhor compreensão dos sons que esses animais produzem hoje", disse Hansen Johnson, cientista pesquisador do Anderson Cabot Center for Ocean Life para a Vida Oceânica do Aquário da Nova Inglaterra, nos EUA.

"Além disso, é simplesmente lindo de se ouvir e inspirou muitas pessoas a se interessarem pelo oceano e a se importarem com a vida marinha em geral", disse Johnson, que não participou da pesquisa. "É algo realmente especial."

md (DW, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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