Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

68% das dicas de saúde e dieta no TikTok e Instagram são enganosas, revela estudo

Pesquisa apontou ainda que a maioria dos criadores não tem formação em nutrição e encontrou conteúdos que incentivam regras alimentares rígidas

11 set 2026 - 13h21
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Um estudo da Universidade Flinders revelou que 68% dos vídeos sobre dieta e saúde no Instagram e TikTok trazem dados enganosos. A pesquisa apontou que 78% dos criadores não têm qualificação profissional na área, com precisão de apenas 4,7% em seus conteúdos. Além disso, as publicações costumam promover regras rígidas, vilanização de alimentos e objetificação corporal, comportamentos associados ao transtorno alimentar ortorexia nervosa, o que reforça o alerta sobre os riscos dessas dicas à saúde.

Vídeos com receitas, rotinas alimentares e recomendações sobre o que comer aparecem aos montes nas redes sociais. Entretanto, seguir uma dieta ou até pequenos conselhos nutricionais de influenciadores pode levar à adoção de hábitos sem respaldo científico e trazer riscos à saúde.

Estudo analisou dicas de dieta no TikTok e Instagram e encontrou informações enganosas, além de indicações de regras alimentares rígidas
Estudo analisou dicas de dieta no TikTok e Instagram e encontrou informações enganosas, além de indicações de regras alimentares rígidas
Foto: Canva Equipes/Prostock-studio / Bons Fluidos

Uma pesquisa da Universidade Flinders, na Austrália, analisou 300 vídeos publicados no TikTok e no Instagram e identificou um dado preocupante. Segundo o estudo, 68% das informações sobre saúde e alimentação presentes nos conteúdos eram enganosas ou imprecisas. O trabalho foi publicado no Journal of Technology in Behavioral Science.

Quando a dieta saudável vira uma regra

Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram conteúdos associados às hashtags #healthylifestyle, #nutrition e #cleaneating. Além de avaliar as orientações apresentadas, a equipe procurou comportamentos relacionados à ortorexia nervosa.

A condição, considerada um transtorno alimentar, envolve uma preocupação excessiva com a alimentação, que pode levar à adoção de regras rígidas e provocar angústia quando elas não são cumpridas.

"A ortorexia nervosa vai além do interesse por uma alimentação saudável. Envolve uma fixação em comer os alimentos 'certos' e evitar aqueles percebidos como não saudáveis", afirmou a principal autora da pesquisa, Katie Porteous, em entrevista ao 'MedicalXPress'. 

Entre as publicações avaliadas, 67% concentravam o conteúdo em escolhas alimentares associadas ao bem-estar. Além disso, quase um terço incentivava limitar ou evitar determinados alimentos, enquanto uma em cada cinco os dividia entre "bons" e "ruins".

"Muitas das postagens que analisamos promoviam regras alimentares rígidas, ideais de alimentação saudável e a crença de que a saúde pode ser alcançada por meio de escolhas alimentares perfeitas. Essas mensagens se assemelham muito às atitudes associadas à ortorexia nervosa", acrescentou Porteous.

Instagram e TikTok apresentam diferenças

Entretanto, a relação entre alimentação e aparência não surgiu da mesma forma nas duas plataformas. No Instagram, os pesquisadores identificaram objetificação corporal em 78% dos vídeos, enquanto no TikTok o índice ficou em 48%.

Ademais, o Instagram apresentou com maior frequência pessoas com corpos magros e musculosos e conteúdos que relacionavam determinadas escolhas alimentares à aparência. No TikTok, por outro lado, as publicações tenderam a abordar a saúde de maneira mais associada ao bem-estar geral.

"Vimos repetidamente mensagens que sugeriam 'se você comer como eu, você pode ter a minha aparência'. Isso ignora a realidade de que a saúde é influenciada por muitos fatores, incluindo genética, estilo de vida, cultura e circunstâncias pessoais. Não existe uma dieta única que funcione para todos", ressaltou Porteous.

Quem está por trás das dicas de dieta?

Outro ponto chamou a atenção dos pesquisadores: 78% dos criadores analisados não tinham qualificação específica em áreas como nutrição, dietética ou ciências do exercício.

A formação também fez diferença na qualidade das orientações. Entre os profissionais qualificados, os pesquisadores consideraram preciso 45,5% do conteúdo. Entre os influenciadores sem formação específica, esse percentual caiu para apenas 4,7%.

Além disso, suplementos e os chamados "superalimentos" apareceram em cerca de três quartos das publicações. Os resultados reforçam, portanto, a importância de verificar quem está por trás de uma recomendação antes de mudar os hábitos alimentares com base em um vídeo nas redes.

Alimentação saudável não precisa ser perfeita

O alerta dos pesquisadores, então, está na transformação da busca por uma alimentação e uma vida saudáveis em cobranças, restrições e padrões difíceis de sustentar. Para Ivanka Prichard, professora e especialista em imagem corporal que também participou do estudo, algumas dessas mensagens podem parecer positivas à primeira vista.

"À primeira vista, essas postagens parecem promover a saúde, mas muitas incentivam padrões cada vez mais rígidos e perfeccionistas em relação à alimentação", afirmou ao site.

Por isso, a especialista destacou a importância de manter hábitos alimentares sem cobranças excessivas. "Uma alimentação saudável deve ser flexível, prazerosa e sustentável. O bem-estar não deve ser definido pela perfeição, restrição ou aparência", concluiu.

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra