Alerta de saúde: o que a revelação de Madonna sobre o joelho diz sobre o uso de salto alto?
Aos 67 anos, a rainha do pop revelou sofrer com o desgaste severo nas articulações; médico ortopedista explica como o calçado de luxo altera a anatomia e destrói a patela
As exigências físicas do mundo dos espetáculos costumam cobrar um preço alto das articulações a longo prazo. Aos 67 anos, a cantora Madonna chamou a atenção do público ao detalhar uma condição dolorosa que afeta diretamente a sua mobilidade atual. Em depoimento recente concedido à publicação americana Interview Magazine, a artista revelou que não possui mais nenhuma cartilagem na região do joelho devido ao impacto de sua carreira.
Nesse sentido, a revelação joga luz sobre um hábito estético comum fora dos palcos: as consequências do uso prolongado de salto alto na saúde musculoesquelética. O equilíbrio do corpo sofre alterações profundas quando os calcanhares são mantidos em uma posição muito elevada.
O desabafo de Madonna
A rainha do pop associou o seu diagnóstico atual à rotina intensa de ensaios e performances coreográficas complexas: "Eu estou com o joelho ruim. Não tenho mais cartilagem nele, graças a tantos anos dançando de salto alto, correndo no asfalto e praticando Ashtanga yoga."
Além disso, a distribuição do peso corporal fica completamente descompensada ao caminhar com esse tipo de calçado. De acordo com os especialistas em traumatologia, o uso habitual de saltos transfere a carga de amortecimento diretamente para a frente dos pés, forçando uma adaptação postural prejudicial. O joelho é obrigado a permanecer em um estado de flexão contínua para compensar o desequilíbrio e manter o tronco ereto.
A visão da medicina sobre a sobrecarga articular
Contudo, os danos provocados nos membros inferiores variam conforme a frequência do uso e a altura do calçado escolhido. O médico ortopedista Marcos Cortelazo, membro atuante da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explica ao site O Globo que o caminhar descalço ou com calçados planos preserva a integridade das articulações de forma natural. O especialista pontua as diferenças biomecânicas provocadas pelo acessório de moda:
"Em uma caminhada normal, o corpo absorve o impacto da passada de maneira mais uniforme. Esse equilíbrio permite que as articulações dos tornozelos e dos joelhos não sejam prejudicadas. Já os saltos causam maior desequilíbrio e exigem mais flexão dos joelhos. Ao deixar a ponta dos pés no chão e o calcanhar elevado, esse tipo de calçado aumenta a sobrecarga sobre a articulação."
Da mesma forma, o uso de salto alto atua como um gatilho perigoso para quem possui predisposição genética ou desalinhamentos ósseos. Um dos problemas mais comuns associados a esse hábito é o amolecimento e posterior desgaste da capa que protege a patela, um quadro conhecido clinicamente como condromalácia patelar. A patologia causa episódios de dor aguda ao realizar movimentos corriqueiros, como subir degraus, agachar ou passar muito tempo com as pernas cruzadas.
Como proteger o joelho sem abrir mão do salto?
Para o profissional, a melhor estratégia para proteger a saúde sem abrir mão da elegância passa pelo bom senso e pela moderação. O especialista recomenda que as pessoas evitem a utilização diária do calçado, reservando o salto alto para ocasiões festivas ou eventos corporativos esporádicos. No dia a dia, deve-se dar preferência a sapatos com bases mais largas e alturas que fiquem confortavelmente na margem entre 2,5 cm e 5 cm.
Por fim, manter uma rotina constante de atividades físicas focadas no fortalecimento das coxas e panturrilhas ajuda a criar uma proteção muscular ao redor do joelho. O controle rigoroso do peso corporal também é considerado indispensável para diminuir a pressão mecânica sobre as cartilagens. Caso o paciente comece a notar estalos frequentes ou dores após o uso de calçados altos, a recomendação é buscar um atendimento médico imediato com um ortopedista de confiança.
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