Itália eleva número de cidades e de trabalhadores em risco por calor
Recordes de temperaturas deverão ser batidos no final de semana
O Ministério da Saúde da Itália colocou nesta quinta-feira (25) 17 das 27 maiores cidades do país em alerta vermelho de risco devido ao perigo representado pelas altas temperaturas que castigam o território e grande parte da Europa Ocidental.
Hoje, Bari, na Puglia, juntou-se aos 16 municípios italianos de norte a sul que já estavam em alerta vermelho: Ancona, Bolonha, Bolzano, Brescia, Florença, Frosinone, Latina, Milão, Perugia, Pescara, Rieti, Roma, Turim, Veneza, Verona e Viterbo.
A previsão é que Gênova, na Ligúria, entre para a lista na sexta-feira (26), quando novos recordes de temperaturas devem ser batidos, elevando o número de cidades em risco para 18.
A onda de calor atípica que vem afetando a Itália e grande parte da Europa na última semana pode prejudicar a saúde de 1,5 milhão de trabalhadores italianos nos próximos três dias, aponta uma análise realizada pelo Greenpeace e pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (Cgil), que cruzou previsões de risco de calor do projeto "Worklimate" (do Conselho Nacional de Pesquisas e do Instituto Nacional de Segurança no Trabalho) com dados de emprego do Instituto Nacional de Estatística (Istat).
Segundo o relatório, entre 25 e 27 de junho, as províncias e cidades metropolitanas com o maior número de trabalhadores potencialmente em risco são Roma, com 427 mil pessoas, representando 25% da força de trabalho total da capital; Milão, com 347 mil trabalhadores, ou 14%; e Nápoles, com 133 mil funcionários, ou 19% das pessoas em atividade.
"O calor extremo já não é um evento excepcional, mas uma consequência estrutural da crise climática que já está transformando a maneira como vivemos e trabalhamos. Proteger os trabalhadores exige medidas imediatas de prevenção e adaptação, bem como uma rápida transição para longe dos combustíveis fósseis", diz Simona Abbate, ativista de Clima e Energia do Greenpeace Itália.
"É inaceitável que os custos da crise climática recaiam sobre indivíduos, serviços públicos e empresas, enquanto as companhias de petróleo e gás continuam a acumular bilhões em lucros", acrescentou.
A onda de calor que atinge a Europa Ocidental também está fazendo as temperaturas do solo dispararem, com registros chegando a 48°C em Madri, 44°C em Roma e 46°C em Poitiers (França) e Zaragoza (Espanha). Os dados, coletados no último dia 23, são dos satélites Sentinel-3 do Copernicus, o programa de observação da Terra da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Comissão Europeia.
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