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Brasil deve fechar janeiro com chuva muito abaixo da média e calor acima do normal

Mês começou com a ocorrência de chuvas em diversas áreas do País, especialmente na faixa entre o Sudeste, Centro-Oeste e Norte, devido a um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul

7 jan 2026 - 13h04
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Janeiro deve fechar com chuvas muito abaixo da média e calor acima do normal em grande parte do País, apesar da atuação do fenômeno chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que trouxe precipitações no início do mês ao Brasil, especialmente na faixa entre o Sudeste, Centro-Oeste e Norte.

"Alguns Estados chegaram a registrar volumes bem elevados, como o Espírito Santo, que acumulou mais de 150 mm em várias estações nos primeiros dias do ano ou mesmo a região metropolitana de Belo Horizonte, com aproximadamente 100 mm entre os dias 03 e 05 de janeiro", avalia Paulo Lombardi, meteorologista da Tempo OK.

Apesar disso, segundo ele, as projeções para o restante do mês não são animadoras em se tratando de recuperação dos reservatórios e mananciais, já que os volumes de chuva previstos não compensarão o déficit hídrico no Sudeste e Nordeste que se intensificou na segunda metade de 2025.

"A ZCAS que atua no começo do mês perde força antes da virada do primeiro para o segundo decêndio, reduzindo a persistência das precipitações. Além disso, o padrão atmosférico volta a favorecer uma distribuição irregular de chuvas, que serão insuficientes para a recuperação consistente dos níveis de solo e reservatórios", afirma Lombardi.

Primeiro mês do ano terminará com calor acima do normal e chuvas isoladas, dificultando a recuperação hídrica.
Primeiro mês do ano terminará com calor acima do normal e chuvas isoladas, dificultando a recuperação hídrica.
Foto: Fotógrafo original Taba Benedicto/Estadão - 23/12/2025 / Estadão

Similar ao que ocorreu no fim de dezembro, espera-se um novo episódio de adentramento do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) para o interior do País, acompanhando o fortalecimento de um sistema de alta pressão anômala na costa do Sudeste. Lombardi estima que em vários municípios do centro-norte do Brasil, é provável que chova pouco ou quase nada entre os dias 8 e 24 de janeiro.

No Sul do País e em Mato Grosso do Sul, a chuva volta a ocorrer, porém de forma mal distribuída. "Haverá registro de precipitação mais significativa em algumas áreas e com potencial para tempestades, enquanto outras permanecerão com acumulados mais baixos, o que limita os efeitos positivos do retorno das instabilidades."

Além disso, a partir da segunda semana de janeiro, o calor ganha força, com temperaturas de acima a muito acima da média em quase todas as regiões. "Esse aumento do calor intensifica a evaporação e contribui para agravar o quadro de déficit hídrico, o que deixa em alerta regiões onde as chuvas seguem escassas ou irregulares", explica o meteorologista da Tempo OK.

As precipitações previstas para grande parte de janeiro tendem a ocorrer na forma de pancadas isoladas, concentradas principalmente nos fins de tarde, que são comuns no verão. Essas pancadas inclusive poderão ser muito fortes onde ocorrerem, acompanhadas de raios, ventania e granizo.

Pontualmente, algumas regiões podem registrar acumulados significativos em curto período, mas eventos como esses são isolados. "Mesmo quando o volume se aproxima da média mensal, o impacto prático é limitado, e grande parte da água se perde", alerta Lombardi.

Para uma reversão efetiva do quadro de estiagem, seria necessário um período prolongado de chuvas recorrentes, mesmo que com volumes diários modestos. "A persistência da precipitação ao longo de vários dias é muito mais eficiente para a recuperação dos reservatórios do que eventos extremos concentrados", ressalta o meteorologista.

Mesmo que haja possibilidade de chuvas mais regulares entre fevereiro e março no centro-norte, o cenário mais provável ainda aponta para acumulados de média a abaixo da média, dificultando a reversão do déficit hídrico.

Em contrapartida, apesar da condição desfavorável para a geração hídrica, o primeiro trimestre de 2026 sinaliza cenário positivo para a geração de energia eólica e solar. Segundo Lombardi, a menor concentração de nebulosidade persistente favorece as áreas produtoras de energia solar, como o norte de Minas Gerais e a Bahia.

Além disso, praticamente todo o Nordeste deve ter janeiro atípico em termos de geração eólica. "Os ventos estarão muito mais intensos e regulares do que o comum para a época, lembrando pontualmente o padrão do auge da safra de ventos, entre julho e setembro".

Estadão
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