1947-1964
O modernismo entra em cena

Em 1947, Minas como um todo guarda hábitos característicos de suas cidades do interior. Belo Horizonte conta com mais de 211 mil habitamtes, e a cultura dá o tom da época. Nos cinemas, as figuras de sucesso são Cantinflas, Vicente Celestino e Humphrey Bogart. No mesmo ano, Milton Campos, da UDN, derrotou Bias Fortes, do PSD, na primeira eleição direta para governador após a ditadura Vargas.

A volta do carnaval de rua foi saudada com entusiasmo. Os cinemas, lotados, provocavam risos, lágrimas e suspiros. E o Plano de Recuperação Econômica e de Fomento da Produção, lançado pelo governador recém-eleito, agitou os meios políticos. O Estado, dizia o plano em linhas gerais, deveria participar e orientar o processo de crescimento. Essa era a receita para Minas crescer. Ainda que um pouco tímido, começava a entrar em cena o Estado-Patrão. Nem o Partido Comunista, cujo líder na Assembléia Legislativa mineira era o bancário Armando Ziller, ousava tanto. Apesar de ser considerado um homem consevador, o governador Milton Campos era, sobretudo, surpreendente.

A maior ousadia do Plano de Recuperação Econômica não foi apenas planejar o crescimento industrial de Minas Gerais, e nem modernizar a agricultura levando ao campo a irrigação, a drenagem, os adubos e a qualidade das sementes. Tampouco foi apenas criar bases para Minas começar a substituir as importações e mostrar que, para crescer, o Estado precisava de energia elétrica barata. Foi, sim, entregar ao Pai-Patrão, ao Estado-Empresário, as rédeas do desenvolvimento econômico, através da análise e do diagnóstico.

Em 1947, o potencial hidrelétrico de Minas era invejável, cerca de 6 milhões de cavalos-vapor. Mas somente 2,7% desse potencial eram aproveitados. Foi somente com o Plano que Minas aprendeu que não era preciso somente fornecer energia à população, mas sim oferecê-la o mais barato possível. O Estado, então, começava a mudar. Belo Horizonte começava a sofrer de outra febre muito rentável aos cofres do governo, a febre imobiliária. Surgiam, como por mágica, grandes edifícios. Então, o cenário mineiro era o seguinte: no final dos anos 40, Minas Gerais dava os primeiros sinais de progresso efetivo, com a cara da capital BH sendo modificada de forma radical pelos novos imóveis e com o governo, que fomentava a produção, passando a oferecer eletricidade barata. Resultado: alavancados pela expansão desses dois itens, os recordes eram vistos em todos os setores da economia.

Depois da marca invejável do governo de Milton Campos, o Estado preparava-se, no início da década de 50, para outro grande desafio: as eleições para governador. De um lado, pelo PSD e com o apoio do PTB de Vargas, um médico que esbanja sorrisos, ex-prefeito, que construiu a Pampulha e tinha o apelido de Nonô, lutava contra o candidato da UDN, sucessor de Milton Campos. Juscelino Kubitschek x Gabriel Passos. A batalha estava decretada.

As raposas do PSD de Minas, que assessoravam Juscelino, ajudaram-no a lançar o binômio energia e transporte, que se tornou famoso e o fez ganhar o pleito. Com Juscelino, Minas viu a primeira metade da década de 50 como seus anos dourados. Estradas rasgavam o Estado em todas as direções e as empresas de economia mista começavam a ser criadas. Os mineiros que antes saíam em busca de trabalho no resto do País voltavam para o Eldorado. E, enquanto isso, o governador sonhava em se instalar no Palácio do Catete.

O ritmo de trabalho era frenético. Juscelino sorria para Minas. Com o suicídio de getúlio, em 1954, o governo federal passou a fechar a cara para Minas, mas o governador fazia pouco caso e tocava obras sem parar, mostrando que estava disposto a enfrentar o veto dos militares e se transformar no presidente JK. Quando Juscelino renunciou ao governo, em 31 de março de 1955, para se lançar na disputa pela Presidência da República, muitos acharam loucura. Mas o velho Nonô foi eleito, derrotando o general Juarez Távora, da UDN e dos militares.

Era a época da construção de Brasília, e tempo dos 50 anos em 5 prometidos pelo novo presidente. Enquanto o País crescia, Minas seguia seu rumo. Os números eram empolgantes: de 1949 a 1960, o crescimento industrial de Minas Gerais registrou alta de 147,7%. A agricultura cresceu 46% e os serviços públicos 74,6%.

Nesse tempo, o governo de Juscelino chegou ao fim. Os banqueiros mineiros tinham motivos de sobra para comemorar os altos índices de crescimento econômico do Estado, mas a situação política do Brasil, com a renúncia de Jânio Quadros, se tornava cada vez mais complicada. O fantasma da guerra civil espreitava o País, e Jango, pressionado a aceitar o parlamentarismo, assumiu o cargo. Não era mais tempo de crescer em nenhum lugar das terras tupiniquins. Começava um tempo de greves, comícios, conspirações e suspense. Com o presidencialismo, via plebiscito, sendo implantado novamente.

Belo Horizonte já não cheirava a jasmins como antes, mas sim a gás lacrimogênio das bomas jogadas pela polícia durante os conflitos urbanos. No dia 31 de março de 1964, a cidade apareceu ocupada por tanques militares, sinalizando o golpe, liderado pelo então governador Magalhães Pinto para derrubar João Goulart. Era o início de uma era negra em Minas Gerais. E uma nova história estava começando.

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