3 materiais que mostram novos caminhos para uma construção sustentável
Alternativas feitas a partir de resíduos podem reduzir o desperdício de recursos e dar novas funções a materiais que seriam descartados
Para tornar a construção civil mais sustentável e reduzir o desperdício, inovações transformam resíduos em matéria-prima. O tijolo K-Briq reaproveita 90% de entulho de obras sem exigir queima, diminuindo emissões; a madeira plástica recicla plástico descartado em peças duráveis que evitam o desmatamento; e o Altrock usa sobras e pó de mármore para criar superfícies semelhantes ao granilite. Essas soluções reinserem descartes no ciclo produtivo, aliviando o impacto ambiental do setor.
A construção civil gera uma grande quantidade de resíduos e também consome recursos naturais em diferentes etapas da obra. Por isso, encontrar materiais que aproveitem descartes e diminuam o uso de matérias-primas virgens se tornou uma das possibilidades para tornar o setor mais sustentável. Segundo o site 'Casa e Jardim', algumas soluções já utilizam resíduos de construção, plástico e até sobras do corte de pedras para criar novos materiais. Além de reduzir o desperdício, essas alternativas mostram que materiais destinados ao descarte podem ganhar novas funções dentro da arquitetura e do design.
Tijolo feito com resíduos de obras
Uma das soluções apresentadas pela publicação é o K-Briq, tijolo desenvolvido pela brasileira Gabriela Medero na Universidade Heriot-Watt, na Escócia. O material utiliza cerca de 90% de resíduos provenientes da construção e da demolição em sua composição. Além disso, a fabricação não exige a queima tradicional dos tijolos de argila. Dessa forma, o processo evita parte das emissões associadas à produção convencional e reduz o consumo de energia. A proposta também aproxima a fabricação da fonte dos resíduos. Segundo a criadora, produzir o material em instalações de reciclagem pode diminuir a necessidade de transportar grandes volumes de descarte por longas distâncias.
Madeira plástica aproveita resíduos
A madeira continua presente em revestimentos, móveis e diferentes elementos da arquitetura. No entanto, sua utilização também pode aumentar a pressão sobre as florestas quando a matéria-prima não vem de fontes responsáveis. Nesse cenário, a madeira plástica surge como uma alternativa. O material utiliza principalmente resíduos de plástico de alta densidade e apresenta características como resistência e durabilidade. A empresa brasileira Reset transforma resíduos plásticos em peças de madeira ecológica. A produção reaproveita materiais que poderiam seguir para o descarte e, consequentemente, diminui a necessidade de utilizar madeira convencional em determinadas aplicações. Além disso, a resistência do material pode reduzir a frequência de manutenção em alguns projetos. Assim, o produto une reaproveitamento de resíduos e uma alternativa para diferentes usos na arquitetura.
Granilite produzido com sobras de mármore
Sobras de pedras também podem encontrar um novo destino. O designer Robin Grasby desenvolveu o Altrock, um material inspirado no terrazzo que utiliza principalmente resíduos provenientes do processamento do mármore. A composição reúne pó, lascas, pedaços e partes quebradas da pedra, além de uma pequena quantidade de resina para unir os componentes. Dessa maneira, o processo aproveita materiais que normalmente perderiam sua função depois do corte e da fabricação de peças de mármore. O material pode aparecer em bancadas, mesas, revestimentos e ladrilhos. Além disso, cada composição apresenta características próprias, já que as sobras utilizadas variam de uma peça para outra.
Reaproveitar também é uma forma de construir
Essas três soluções seguem uma ideia em comum: transformar resíduos em matéria-prima. Em vez de considerar sobras de obras, plástico ou pedras descartadas apenas como lixo, a indústria pode encontrar maneiras de reinseri-los no ciclo produtivo. No entanto, a escolha de um material sustentável também precisa considerar sua aplicação, durabilidade, origem e processo de fabricação. Dessa forma, o reaproveitamento deixa de ser apenas uma tendência estética e passa a integrar decisões mais amplas sobre o impacto de uma construção.
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