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Zonas sísmicas: quais são as regiões do mundo que mais registram terremotos

Entenda a relação entre localização e abalos sísmicos

9 mai 2024 - 05h00
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Os terremotos, também chamados de abalos sísmicos, são eventos geológicos causados pelo movimento das placas tectônicas, mais especificamente, a ruptura de uma rocha no interior do nosso planeta.
Os terremotos, também chamados de abalos sísmicos, são eventos geológicos causados pelo movimento das placas tectônicas, mais especificamente, a ruptura de uma rocha no interior do nosso planeta.
Foto: Reprodução/Getty Images

Os terremotos, também chamados de abalos sísmicos, são eventos geológicos causados pelo movimento das placas tectônicas. Eles ocorrem quando uma rocha no interior do planeta rompe, e, por esse motivo, podem ocorrer em diversos lugares, com intensidades distintas. 

“As rochas da crosta terrestre sofrem grandes esforços que se acumulam ao longo do tempo, até o ponto em que essa força é tão grande que faz com que as rochas quebrem. Neste momento, uma grande quantidade de energia acumulada é liberada e ondas sísmicas se propagam em todas as direções”, explica Bruno Collaço, sismólogo do Centro de Sismologia da USP ao Terra

De acordo com o especialista, a maioria dos episódios de tremores do mundo acontecem em regiões às bordas das placas tectônicas, ou seja, áreas de contato entre elas. Apelidadas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) de ‘zonas sísmicas’, elas são divididas em três tipos:

  • Bordas divergentes (construtivas): onde surgem material para compor as placas, são as cadeias meso-oceânicas, como por exemplo a dorsal do Atlântico que divide as placas da América do Sul (Leste) e da África;
  • Bordas convergentes (destrutivas): são as regiões onde uma placa “entra por debaixo da outra”, geralmente formando grandes cadeias de montanhas, como é o caso da Placa de Nazca e da América do Sul (Oeste) que formam os Andes;
  • Bordas transcorrentes (ou transformantes): como o famoso caso da Falha de San Andreas (EUA), onde uma placa “desliza” lateralmente uma em relação à outra.

Continue a leitura para saber quais são as principais e o que eles têm em comum:

Cinturão sísmico circum-Pacífico

A primeira, e maior delas, é o cinturão sísmico circum-Pacífico. Também apelidado de "círculo de fogo", a região fica localizada ao longo da borda do Oceano Pacífico e está nos limites de várias placas tectônicas. Por causa disso, a região concentra cerca de 81% dos maiores terremotos do planeta, além da maior parte dos vulcões. Apenas na região, há mais de 400 ativos. 

“As bordas convergentes, ou também chamadas de zonas de subducção, compõem as regiões onde mais acontecem sismos no mundo e de maior magnitude. Todo o entorno do Pacífico possui bordas dessa natureza e por isso formam a principal zona sísmica do mundo”, pontua Collaço. 

Entre alguns abalos históricos no local, há o Sismo de Valdivia de 1960, também chamado de Grande Sismo do Chile. Nele, o tremor foi de 9.5 MW de magnitude, considerada "Excepcional" na escala Richter. Segundo dados da USGS, mais de 1,6 mil pessoas morreram e 3 mil ficaram feridas. Ele é o mais forte da história. 

Como resultado deste abalo, países como Havaí, Japão, Filipinas, China, bem como o leste da Nova Zelândia, o sudeste da Austrália e as Ilhas Aleutas foram afetados por um tsunami. Alterações na paisagem do Chile, em especial na cidade de Valdivia, foram observadas, segundo um artigo dos engenheiros Robb Eric Moss e Ricardo Moffat publicado na SciElo em 2020. 

Zona sísmica de Alpide

A segunda zona sísmica vai de Java, passa pelo Himalaia, Mediterrâneo e segue até o Atlântico. É lá onde ocorrem 17% dos terremotos do mundo, segundo a USGS. Entre alguns exemplos de abalos na região, está o terremoto de 2005 no Paquistão. Na ocasião, foi registrado tremor de 7.6 MW de magnitude, que deixou mais de 80 mil pessoas.

Um ano antes, ocorreu na Indonésia o terremoto de 9.1 MW de magnitude, que gerou um tsunami considerado o mais mortal da história. Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados (NOAA), as ondas chegaram a 50 metros de altura. Ele, inclusive, inspirou um filme chamado Impossível, lançado em 2012. 

Dorsal Meso-Atlântica

Diferentemente das outras zonas sísmicas, a maior parte desta está profundamente submersa e longe da curiosidade humana. Também chamada de "Crista Oceânica do Atlântico", está no limite das placas Norte-americana, Euro-asiática, Sul-americana e Africana. Porém, a Islândia que fica sobre a Dorsal Meso-Atlântica, já sentiu terremotos de até 6.9 MW de magnitude. 

Algum país registra mais?

Assim como há regiões com mais abalos, também há países que registram mais ocorrências do evento geológico. “Todos os países próximos às zonas de subducção vão sofrer com terremotos. É o caso do Chile, Peru, Japão, a costa oeste dos EUA, México, Indonésia (e vizinhos), Países da América Central e Caribe, enfim todo o entorno do Pacífico”, destaca o sismólogo Bruno Collaço. 

Por que o Brasil não sofre com tremores? 

O Brasil está localizado no centro da Placa da América do Sul, longe das bordas de placas. Por isso, não sofremos com tremores intensos, mas, de acordo com Collaço, sofremos vários. “Em nosso país ocorrem tremores praticamente todas as semanas, geralmente com magnitudes menores que 3. A grande maioria deles ocorrem longe de grandes centros urbanos e as pessoas nem ficam sabendo”, explica. 

“Estes são considerados tremores intraplaca (pois ocorrem longe das bordas). Os tremores intraplaca ainda são um desafio para os cientistas, pois são difíceis de explicar, especialmente quando de magnitude relevante. No Brasil, a grande maioria dos tremores têm causas naturais e se devem a grandes pressões geológicas atuando na crosta terrestre. O tremor que as pessoas sentem é resultado de uma movimentação repentina em alguma falha ou fratura, que "escorrega" por causa das pressões geológicas”, esclarece o sismólogo. 

Fonte: Redação Terra
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